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CAPÍTULO 22

last update Fecha de publicación: 2021-09-06 21:58:01

      Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo.

      Isso porque, à meia-noite, depois que a enfermeira lhe aplicou uma injeção, recebeu uma inusitada e horripilante visita.

      A visita do demônio!

      Um homem entrou na sala. Usava o jaleco branco, típico dos médicos. No pescoço, um estetoscópio. Calça jeans. Sapatos pretos. Cabeça raspada. Bigode discreto. Óculos escuros.

      Manteve a luz apagada. Apenas a luz do corredor iluminava o quarto. Aproximou-se da cama.

      → Boa noite, Macto → ele murmurou, sério.

      Estremeceu, ao reconhecer aquela voz!

      Tentou gritar, mas nada saiu de sua garganta.

      Tentou abrir completamente os olhos, mas não teve forças. Abriu-os parcialmente, o suficiente apenas para ver um vulto.

      Medo!

      O medo dominou seu corpo, ciente das coisas de que aquele homem era capaz de fazer. Sabia que, se nada fizesse para impedir, seria assassinado impiedosamente, naquele quarto de hospital.

      Medo, sim; porém mesclado ao sentimento do dever.

      Era um policial!

      Precisava dominar o medo!

      Precisava reagir!          

      Enrijeceu-se na cama → enquanto o sujeito falava → tentando pensar num modo de sair dessa enrascada.

      → Tudo deu errado. Mais uma vez por culpa da desgraçada da Ana, que se deixou seguir. Mulher burra! Ainda bem que percebi a movimentação na delegacia, por meio das câmeras de vigilância, instaladas no saguão. Desci e comecei a fazer perguntas. Um policial me disse o que estava acontecendo. O Marcos havia ligado para o Cardoso, é mole? Isso porque você, Macto, havia ligado para o Marcos, antes de entrar na fazenda. Eu devia ter pensando nessa possibilidade. Vacilei mesmo. Como pude pensar que você entraria no covil dos lobos sem se precaver, antes? Como? Não tive sequer tempo de conversar com o Cardoso, que saiu sem me avisar, o imbecil. Desesperado, vendo que a merda havia sido lançada no ventilador, cheguei a ligar para a puta da Ana, para avisá-la, mas...

      Talvez devesse gritar.

      → ... ninguém atendeu, com certeza porque, àquela altura, já tinha sido presa. Fui, então, obrigado a fugir. Infelizmente os funcionários das nossas quatro empresas não entenderão nada. Não entenderão por que perderam seus empregos antes de começarem a trabalhar. Uma pena. Meu sonho de riqueza foi por água abaixo. O sacrifício do “Ameba” não resultou em nada.

      Quem sabe atacá-lo com os dentes.

      → Agora, você deve estar se perguntando: por que é que, ao invés de fugir para bem longe, o delegado Haroldo está aqui, nesse fétido quarto de hospital, contando coisas desnecessárias para um moribundo? Por quê?

      Se pudesse encontrar um objeto com ponta...

      → Simplesmente porque Asmodeu me transmitiu uma mensagem. Asmodeu, o deus da prosperidade. Ele me disse claramente: extermine o policial abelhudo que se meteu onde não devia. → Seus olhos brilharam, de modo insano. → Mate-o! Leve-o para o inferno! Somente após matá-lo você conseguirá fugir com tranquilidade. E você sabe que sempre sigo as orientações do grande Asmodeu. Sou um escravo de Asmodeu!

      Louco!

      Percebeu que o delegado Haroldo estava completamente louco. Não tinha mais controle sobre suas emoções.

      → Você devia era estar procurando o “Minhoca” e não a Ana. Devia era estar subindo o morro do Palmor, com uma equipe de assalto. Devia era estar metendo chumbo no desgraçado do “Minhoca”, para vingar a morte do “Ameba”. Sacou, Macto? Mas não. Você, de modo inteligente, reconheço, enveredou pelo...

      Se pudesse jogar alguma coisa naquele rosto imundo...

      → ... caminho errado e agora vai pagar por sua ousadia e perspicácia. Minha fuga foi detalhadamente planejada. Fui policial por mais de vinte anos e conheço os meandros do negócio. Meus colegas não conseguirão me pegar. Sou esperto demais para eles. Bem, mas chega de papo furado. Tenho...

      Arrepiou-se!

      → ... que sair urgentemente da cidade. Adeus, Macto! Foi bom enquanto durou... meu colega... perspicaz. → Riu.

         Prendeu a respiração → tenso! → ante as fatídicas e mortíferas palavras!

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Último capítulo

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