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Capítulo 2 Convenientes juntos

ผู้เขียน: Liz Nunes
last update วันที่เผยแพร่: 2026-05-25 03:42:23

A chuva caía fina e insistente sobre a marquise do Teatro Municipal da cidade de Richmond, espalhando as luzes de neon em manchas coloridas. Charlotte Sweeny estava ali, em frente à entrada imponente, esperando seu noivo, George.

Ele prometeu se redimir por ter esquecido o aniversário dela na semana passada com ingressos para um concerto da orquestra sinfônica hoje.

— Tem certeza?

— Claro, Charlotte! Me encontre na escadaria, vou levar os ingressos!

Ele disse no telefone mais cedo. Afirmou que seria uma noite só deles, um presente romântico.

Charlotte tentou acreditar, mas a cada dia ficava mais difícil não ver os sinais que indicavam o fim do relacionamento.

George Moud era o parceiro "dos sonhos": advogado bem-sucedido, acabado de ser promovido a sócio do escritório onde trabalha. Alto, de cabelos dourados e olhos verdes. Seu sorriso energético sempre iluminara os dias de Charlotte, mas, ultimamente, ele quase não sorria para ela. Sempre discutindo, sem conversas; nada que lembrasse um casal prestes a subir ao altar.

O casamento seria dali a três meses, com sorte, mas estava difícil organizar qualquer coisa, já que nunca tinham tempo juntos.

No momento, tudo o que importava para George era sua promoção. "Preciso ir para agradar o dono", "Não posso te levar, preciso me concentrar em agradar o cliente", "O evento é só para advogados"... era sempre uma desculpa que a deixava de fora.

Naquele instante, ela se sentia ridiculamente tola por ter se arrumado; a sensação rotineira de que, mais uma vez, ele não viria. Para matar o tempo, pegou o celular. Foi um erro.

— Mas... o que é isso?!

No feed de uma rede social, viu uma publicação de Gabriela Novaes. Ela de novo. A foto estava escura, mas o cenário era inconfundível. Charlotte conhecia muito bem.

Era o interior suntuoso do restaurante novo mais comentado do momento. A foto mostrava duas taças de champanhe e, na lateral, o braço de um homem. O rosto dele estava fora do enquadramento, mas o coração dela gelou ao focar no detalhe mais brilhante. Charlotte reconheceu, no punho da camisa branca, a abotoadura.

Era a abotoadura de prata, gravada com a letra "G", que ela havia dado a George no Natal passado, gastando o salário de um mês na peça. Brilhava sob as luzes do restaurante, inconfundível.

— Ha! Cretino...

O nó em seu estômago apertou. Ela estava do lado de fora, ficando encharcada sob a garoa fria, esperando por um homem que estava lá dentro, desfrutando de uma noite romântica com outra.

Gabriela Novaes, a filha do dono do escritório. Advogada júnior, vinha trabalhando sob a orientação de George, sua estagiária. Era o ponto de conflito dos dois nos últimos seis meses. Charlotte vinha percebendo uma crescente intimidade entre eles, muito além de mestre e pupila, mas George ficava irritado e surtava sempre, acusando a noiva de ciúme e paranoia.

Agora Charlotte via com os próprios olhos.

Ele esqueceu? O convite para o concerto não era um presente para ela? A humilhação era física. Sentia-se a pessoa mais estúpida do mundo por ter tido um fiapo de esperança.

— O que você estava realmente esperando, Charlotte?

Decidiu ir embora, mas a chuva havia transformado a calçada em um caos. Nenhum táxi ou carro de aplicativo parecia disponível. Ainda levaria um tempo até o concerto acabar; precisava sair agora, ou depois seria impossível.

Ficou ali tentando chamar um taxi, cada minuto deixando-a mais molhada e furiosa. Seu vestido, seu cabelo... tudo estava arruinado. Como seu noivado.

Demorou, mas conseguiu um carro. Pensou em ir para a casa de sua amiga, Clara Sinclair, mas o instinto disse para ir para casa. Ainda no caminho, seu celular tocou. Era George. Atendeu com a indiferença que parecia ter se tornado um hábito.

— Charlotte? Por que você ainda não chegou em casa? Eu liguei e ninguém atendeu. Onde você está?

A voz dele era impaciente, como sempre.

— Estava no teatro, George — respondeu, sem emoção.

Houve uma pausa longa e tensa.

— Teatro? O que... Eu sinto muito, querida. Eu tive... um atraso horrível — ele gaguejou. A mentira veio rápido demais. Ele havia se esquecido completamente do encontro.

— Meu Deus, eu sou um idiota. Eu... eu não pude ir. Por favor, me desculpe. Estou voltando para casa agora. Me espere, eu juro que vou te buscar.

O alívio na voz dele, acreditando ter tempo de consertar a situação, era palpável. Ele esperava que ela caísse na conversa dele de novo.

— Tudo bem, George. Já consegui um carro, estou a caminho da casa da Clara — disse ela, aceitando a mentira com uma calma assustadora.

— Bem... tem certeza? Posso ir agora mesmo...

Charlotte sabia que ele estava mentindo. Ele não viria.

— Tenho. Melhor você descansar também. Preciso resolver umas coisas com ela. Até amanhã.

Minutos depois, enquanto o carro estacionava na frente do apartamento de Charlotte, uma notificação saltou na tela do celular, era uma atualização de status de Gabriela. Uma nova foto. O mesmo braço, a mesma abotoadura. Mas agora, a imagem mostrava uma caneca fumegante muito familiar, com a legenda: "Meu acompanhante é um cavalheiro, fazendo-me um chá para que eu não fique doente nesta noite fria. Que gentileza!"

O homem estava de costas, mas a familiaridade daquela postura e o cuidado que ele dispensava a ela foram um novo golpe. Depois de anos ao lado de George, sendo ignorada e deixada para trás, só hoje Charlotte percebeu o porquê. Ele não a amava de verdade.

Eles eram apenas convenientes juntos. Estava sendo estupidamente enganada diante de seus próprios olhos.

Ela destrancou a porta. Seus pés doíam e o zumbido familiar do cansaço se instalava. Deixou as chaves e a bolsa sobre o aparador com um baque surdo, e foi então que o silêncio da casa foi quebrado.

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