เข้าสู่ระบบA chuva caía fina e insistente sobre a marquise do Teatro Municipal da cidade de Richmond, espalhando as luzes de neon em manchas coloridas. Charlotte Sweeny estava ali, em frente à entrada imponente, esperando seu noivo, George.
Ele prometeu se redimir por ter esquecido o aniversário dela na semana passada com ingressos para um concerto da orquestra sinfônica hoje. — Tem certeza? — Claro, Charlotte! Me encontre na escadaria, vou levar os ingressos! Ele disse no telefone mais cedo. Afirmou que seria uma noite só deles, um presente romântico. Charlotte tentou acreditar, mas a cada dia ficava mais difícil não ver os sinais que indicavam o fim do relacionamento. George Moud era o parceiro "dos sonhos": advogado bem-sucedido, acabado de ser promovido a sócio do escritório onde trabalha. Alto, de cabelos dourados e olhos verdes. Seu sorriso energético sempre iluminara os dias de Charlotte, mas, ultimamente, ele quase não sorria para ela. Sempre discutindo, sem conversas; nada que lembrasse um casal prestes a subir ao altar. O casamento seria dali a três meses, com sorte, mas estava difícil organizar qualquer coisa, já que nunca tinham tempo juntos. No momento, tudo o que importava para George era sua promoção. "Preciso ir para agradar o dono", "Não posso te levar, preciso me concentrar em agradar o cliente", "O evento é só para advogados"... era sempre uma desculpa que a deixava de fora. Naquele instante, ela se sentia ridiculamente tola por ter se arrumado; a sensação rotineira de que, mais uma vez, ele não viria. Para matar o tempo, pegou o celular. Foi um erro. — Mas... o que é isso?! No feed de uma rede social, viu uma publicação de Gabriela Novaes. Ela de novo. A foto estava escura, mas o cenário era inconfundível. Charlotte conhecia muito bem. Era o interior suntuoso do restaurante novo mais comentado do momento. A foto mostrava duas taças de champanhe e, na lateral, o braço de um homem. O rosto dele estava fora do enquadramento, mas o coração dela gelou ao focar no detalhe mais brilhante. Charlotte reconheceu, no punho da camisa branca, a abotoadura. Era a abotoadura de prata, gravada com a letra "G", que ela havia dado a George no Natal passado, gastando o salário de um mês na peça. Brilhava sob as luzes do restaurante, inconfundível. — Ha! Cretino... O nó em seu estômago apertou. Ela estava do lado de fora, ficando encharcada sob a garoa fria, esperando por um homem que estava lá dentro, desfrutando de uma noite romântica com outra. Gabriela Novaes, a filha do dono do escritório. Advogada júnior, vinha trabalhando sob a orientação de George, sua estagiária. Era o ponto de conflito dos dois nos últimos seis meses. Charlotte vinha percebendo uma crescente intimidade entre eles, muito além de mestre e pupila, mas George ficava irritado e surtava sempre, acusando a noiva de ciúme e paranoia. Agora Charlotte via com os próprios olhos. Ele esqueceu? O convite para o concerto não era um presente para ela? A humilhação era física. Sentia-se a pessoa mais estúpida do mundo por ter tido um fiapo de esperança. — O que você estava realmente esperando, Charlotte? Decidiu ir embora, mas a chuva havia transformado a calçada em um caos. Nenhum táxi ou carro de aplicativo parecia disponível. Ainda levaria um tempo até o concerto acabar; precisava sair agora, ou depois seria impossível. Ficou ali tentando chamar um taxi, cada minuto deixando-a mais molhada e furiosa. Seu vestido, seu cabelo... tudo estava arruinado. Como seu noivado. Demorou, mas conseguiu um carro. Pensou em ir para a casa de sua amiga, Clara Sinclair, mas o instinto disse para ir para casa. Ainda no caminho, seu celular tocou. Era George. Atendeu com a indiferença que parecia ter se tornado um hábito. — Charlotte? Por que você ainda não chegou em casa? Eu liguei e ninguém atendeu. Onde você está? A voz dele era impaciente, como sempre. — Estava no teatro, George — respondeu, sem emoção. Houve uma pausa longa e tensa. — Teatro? O que... Eu sinto muito, querida. Eu tive... um atraso horrível — ele gaguejou. A mentira veio rápido demais. Ele havia se esquecido completamente do encontro. — Meu Deus, eu sou um idiota. Eu... eu não pude ir. Por favor, me desculpe. Estou voltando para casa agora. Me espere, eu juro que vou te buscar. O alívio na voz dele, acreditando ter tempo de consertar a situação, era palpável. Ele esperava que ela caísse na conversa dele de novo. — Tudo bem, George. Já consegui um carro, estou a caminho da casa da Clara — disse ela, aceitando a mentira com uma calma assustadora. — Bem... tem certeza? Posso ir agora mesmo... Charlotte sabia que ele estava mentindo. Ele não viria. — Tenho. Melhor você descansar também. Preciso resolver umas coisas com ela. Até amanhã. Minutos depois, enquanto o carro estacionava na frente do apartamento de Charlotte, uma notificação saltou na tela do celular, era uma atualização de status de Gabriela. Uma nova foto. O mesmo braço, a mesma abotoadura. Mas agora, a imagem mostrava uma caneca fumegante muito familiar, com a legenda: "Meu acompanhante é um cavalheiro, fazendo-me um chá para que eu não fique doente nesta noite fria. Que gentileza!" O homem estava de costas, mas a familiaridade daquela postura e o cuidado que ele dispensava a ela foram um novo golpe. Depois de anos ao lado de George, sendo ignorada e deixada para trás, só hoje Charlotte percebeu o porquê. Ele não a amava de verdade. Eles eram apenas convenientes juntos. Estava sendo estupidamente enganada diante de seus próprios olhos. Ela destrancou a porta. Seus pés doíam e o zumbido familiar do cansaço se instalava. Deixou as chaves e a bolsa sobre o aparador com um baque surdo, e foi então que o silêncio da casa foi quebrado.A sala de jantar da casa de Tia Beatriz cheirava a um delicioso banquete, mas os dois pratos permaneciam intocados, uma prova gritante do atraso considerável do casal. — Quarenta e cinco minutos — ela declarou, cruzando os braços com uma autoridade impecável enquanto encarava os dois descendo do carro. — Quarenta e cinco minutos de atraso para o jantar da sua própria tia, Logan! Charlotte mantinha a cabeça baixa, os olhos fixos na renda do vestido, interpretando o papel perfeito de uma criança arrependida apanhada em flagrante,bem diferente de Logan. — Me desculpe, Tia Bea! — disse Logan. — Ora, seu moleque... Sentados à mesa, o sermão continuou. Charlotte sentia as bochechas queimarem de vergonha. No entanto, não era apenas constrangimento pelo sermão divertido da tia, era cômico ver como ela tratava o grande CEO Mackenzie, mas pelo fato de que o cabelo de Logan ainda estava ligeiramente úmido e a sua pele ainda guardava a memória quente daquele chuveiro. — Sinto muito, tia..
As semanas se passaram rapidamente no Vale dos Cedros, com a rotina da pousada finalmente se ajustando, já não prexisava da presença física de Charlotte todos os dias e a vida do casal encontrando um ritmo doce e constante. Charlotte estava no quarto da mansão, ao telefone com Clara. Do outro lado da linha, a voz da amiga vinha como uma rajada desgovernada de pavor, indiganação e uma excitação mal disfarçada.— Calma, Clara! — Charlotte pediu, soltando uma risada gostosa enquanto dobrava uma blusa de lã e a acomodava na mala aberta sobre a cama. — Eu sei... mas como foi que isso aconteceu?!Ela continuou fazendo suas malas, achando um fascínio absoluto o pânico e a aflição da amiga com aquela reviravolta bizarra.- Não... não sabe? você não é uma criança...Charlotte tentava entender a história de Clara aou mesmo tempo que tinha uma ideia de como o enredo se desenrolou. Ela poderia ser sua próxima protagonista. — É claro que não é nada demais, Clara! Acalme-se, vai ficar tudo bem. V
Charlotte deu um passo para trás, alisando o vestido com um movimento gracioso. Ela deu a ele um sorriso felino, recheado de triunfo. — Vamos conversar sobre as suas "compras impulsivas" depois, Sr. Mackenzie. Nós temos convidados esperando lá fora agora. Sem dar a chance de responder, Charlotte deu meia-volta e desceu os degraus de pedra com passos leves e decididos, caminhando vitoriosa de volta ao jardim ensolarado. Logan permaneceu parado no meio da escadaria por alguns instantes, levou os dedos ao lábio onde ainda sentia a fisgada do dente dela. - Sim, Sra. Mackenzie! Um sorriso amplo e genuíno se espalhou por seu rosto. Por ver essa Charlotte reativa, audaciosa e que sabia se defender, que nunca se deixava dobrar facilmente, o desafio da infância que tocou o seu coração de um jeito que nenhuma outra conseguiu. O almoço seguiu seu curso em um clima de total harmonia e celebração. Os últimos convidados conversavam descontraidamente, desfrutando da brisa suave da montanh
Uma ligação salvadora tocou no bolso de Michele. A editora pediu licença rapidamente, olhando para Logan com o mesmo respeito quase devocional, e se afastou apressada em direção ao jardim para atender o telefone. No segundo em que ficaram sozinhos, Charlotte virou-se para Logan, os olhos semicerrados em duas fendas perigosas. Ela deu um gole no champanhe apenas para não surtar ali mesmo, tentando disfarçar para os convidados que passavam, mas o fogo na sua voz era inconfundível. — Dono? — ela sussurrou, a voz carregada de um sarcasmo mortal. — Humm... - Dono! — Charlie... — Logan começou, ajeitando a postura e mantendo a taça na mão, prevendo a tempestade. — Dono?! — ela repetiu, subindo o tom em uma oitava antes de se controlar. — Não acredito nisso! Eu dividindo com você... Sem dar margem para qualquer explicação, Charlotte deu meia-volta, ajeitou o vestido de linho e começou a marchar a passos largos e decididos pelo gramado, indo direto em direção à entrada da torre do
— Olá, Logan! É um prazer rever você — o homem disse, caminhando até eles com passos calmos e confiantes, estendendo a mão para um aperto firme.— Gabriel — Logan respondeu com um sorriso de canto, retribuindo o aperto de mão com extrema cordialidade. — Não sabia que estava no Vale dos Cedros. Seja bem-vindo à nossa inauguração. Escondida atrás de Charlotte, Clara travou por um segundo. A indignação superou o pânico na mesma hora. Desgrudando-se das costas da amiga com um sobrolho erguido, ela deu um passo para o lado e encarou os dois homens, alternando o olhar chocada.— Pera aí... Vocês dois se conhecem?! — ela exclamou, totalmente indignada com a traição do universo.- É claro que se conhecem...Gabriel Vance soltou uma risada baixa e aveludada, ignorando o drama de Clara por um instante. Ele se virou para Charlotte e fez uma leve mesura, extremamente cortês.— Você deve ser a esposa do Logan, Charlotte. É um prazer revê-la. Meus parabéns pela pousada, está impecável.— Muito o
O sol de domingo nasceu radiante no Vale dos Cedros, banhando o jardim do palacete com uma luz dourada e acolhedora. O ar fresco da montanha trazia o aroma de flores recém-desabrochadas e do banquete que começava a ser servido ao ar livre, dando início oficial ao almoço de inauguração da Pousada. Mesas de madeira nobre estavam espalhadas pelo gramado verdejante, decoradas com arranjos delicados de lavanda e louças artesanais. O evento reunia não apenas os primeiros hóspedes encantados com a tranquilidade do lugar, mas também os funcionários que trabalharam incansavelmente na restauração e os moradores mais antigos da cidade. Charlotte circulava entre as mesas com um vestido leve de linho claro, com as bochechas coradas e um sorriso radiante no rosto. Ao seu lado, Logan caminhava com a mão pousada discretamente na curva de suas costas, exibindo aquele olhar orgulhoso e atento de quem sabia que cada detalhe daquele dia tinha o toque de sua esposa. - Olá, obrigada por vir! No centro







