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Capítulo 5 — Futura Esposa

last update publish date: 2026-07-20 22:45:01

POV: Aurora

Respirei fundo e recostei a cabeça na cadeira.

Pela primeira vez em muitos dias, consegui sentir um pequeno alívio.

O tratamento do meu pai finalmente tinha começado.

Os funcionários haviam recebido os salários atrasados.

Os telefonemas dos credores diminuíram.

A empresa ainda estava longe de se recuperar.

Mas, pelo menos…

Ela continuava de pé.

Meus olhos se fecharam por alguns segundos.

Tudo aquilo tinha um preço.

Minha liberdade por um ano.

Sorri sem humor.

Que ótimo negócio, Aurora.

Balancei a cabeça.

Não adiantava pensar nisso agora.

Peguei uma das pastas sobre a mesa.

— Vamos trabalhar.

Duas batidas suaves interromperam meus pensamentos.

— Pode entrar.

A porta se abriu.

Sorri automaticamente.

— Adrian…

Ele entrou com a mesma tranquilidade de sempre.

Elegante.

Discreto.

— Como você está?

Dei de ombros.

— Sobrevivendo.

Os olhos dele percorreram rapidamente minha sala.

Depois voltaram para mim.

— E seu pai?

Meu sorriso ficou um pouco mais sincero.

— O tratamento começou ontem.

Acho que, pela primeira vez em semanas, minha mãe conseguiu dormir um pouco.

Adrian sorriu.

— Fico feliz.

O silêncio se instalou entre nós por alguns segundos.

Resolvi quebrá-lo.

— Faz tempo que você não aparece por aqui.

Sorri de leve.

— A que devo a honra da sua visita?

Adrian respirou fundo antes de responder:

— Eu fiquei sabendo do contrato.

Meu sorriso desapareceu.

Por alguns segundos, eu quase consegui esquecer que Adrian carregava o mesmo sobrenome de Henrique.

Mas bastou aquela frase para a realidade voltar.

— Imagino que sim.

Ele apoiou as mãos nos bolsos.

— Henrique não vai assinar.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios.

Balancei a cabeça.

— Também não acredito que ele vá.

Conhecendo Henrique…

Ele jamais abriria mão do grande amor da sua vida.

Nem da vida perfeita que construiu ao lado dela.

Adrian permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Depois disse calmamente:

— Se você precisar…

Eu posso resolver isso.

Levantei os olhos lentamente.

Meu coração apertou.

Ele era exatamente o tipo de pessoa que colocava os outros acima de si mesmo.

Sempre foi assim.

Sorri com carinho.

— Você continua sendo um homem bom, Adrian.

Ele franziu a testa.

Como se não entendesse minha resposta.

Levantei da cadeira.

Aproximei-me.

Segurei delicadamente uma de suas mãos.

— Justamente por isso…

Balancei a cabeça.

— Você merece alguém que escolha você todos os dias.

Alguém que ame você de verdade.

Ele sustentou meu olhar.

Sem dizer nada.

Continuei antes que ele pudesse responder.

— Não faça isso.

Não por pena.

Nem para tentar me salvar.

Você merece muito mais do que um casamento por obrigação.

Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.

— E se eu não me importar?

Meu sorriso desapareceu aos poucos.

— Não diz isso.

— Por quê?

Respirei fundo.

A resposta doía mais do que eu gostaria de admitir.

— Porque ainda existe outra pessoa no meu coração.

O silêncio se instalou entre nós.

Adrian abaixou os olhos por um instante.

Depois voltou a me encarar.

— Talvez um dia isso mude.

Sorri de forma triste.

— Não espere por isso.

Ele deu um passo mais perto.

Ainda segurando minha mão.

— Talvez eu não queira mais do que isso.

Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta sem qualquer aviso.

Meu coração parou por um instante.

Henrique.

Os olhos violetas passaram por mim.

Depois desceram lentamente até a minha mão, que ainda segurava a de Adrian.

Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.

Daqueles que não tinham absolutamente nada de simpáticos.

— Estou atrapalhando alguma coisa?

Soltei a mão de Adrian imediatamente.

Franzi a testa.

— O que faz aqui? E desde quando entra na sala dos outros sem bater?

Henrique entrou como se fosse o dono do lugar.

Na verdade…

Era quase isso.

— Achei que não precisava bater.

Inclinou levemente a cabeça.

— Afinal, esta é a sala da minha futura esposa.

O sorriso debochado aumentou.

— Entre noivos não deveriam existir segredos.

Revirei os olhos.

— Continue sonhando.

Ele ignorou meu comentário.

Olhou para Adrian.

— Veio parabenizar sua futura cunhada, irmão?

O tom carregava uma ironia quase insuportável.

Adrian cruzou os braços.

— Está blefando, Henrique.

Você nunca assinaria esse contrato.

Henrique soltou uma risada baixa.

Depois ergueu a pasta que carregava.

— Amanhã Boston inteira vai descobrir que você é minha noiva.

Fez questão de olhar para mim antes de completar:

— Vamos anunciar oficialmente com uma coletiva de imprensa.

Meu estômago revirou.

— Amanhã?

Henrique apenas assentiu.

Adrian voltou-se para mim.

A preocupação em seu rosto era evidente.

— Aurora…

Ainda dá tempo de desistir.

Existe outra saída.

Respirei fundo.

Gostaria que existisse.

Mas não existia.

Baixei os olhos por um instante.

— Já está assinado.

O silêncio tomou conta da sala.

Henrique sorriu.

Um sorriso convencido.

— Eu disse.

Adrian permaneceu imóvel por alguns segundos.

Depois apenas assentiu.

Olhou para mim uma última vez.

— Se precisar de qualquer coisa…

Você sabe onde me encontrar.

Não esperei que ele terminasse.

Sorri de leve.

— Obrigada.

Ele saiu em silêncio.

Assim que a porta se fechou, Henrique caminhou lentamente até mim.

O ar pareceu ficar mais pesado.

Parou perto o suficiente para que eu sentisse o perfume amadeirado que sempre o acompanhava.

Os olhos dele continuavam presos aos meus.

— Só vim deixar uma coisa clara.

A voz saiu baixa.

Fria.

— Vou cumprir todas as cláusulas desse contrato.

Vou aparecer ao seu lado.

Vou honrar cada compromisso público.

Mas não espere mais do que isso.

Fez uma breve pausa.

— Porque eu jamais seria capaz de amar uma mulher que vendeu a própria dignidade por interesse.

As palavras atingiram em cheio.

Mesmo assim, sustentei seu olhar.

— Fique tranquilo, senhor Montes.

Sorri sem humor.

— Eu nunca conseguiria amar alguém como você, um homem arrogante, frio e cruel.

Inclinei levemente a cabeça.

— Entre nós existe apenas um contrato.

Henrique deu mais um passo.

Instintivamente, recuei.

Minhas costas encontraram a mesa atrás de mim.

Não havia para onde ir.

Ele parou perto o suficiente para que eu sentisse seu perfume.

Meu coração acelerou contra a minha vontade.

O silêncio entre nós parecia ensurdecedor.

Por um instante, meus olhos vacilaram.

Desceram involuntariamente até seus lábios.

Quando percebi o que estava fazendo, ergui o olhar imediatamente.

Henrique sorriu de lado.

Como se acreditasse ter vencido uma disputa que só existia na cabeça dele.

— Apenas um contrato…

Repetiu em tom provocativo.

Depois virou as costas.

E saiu da minha sala como se já fosse dono da minha vida.

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Comments (1)
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Ironi Araujo
meu celular deu pane e voltou do começo eu li até o 120
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