MasukCidade de “MJ”, 17 de janeiro, sexta-feira.
Sozinho!
A dificuldade de respirar aumentava.
Em delírio → com o cérebro atrofiado → já não sentia mais nada, não via mais nada, não pensava em mais nada.
Sentiu o tenebroso manto da morte se acercando... o tétrico manto do verdugo negro... realizando um reconhecimento... analisando as possibilidades... cheirando seu corpo... cutucando sua alma... lambendo seu espírito... num frenesi alucinado!!!
E não tinha forças para lutar contra ele!
Seria o fim? O fim... o fim... o fim...
As dores no estômago aumentaram! Urinou novamente. As feridas na pele se multiplicaram. Os lábios sangravam. Não conseguia mais enxergar. Nem respirar!
Iria morrer???
Com os olhos dilacerados, não viu o vulto que se aproximou, assim que a Ana saiu. Não sentiu o olhar de choque que ele lançou sobre seu corpo. E muito menos notou quando ele efetivou algumas ligações.
Cidade de “MJ”, 17 de janeiro, sexta-feira.
De repente, ouviu o motor de um carro! Um carro?!? Na verdade, pareciam vários carros, que se aproximavam.
Seria o retorno daquela maluca?
Vultos!
Cercaram o local onde se encontrava.
Notou, então, que a cruz passou a se mexer!
Por quê?
Tentavam tirar a cruz do buraco?!?
No minuto seguinte, viu-se deitado no chão. Deitado! Alguém tirava os pregos de seus pés e mãos. Sentiu dor, mas não conseguiu gritar. Apenas gemeu baixinho, já sem controle.
Deram-lhe água. Sua garganta ardeu, quando líquido passou por ali, rumo ao interior de seu corpo. Ardeu, mas foi bom!
→ Está me ouvindo, Macto?
Não conseguiu identificar quem falava com ele.
→ Caso encerrado. Resista! Você vai escapar dessa!
→ Por favor, afaste-se. Precisamos levá-lo. → Outra voz.
→ Boa sorte, parceiro!
Colocaram um aparelho sobre seu rosto. Percebeu que havia saído da cruz. Estava, agora, numa espécie de maca. Seria a salvação? Estaria escapando do verdugo negro?
Tentou abrir os olhos, mas as dores o impediram.
Desmaiou.
Cidade de “FT”, 17 de janeiro, sexta-feira.
Onde estava?
Por que a escuridão?
Ligeira dor nas mãos e nos pés.
Seu rosto coberto. Nada via.
Não conseguia se mexer!
Imergiu em sonolência.
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Acordou quando faltavam dez minutos para as oito horas, segundo lhe informou a enfermeira. Ela, por sinal, lhe aplicara uma injeção e colocara o soro; porém não quis lhe dizer mais nada. Insistiu. No entanto, ela se mostrou irredutível. Ordens, havia dito. O médico também nada revelou. Permaneceu deitado, tomando soro e repleto de curiosidade. Curiosidade! A pergunta que lhe veio à mente era uma só: o que havia acontecido? Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Só foi saber das novidades
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Subitamente, um objeto foi colocado sobre seu rosto. Macio, mas que, naquele instante, o sufocava. O que seria? Um travesseiro??? Óbvio! Um discreto e eficiente travesseiro! Não recebeu uma facada nem um tiro. E muito menos uma pancada na cabeça. Por quê? Com certeza para parecer que teria morrido de parada cardíaca. Assim procedendo, não causaria suspeitas. Sim! Era um bom plano. O delegado Haroldo → apesar de enlouquecido → ainda não tinha perdido a inteligência.&nbs
Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Isso porque, à meia-noite, depois que a enfermeira lhe aplicou uma injeção, recebeu uma inusitada e horripilante visita. A visita do demônio! Um homem entrou na sala. Usava o jaleco branco, típico dos médicos. No pescoço, um estetoscópio. Calça jeans. Sapatos pretos. Cabeça raspada. Bigode discreto. Óculos escuros. Manteve a luz apagada. Apenas a luz do corredor iluminava o quarto. Aproximou-se da cama. → Boa noite, Macto → ele murmurou, sério. Estremeceu, ao reconhecer aquela voz! Tentou gritar, mas nada sai
Cidade de “FT”, 18 de janeiro, sábado. Não sonhou. Não teve pesadelos. A escuridão → no entanto → permanecia ao seu redor, profunda, sinistra, dominando o ambiente. Mansidão. Imobilidade. As dores diminuíram. Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Saiu da UTI, sendo conduzido a um dos quartos. Abriu, enfim, os olhos. Pôde perceber o quarto; os aparelhos; as paredes brancas. Havia bandagens em quase todo o seu corpo. Parecia uma múmia, como nos tempos medievais. Além do mais, foi obrig
Cidade de “MJ”, 17 de janeiro, sexta-feira. Sozinho! A dificuldade de respirar aumentava. Em delírio → com o cérebro atrofiado → já não sentia mais nada, não via mais nada, não pensava em mais nada. Sentiu o tenebroso manto da morte se acercando... o tétrico manto do verdugo negro... realizando um reconhecimento... analisando as possibilidades... cheirando seu corpo... cutucando sua alma... lambendo seu espírito... num frenesi alucinado!!! E não tinha forças para lutar contra ele! Seria o fim? O fim... o fim... o fim... As dores no estômago aumentaram! Urinou novamente
Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira. Acordou nas trevas! Calculou ser nove ou dez horas de uma noite de vento brando, com a temperatura na faixa dos vinte e seis graus. A fazenda às escuras. A vontade de beber água ou qualquer líquido era insuportável. Suas mãos estavam horrivelmente inchadas. O sangue lhes dava um aspecto doentio. Seu rosto... pálido! Pálido como se não tivesse uma gota de sangue sequer! Pálido e quase em pânico. Sua pele evidenciava pequenas feridas, devido às queimaduras provocadas pelo sol. Defecou na fralda. Foi obrigado a se acostumar com o fedor.