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Capítulo 30 — De Olho em Nós

last update publish date: 2026-08-07 16:27:32

Aurora

Os dias passaram depressa.

Entre reuniões, contratos e os últimos detalhes do casamento, mal percebi quando faltavam apenas dois dias para a cerimônia. Quanto menos tempo restava, mais eu me convencia de que precisava apenas suportar. Depois daqueles doze meses, Henrique voltaria para a vida que queria, e eu finalmente teria a minha liberdade.

Naquela manhã, uma reunião da diretoria acabara de ser encerrada quando o senhor Raul pediu que Henrique e eu ficássemos mais um pouco.

Os dire
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    “Aurora”Eu não sabia o que tinha acontecido comigo. Na noite anterior, não pensei em nada além de Henrique. Só queria estar perto dele.— Bruna, eu não sei o que me deu — contei, sentada à minha mesa. — Nem pensei. Só queria ele.Ela riu ao me ver corar.— Amiga, você é casada, ama esse homem e passou anos longe dele. É claro que estava com saudade. Aproveita. Quando as coisas estiverem mais tranquilas, vocês deviam fazer uma viagem juntos.— Foi tão bom sair da defensiva por um instante. Sentir que era amada, desejada…Ri baixinho, lembrando de Henrique.— Isso é ótimo. Você merece. E ele nem é doido de vacilar agora. Só aproveita.Encarei Bruna por cima da mesa.— Mas e você? O que aconteceu em Nantucket?O sorriso dela sumiu.— Nada. O que poderia ter acontecido?— Bruna, sei que está escondendo alguma coisa.Ela soltou o ar e se levantou.— Beijei o César.Abri a boca, surpresa.— Você…— Não quero ouvir nada.— Você não vai conseguir fugir para sempre.Bruna pegou a bolsa e saiu

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    "Aurora"Eu não sabia o que estava acontecendo comigo.Sentia falta de Henrique mesmo quando ele estava a poucos passos de distância. Queria me aproximar, tocar nele, sentir o calor da sua pele. O desejo parecia mais intenso do que de costume, uma agulhada quente no pé da barriga que se tornara impossível de ignorar.Quando concordei em deixá-lo tomar banho primeiro, uma ideia ousada passou pela minha cabeça.Ouvi o chuveiro ligar. Tirei a roupa, sentindo minha própria pele arrepiar com a expectativa, e entrei no banheiro abafado pelo vapor.Henrique estava de costas, sob a água. Abri o boxe devagar. Ao ouvir o movimento, ele virou o rosto por cima do ombro.Meu rosto esquentou, mas não recuei.Por um instante, ele pareceu surpreso. Então seus olhos escureceram de puro tesão, percorrendo o contorno do meu corpo sem pressa. Ainda assim, ele não avançou imediatamente; lutava para manter o controle.— Aurora…— Eu queria ficar perto de você — falei, dando o passo decisivo para debaixo do

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    “Henrique” Respirei fundo antes de responder. — Amor, a gente precisa manter a calma. Ainda não temos nenhuma prova concreta contra Adrian. Temos suspeitas, perguntas, mas nada que nos permita acusá-lo. Aurora continuava com o celular nas mãos. As mensagens de Adrian ainda estavam abertas na tela. — Não estou dizendo que devemos confiar nele — continuei. — Nem em ninguém, por enquanto. Não sabemos quem mais está envolvido com Lara. Só não podemos transformar cada atitude de Adrian numa prova contra ele. — Eu sei. — A gente já sabe por onde começar: procurar provas e encontrar respostas para as perguntas que temos. Não precisamos resolver todos os quebra-cabeças agora, depois de uma noite sem dormir. Ela soltou o ar devagar. — E se descobrirmos que Adrian ajudou Lara?— Se as provas mostrarem que Adrian ajudou Lara ou provocou de propósito a ruína da empresa da sua família, vou atrás dele. E vou destruí-lo. Aurora enfim apagou a tela do celular. — Você tem razão. A gente já

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    “Aurora” Passamos mais de duas horas na delegacia. Repeti tudo o que me lembrava do sequestro. Contei sobre o carro, sobre a maneira como Lara me olhara e repeti a ameaça que fizera antes de os homens me levarem. Depois, precisei falar novamente sobre Nantucket. A ameaça no corredor da empresa. Lara sobre Henrique. As fotografias. A briga. O detetive anotou cada detalhe e pediu que eu não entrasse em contato com Lara caso ela me procurasse. Henrique também prestou depoimento sobre o que lembrava do bar e entregou os documentos do hospital. Quando finalmente saímos, minha cabeça parecia pesada demais.Parei diante da delegacia e respirei o ar fresco. Meu corpo inteiro pedia descanso. Henrique terminava uma ligação alguns passos atrás de mim. — Não precisa vir — disse ao telefone. — Já terminamos aqui. Descanse um pouco, melhor a fazer agora. Eu aviso se houver alguma novidade. Ele ouviu a resposta de César antes de desligar. — Ele ainda queria vir? — perguntei. — Queria.

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