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Capítulo 8

Author: Author Marr
last update publish date: 2026-10-28 15:29:21

O carro parou diante de um portão de ferro negro de quatro metros de altura. Através da janela fumê, vi uma mansão de estilo neoclássico com quatro pilares de mármore na entrada. O jardim em frente à casa estava perfeitamente cuidado, mas parecia frio. Não havia flores coloridas. Apenas arbustos verdes aparados simetricamente e estátuas de mármore de homens nus que me observavam com o olhar vazio.

— Já chegamos, senhor — disse o motorista com um acentuado sotaque italiano.

Luca desceu primeiro.
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    Na manhã seguinte.O relógio marcava meio-dia quando umas batidas na porta me acordaram.— Senhora, já é hora de se levantar.Duas mulheres entraram no quarto. A primeira era Elena, a governanta. Atrás dela vinha uma mulher jovem de cabelo louro curto e olhos verdes, provavelmente da minha idade.— Bom dia, senhora. Ela é Aria, sua assistente pessoal. Eu ajudarei a senhora a se banhar e se vestir.Me banhar?— O que quer dizer?— O senhor Luca quer que a senhora esteja pronta em uma hora para o café da manhã.— Posso me banhar sozinha — disse eu.Elena sorriu de leve.— Sinto muito, senhora. São ordens do senhor Luca.— Luca não precisa decidir como eu me banho.Elena soltou um suspiro. Trocou um olhar com Aria e ambas deram um passo à frente.— Não queremos incomodá-la, senhora, mas precisamos cumprir nosso trabalho.A mão de Aria alcançou a barra da minha camisola, uma camisola negra de cetim que eu não sabia em que momento havia aparecido no armário. Afastei a mão dela com um golpe

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    O carro parou diante de um portão de ferro negro de quatro metros de altura. Através da janela fumê, vi uma mansão de estilo neoclássico com quatro pilares de mármore na entrada. O jardim em frente à casa estava perfeitamente cuidado, mas parecia frio. Não havia flores coloridas. Apenas arbustos verdes aparados simetricamente e estátuas de mármore de homens nus que me observavam com o olhar vazio.— Já chegamos, senhor — disse o motorista com um acentuado sotaque italiano.Luca desceu primeiro. Ouvi a porta se fechar e, alguns segundos depois, a porta do meu lado se abriu. Ele estava ali, com a mão estendida para me ajudar a descer.Não peguei a mão dele. Desci sozinha, e meus saltos bateram no cascalho com um som talvez alto demais.Os criados já estavam alinhados diante da porta principal. Quatro mulheres com uniformes cinza e dois homens com ternos impecáveis. Todos inclinaram a cabeça ao mesmo tempo quando entrei.— Bem-vinda à Mansão Vitale, senhora — disse uma mulher de meia-ida

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    São 7:45.Estou de pé em frente à porta da igreja de San Miguel com a barra do meu vestido branco molhada pelas poças da chuva da noite passada. O céu sobre a minha cabeça é de um azul brilhante, sem uma única nuvem.Cinquenta pessoas estão sentadas lá dentro. Talvez mais. Rostos que não conheço. A família de Luca da Itália? Ou os amigos do meu pai convidados para presenciar a minha maior humilhação?Meu pai está de pé junto ao altar, esperando por mim.A mão da minha madrasta empurra as minhas costas.— Vá — sussurra ela.Dou um passo.Um passo.Dois passos.Cada passo parece caminhar sobre pedaços de vidro. No final do corredor da igreja, diante do altar, está um homem de olhos azuis, vestido com um terno preto e um leve sorriso nos lábios.Luca Vitale.O sacerdote idoso, com sua túnica branca, começa a recitar palavras em espanhol que não consigo ouvir. Meus olhos não conseguem se desviar daqueles olhos azuis. Ele me olha, me devora, gravando cada centímetro do meu rosto como se eu

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    —Você está louco.Foi a única coisa que consegui dizer.Luca continuava sorrindo, nem um pouco afetado pela minha reação. Sua mão ainda segurava a minha e seu polegar continuava acariciando o dorso da minha mão com um movimento que me impedia de pensar com clareza.—Nos conhecemos há apenas alguns dias! —disse.—E nesses poucos dias você salvou meu pai, chutou meu rosto e me deixou sem dormir pensando em você. —Ele se inclinou um pouco mais para mim—. Acho que é suficiente.Retirei minha mão da dele e dei um passo para trás.—Não acredito em você. Vou descobrir por mim mesma o que está acontecendo realmente.Caminhei em direção à porta. Luca não tentou me impedir. Podia sentir seus olhos azuis cravados nas minhas costas enquanto eu saía do quarto.Avancei em silêncio, colada à parede, até o escritório do meu pai no final do corredor.A porta estava entreaberta.Entrei.Sobre a escrivaninha havia documentos desordenados, canetas e uma xícara de café já frio. Mas o que chamou minha aten

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