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POV/ ALÉSSIANos dois dias seguintes, nossa vida foi organizada pelos horários do hospital.Havia momentos em que podíamos visitar, momentos em que precisávamos esperar e notícias que só chegavam depois de novas avaliações. Aprendi a reconhecer o barulho dos passos no corredor e a levantar o rosto sempre que uma profissional vinha na nossa direção.Antonella continuava melhorando.Cassian permanecia internado e ainda se cansava depressa, mas conseguia reconhecer quem estava perto e responder a algumas perguntas. As visitas continuavam curtas e organizadas pela equipe.Kauan permanecia em Piemonte.Minha mãe falava com o hospital várias vezes ao dia. Ethan tinha providenciado o contato necessário para que recebêssemos as informações, e ninguém tratava uma notícia favorável como se significasse que ele estava pronto para sair.Ainda era grave.Ainda precisávamos esperar.Naquela manhã, Ilana estava sentada ao meu lado quando o telefone tocou. Segurou o aparelho com as duas mãos antes de
POV/ LORENZONa manhã seguinte, perguntei pela Antonella antes mesmo de terminar de guardar o telefone no bolso.Tinha dormido pouco, sentado numa cadeira, e meu pescoço doía. Ainda assim, quando ouvi que ela continuava consciente nos períodos em que despertava e estava sendo acompanhada pela equipe, senti vontade de sentar no chão e agradecer.Na noite anterior, minha mulher tinha apertado minha mão.Eu continuava voltando àquela lembrança.Depois de tanto tempo esperando uma reação, ouvi sua voz.Fraca, rouca, perguntando pela nossa filha.Passei as mãos pelo rosto e procurei o telefone outra vez. Havia uma mensagem de Dominic informando que tinham chegado à Sicília e estavam a caminho do hospital.Olhei para o corredor.Eu precisava ver meu irmão.Precisava olhar para ele e ter certeza de que a parte daquela história que tinha acontecido longe de mim realmente tinha terminado.Quando apareceram na área de espera, levantei-me antes que me chamassem.Dominic caminhava ao lado de Alés
POV/ ANTONELLAAbri os olhos e não reconheci o teto.A luz estava fraca, mas ainda me incomodou. Pisquei algumas vezes, tentando manter as pálpebras abertas. Havia um som repetido perto de mim e outras vozes mais distantes.Tentei engolir.Alguma coisa impedia.Meu coração começou a bater mais rápido. Quis levantar a mão até a boca, mas meu braço parecia pesado demais. Quando consegui movê-lo, senti alguém se aproximar.— Antonella? Você está me ouvindo?Uma mulher entrou no meu campo de visão. Usava uniforme, e eu tentei olhar para o rosto dela, procurando alguma explicação.— Você está no hospital. Estamos cuidando de você.Tentei responder.Não consegui.O incômodo na garganta aumentou quando me mexi, e meus olhos se encheram de lágrimas.— Você está com um tubo para ajudar na respiração. Não tente falar agora. Eu sei que incomoda.Hospital.A palavra se repetiu na minha cabeça, mas eu não conseguia ligá-la a uma lembrança completa.Havia uma festa.Lorenzo estava comigo.Eu tinha
POV/ DOMINICAcompanhei Aléssia e as outras duas até a casa. Ilana caminhava entre as filhas, segurando a mão de uma e depois a da outra. Quando chegaram à sala, minha mulher ajudou a mãe a se sentar no sofá.Ethan entrou atrás de nós e fechou a porta.Fiquei perto enquanto Elizabeth pegava um copo de água. Ilana o recebeu com as duas mãos, mas não bebeu imediatamente. Continuava olhando para os próprios dedos.Aléssia se ajoelhou diante dela.— Quer que a gente fique aqui?A mulher assentiu.Minha esposa acariciou seu joelho antes de se levantar. Quando veio até mim, passei a mão por seu rosto, afastando os cabelos úmidos da bochecha.— Vou resolver uma coisa — falei.Seus olhos procuraram os meus.— Marcellos?Assenti.Aléssia olhou por cima do ombro para a mãe, depois voltou a me encarar.— Eu prefiro ficar com ela.— Fica.Ela segurou minha mão.— Você também precisa descansar.A dor nas costelas continuava ali. Eu a sentia quando respirava mais fundo, quando levantava o braço e q
POV/ ILANADurante anos, lavei roupas tentando esconder o que ele fazia. Aprendi a medir meus movimentos quando sentia dor, a me sentar devagar e a sorrir quando alguém entrava.Não conseguia ver os ferimentos dele sem lembrar das vezes em que eu precisava de ajuda e recebia uma ordem para parar de chorar.Aléssia tocou meu braço.Virei o rosto. Minha filha estava perto, com os olhos vermelhos.— Eu estou aqui, mãe.Assenti. Segurei sua mão por alguns segundos antes de soltá-la.— O Luca também estava — falei, voltando a olhar para Leopoldo. — Ele estava comigo.Minha voz falhou.Naquela manhã, meu filho tinha perguntado se eu conseguira dormir. Estava machucado porque tentou me defender e, mesmo assim, preocupava-se comigo.Depois saiu daquele quarto conosco.Eu acreditava que conseguiríamos ir embora.— Não foi assim que eu queria... — Leopoldo começou.— Eu segurei o rosto dele.As lágrimas escorreram antes que eu pudesse contê-las.— Chamei pelo nome. Pedi para olhar para mim. Vo
POV/ ALESSIALeopoldo parou no meio da frase.Meu marido ficou diante dele por alguns segundos, olhando para seu rosto.— Eu pensei muito no que faria quando encontrasse você. Pensei em fazer você conhecer o próprio inferno e implorar para morrer.Senti a mão de Elizabeth procurar meu pulso.Dominic continuou:— Mas isso aqui pertence a elas também. Então vou respeitar o tempo que precisarem.Minha irmã ergueu os olhos para ele.— Ele não vale o seu tempo, Dominic.Leopoldo olhou para Elizabeth, respirando pela boca.Ela manteve o olhar firme.— Não desperdiça mais nada nosso com ele.Toquei os dedos da minha irmã e lhe entreguei a pistola.Ethan permaneceu ao lado dela. Vi a mão dele pousar em sua cintura quando Elizabeth ergueu a arma.Leopoldo tentou afastar o corpo, embora não tivesse para onde ir.— Espera. Espera, porra!Elizabeth respirou fundo.— Pela mulher que você nunca mais vai usar como mercadoria.Ela atirou no outro braço.O grito dele atravessou o galpão. Leopoldo se c







