LOGINMilena O som do alarme de emergência do elevador ecoava como um trovão na minha cabeça, mas tudo o que eu conseguia ouvir de verdade era a respiração acelerada do Ulisses perto do meu ouvido. O ambiente fechado, iluminado apenas pela luz amarelada e fraca do painel, parecia pequeno demais para a quantidade de raiva, dor e paixão que queimava entre nós dois.Eu estava encurralada contra o espelho frio, encarando aqueles olhos azuis que agora pareciam duas chamas no escuro. A minha vontade era empurrar o peito dele com toda a força que eu tinha e sair correndo dali, mas o meu corpo simplesmente não obedecia aos meus comandos.— Me solta, Ulisses! — protestei com a voz falhando, tentando manter a cabeça erguida. — Me deixa sair daqui agora mesmo!Em vez de se afastar, Ulisses deu mais um passo à frente, colando o seu corpo contra o meu, e apoiando as duas mãos no vidro espelhado, logo atrás de mim. A proximidade dele me sufocava e me deixava completamente sem reação.— Eu não vou te so
Milena O gosto amargo de sangue na minha boca era a prova da brutalidade do soco que eu tinha acabado de levar. A minha bochecha esquerda queimava como se estivesse em carne viva, e uma dor pulsante e insuportável dava marteladas pesadas no meu crânio. Quando eu gritei o nome da minha tia Marcela para o Ulisses no telefone, o chefe daqueles bandidos perdeu completamente o controle. Ele tomou o aparelho da minha mão com violência, me deu uma pancada terrível no rosto e me derrubou no chão de cimento frio.Eu não tive nem tempo de me recuperar do baque. Dois capangas me arrastaram pelas pernas pelo corredor sujo, ignorando os meus gemidos de dor e o pavor que eu sentia.— Garota idiota! Abriu a boca demais! — o homem da máscara rosnou enquanto destrancava uma porta de madeira velha e rangente. — Agora você vai ficar mofando aqui no escuro até o chefe decidir o que fazer com você!Eles me jogaram de qualquer jeito no chão duro de uma salinha escura e abafada. Ouvi o som seco do ferrolh
Milena O olhar do Ulisses mudou completamente no mesmo segundo em que as palavras saíram da minha boca. Aquele homem sério, controlado e dono de um império parecia ter virado um garoto impaciente e cheio de segundas intenções. Ele encostou as duas mãos na borda da mesa de jantar, me encarando com os olhos azuis pegando fogo e a respiração visivelmente alterada.— Graças ao que você acabou de falar, Milena, eu perdi cem por cento da minha fome — ele declarou com a voz rouca e baixa, inclinando o corpo para perto do meu. — Esquece essa sobremesa. Esquece este restaurante todo. Nós vamos voltar correndo para casa agora mesmo!Soltei uma risadinha nervosa, segurando a barra da toalha de mesa enquanto o meu coração dava cambalhotas no peito.— Ficou maluco, Ulisses?! — brinquei, balançando a cabeça devagar para conter o desespero gostoso que estava me dominando. — A gente nem terminou de comer direito! Eu ainda estou com fome de verdade, e você pagou uma fortuna por este jantar maravilho
Milena O jantar estava simplesmente maravilhoso. A comida era deliciosa, o vinho era o mais gostoso que eu já tinha provado na minha vida e a música dos violinos deixava tudo ainda mais mágico. Pela primeira vez em meses, eu me sentia em paz, feliz e completamente segura ao lado do homem dos meus sonhos. Nós conversávamos sobre coisas bobas do dia a dia, ríamos juntos e trocávamos olhares tão quentes que faziam a minha pele arder de desejo no meio daquele salão gigante.Eu olhava para o Ulisses e nem conseguia acreditar no quanto a minha vida tinha mudado. Aquele homem poderoso, que antes parecia tão frio e inalcançável, agora me olhava com uma doçura e uma paixão que me faziam flutuar de vez.De repente, assim que o garçom recolheu os pratos da sobremesa e nos deixou sozinhos novamente, Ulisses limpou a garganta devagar. O olhar dele ficou mais sério, brilhando com uma emoção profunda na luz das velas.— Mili... tem uma coisa muito importante que eu queria te dar esta noite — ele di
Milena O motorista particular abriu a porta traseira daquele carro preto gigantesco com uma luva branca nas mãos e fez um aceno respeitoso com a cabeça. Eu saí da limusine devagar, segurando a barra do meu vestido comprido com as mãos trêmulas para não pisar no tecido e levar um tombo vergonhoso no meio da calçada. O ar frio da noite bateu no meu rosto, mas o meu corpo queimava por dentro de pura ansiedade.Caminhei a passos incertos para dentro do hall de entrada daquele prédio espelhado e chiquérrimo. O teto era tão alto que dava para ouvir o eco dos meus próprios sapatos de salto alto batendo no chão de mármore brilhante. Um recepcionista de terno alinhado me guiou até um elevador privativo de vidro que subiu numa velocidade absurda.Quando as portas metálicas se abriram suavemente no vigésimo andar, o meu queixo quase caiu no chão.O restaurante era a coisa mais linda, luxuosa e exagerada que eu já tinha visto na minha vida inteira. Paredes inteiras de vidro mostravam as luzes da
Ulisses O meu escritório no topo do prédio da empresa estava num silêncio absoluto, quebrado apenas pelo som leve da minha respiração e pelo brilho da tela do computador. Era quase meio-dia e eu ainda não tinha conseguido focar cem por cento nos relatórios financeiros. A minha mente continuava presa naquela mansão, mais precisamente nos braços macios e no sorriso lindo da Milena.Um sinal sonoro do meu e-mail principal me tirou dos meus pensamentos. Cliquei na mensagem que tinha acabado de chegar do escritório de advocacia responsável pelo inventário da família da Milena.Ao ler as primeiras linhas, um sorriso involuntário e satisfeito nasceu nos meus lábios. O documento oficial confirmava que o juiz tinha assinado a liberação de todos os bens e da herança milionária que os pais da Milena tinham deixado para ela. Em exatamente uma semana, todo aquele dinheiro e as propriedades estariam integralmente no nome dela, sem nenhuma interferência daquela tia cobra ou de qualquer outro parent







