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Capítulo 127 — Impaciência

last update 게시일: 2026-09-24 07:52:05

“Henrique”

Era quinta-feira.

A semana tinha passado rápido demais, ocupada por reuniões, relatórios, decisões que normalmente teriam conseguido prender minha atenção por horas. Naquela semana, não conseguiram.

Minha cabeça continuava encontrando um caminho de volta para Aurora.

Estava diante das janelas enormes da minha sala, observando o movimento da cidade lá embaixo, quando ouvi a porta se abrir.

Nem precisei me virar para saber quem era.

— Já está virando costume você entrar sem bater
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    O celular vibrou sobre a mesa pouco depois das seis. Eu ainda estava no escritório. A maior parte do andar já havia esvaziado, e Alfredo tinha saído havia quase meia hora depois de perguntar duas vezes se eu precisava de mais alguma coisa. Olhei para a tela. Bruna. Abri a mensagem imediatamente. “Amanhã. 19h30.” Endireitei-me na cadeira. “Onde?” Os três pontos apareceram. “Você é sempre tão ansioso ou a Aurora despertou esse lado insuportável?” Digitei sem paciência. “Onde, Bruna?” Dessa vez, ela demorou um pouco mais. “Meu apartamento.” Franzi a testa. “Seu apartamento?” “Sim, Henrique. O lugar onde eu moro. Geralmente é isso que apartamento significa.” Ignorei. “Ela sabe que eu vou estar lá?” A resposta não veio imediatamente. E isso bastou para me incomodar. “Bruna.”A resposta veio simples: “Calma.” “Ela sabe?” Dessa vez, os três pontos permaneceram na tela por alguns segundos. “Não.” Recostei-me na cadeira.“Então não.” A resposta veio quase instantane

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    “Henrique” Era quinta-feira. A semana tinha passado rápido demais, ocupada por reuniões, relatórios, decisões que normalmente teriam conseguido prender minha atenção por horas. Naquela semana, não conseguiram. Minha cabeça continuava encontrando um caminho de volta para Aurora. Estava diante das janelas enormes da minha sala, observando o movimento da cidade lá embaixo, quando ouvi a porta se abrir. Nem precisei me virar para saber quem era. — Já está virando costume você entrar sem bater. César fechou a porta atrás de si. Não respondeu de imediato. Quando me virei, percebi que havia alguma coisa diferente na expressão dele. Não era apenas preocupação. Era aquela seriedade que ele costumava carregar quando algo estava mal. — Trago notícia ruim. Voltei lentamente para perto da mesa. — O que foi agora? César se aproximou, mas não se sentou. — Felipe sumiu. Fiquei alguns segundos olhando para ele. — Como assim, sumiu? — Depois do que descobrimos sobre os relatórios, mand

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    “Aurora” — Ele descobriu que a fotografia não era falsa. Bruna interrompeu o movimento da colher antes que ela chegasse à boca. Estávamos almoçando numa mesa mais afastada do restaurante próximo à empresa, e eu tinha conseguido passar os primeiros quinze minutos ouvindo uma história absurda sobre uma mulher que discutira com o garçom porque o prato não combinava com a fotografia do cardápio. Eu estava quase conseguindo esquecer a manhã. Quase. Bruna pousou a colher. — Que fotografia? Olhei para ela. — A que ele falou com você. O silêncio que veio em seguida durou pouco mais de dois segundos. Foi suficiente. — Henrique falou comigo — disse ela, escolhendo cada palavra. — Isso não significa que tenha me contado tudo. — Mas contou sobre a fotografia. — Contou. Peguei meu copo. — Então não faz essa cara de surpresa. — Eu não estava fazendo cara de surpresa. — Estava. — Era uma cara de interesse. — Você é péssima mentindo. — Isso é uma acusação muito séria. Quase sorri

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    Continuei de pé. Eu tinha passado a noite pensando que o problema era encontrar as palavras certas. Não era. O problema era que Aurora tinha parado de querer ouvi-las. Voltei a me sentar e olhei para o celular sobre a mesa. Poderia mandar uma mensagem. Ela provavelmente não responderia. Poderia ligar. Provavelmente não atenderia. Poderia aparecer na casa dos pais dela, mas isso seria fazer exatamente o que ela tinha acabado de me acusar de fazer: decidir que minha necessidade de falar era mais importante do que a decisão dela de não ouvir. Apoiei os cotovelos na mesa e passei as mãos pelo rosto. Precisava de uma oportunidade. Não para convencê-la a voltar. Nem sequer sabia ainda o que significaria “voltar” depois de tudo aquilo. Só precisava que ela me escutasse por alguns minutos. E havia uma pessoa que Aurora ainda escutava. Levantei lentamente a cabeça. Bruna. Fiquei alguns segundos considerando a ideia. Era ruim. Provavelmente muito ruim. O

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    “Henrique” Passei boa parte da noite com o celular na mão. A fotografia estava sobre a mesa da sala, ao lado do segundo laudo. Vinte e três páginas que deveriam ter simplificado alguma coisa e conseguiram fazer exatamente o contrário. Abri a conversa de Aurora. A última mensagem ainda era antiga e profissional. Nada que se parecesse com as conversas que costumávamos ter, com provocações inúteis, reclamações sobre horários ou discussões que começavam por qualquer motivo e terminavam horas depois em algum assunto completamente diferente. Digitei: “Chegou o segundo laudo da fotografia. Precisamos conversar.” Li duas vezes. Apaguei. Tentei novamente. “Eu estava errado.” Meu dedo permaneceu sobre a tela. Era verdade. Também parecia pequeno demais. Apaguei outra vez. Poderia ligar. Fiquei alguns segundos olhando para o nome dela no alto da tela, com o polegar próximo ao ícone de chamada. Bastava tocar. Se ela atendesse, eu poderia explicar que a segunda anális

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    Peguei novamente o relatório, mas uma lembrança me atingiu antes que eu pudesse voltar a lê-lo. Não da fotografia. Do telefonema. Tem mais uma coisa. Quero um levantamento de qualquer ligação entre a família Montes e a família Ávila por volta de 2012. Negócios, contratos, eventos, instituições, doações, propriedades, reuniões… qualquer registro em que os dois nomes apareçam relacionados. Até onde devo aprofundar? Até encontrar alguma coisa que explique essa fotografia. Fiquei imóvel. — Merda. César franziu a testa. — O quê? Larguei o relatório e puxei o notebook para perto. — Eu fiquei tão preso nessa fotografia que esqueci de outra coisa. — Que coisa? Abri o e-mail. — Quando mandei analisar a foto, também pedi um levantamento sobre qualquer ligação entre as nossas famílias naquela época. A expressão de César mudou. — Montes e Ávila? — Sim. Digitei algumas palavras na busca e encontrei a sequência de mensagens que recebera nos dias seguintes. Havia

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