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Capítulo 3

Autor: Justa
O pátio caiu num silêncio absoluto. Todos me encaravam, incrédulos.

Brincadeira, né?

E ainda ousam me provocar logo no meu casamento.

Na vida passada, aqueles dois tinham ido felizes comemorar o aniversário, e quando Marcos voltou, nem se deu ao trabalho de explicar para Leticia.

Por causa disso, os dois passaram a vida inteira em uma guerra fria. Eu não sou a Leticia, ela aguentava, eu não.

Não era para ir comemorar aniversário?

Se ele ousasse ir, eu ousava partir pra briga com ele e depois sair da Ilha da Ferrugem sem olhar para trás.

Acha mesmo que eu estava desesperada pra casar?

Se não fosse pelos mais velhos insistirem em cumprir a promessa, minha vida estaria muito mais tranquila.

— Marcos, você se machucou?

— Helena, como você pôde fazer isso? O Marcos é um homem feito, e você simplesmente...

O rosto de Camila estava vermelho de raiva, e o olhar que lançava a Marcos era cheio de preocupação.

Já Marcos se levantou rapidamente, endireitou o corpo e me analisou com profundidade.

Em seguida, levou o punho à boca e tossiu duas vezes:

— Estou bem.

Então, como se nada tivesse acontecido, veio segurar minha mão:

— Amanhã você vai comigo.

Ao ouvir isso, olhei para Marcos com surpresa.

Já Camila ficou completamente incrédula:

— Marcos, como você pode fazer isso?

— Eu nunca mais vou falar com você!

Depois de dizer isso, ela cobriu o rosto e saiu correndo, chorando.

Nesse momento, uma voz soou ao meu ouvido:

— Vamos terminar a cerimônia primeiro. Depois eu te explico.

Sem a pessoa incômoda, e como eu também não estava muito no clima, os convidados não ousaram causar confusão.

Assim, o restante do casamento aconteceu de forma rápida.

Pouco depois, já sentada no quarto nupcial, bati de leve na cama.

O que o Marcos quis dizer com aquilo? Aquilo agora foi charme?

Não pense que isso funciona comigo!

Com um clique, a porta se abriu.

Ao ver Marcos entrando, fechei o rosto imediatamente:

— Vou te dizer uma coisa: eu odeio homem indeciso. Se você pretende hoje ter uma irmã, amanhã uma primeira paixão, então é melhor a gente se separar logo. Não me faça perder tempo quando eu ainda posso voltar pra casa e me casar com outro.

Ao ouvir isso, Marcos franziu a testa:

— Você foi escolhida pelo meu avô. Se eu me casei com você, vou assumir responsabilidade por você.

Quando ouvi isso, cuspi de desprezo:

— Em que época a gente está? Se dá pra viver junto, vive; se não dá, separa. Além do mais, quando eles marcaram esse casamento, ninguém disse que, depois de casar, eu seria sua pra vida inteira.

— Você... — Marcos parecia tão irritado que começou a andar de um lado para o outro no quarto.

Depois, suspirou e se sentou na beira da cama, tentando segurar minha mão:

— Helena, eu e a Camila não tivemos nada no passado, nem teremos no futuro. Eu quero, de verdade, viver bem com você.

Dizendo isso, ignorou minha resistência e segurou minha mão com força:

— Eu não sou bom com palavras. Se tiver algo que te desagrade, pode falar direto. O que eu puder mudar, eu mudo.

Sob a luz do quarto nupcial, Marcos parecia extremamente sério.

Ao ver ele assim, senti o rosto esquentar sem motivo.

Assenti com a cabeça e disse, fingindo indiferença:

— Tudo bem. Meu temperamento também não é dos melhores. Se você aguenta, então pronto.

Ao ver o sorriso que passou pelos olhos de Marcos, senti uma irritação inexplicável.

Me aproximei de repente, abracei o pescoço dele e dei um beijo nele.

Logo, a respiração dos dois ficou cada vez mais pesada.

Marcos realmente era forte.

Em pouco tempo, ele virou o jogo, pousou a mão sobre os botões da minha roupa e me encarou, dizendo com a voz rouca:

— Posso? Amor.

Com vergonha e irritação, belisquei ele.

A essa altura, o que havia pra perguntar?

Vendo meu rosto vermelho, Marcos riu baixo e enterrou o rosto no meu pescoço:

— A culpa foi minha...

Sentindo o calor em meu pescoço, fechei os olhos devagar.

— Marcos, algo deu errado! A Camila deixou uma carta e desapareceu!

Batidas soaram à porta.

O corpo de Marcos enrijeceu de imediato, e ele se afastou rapidamente.

— Helena, você dorme primeiro. Eu vou sair um pouco.

Ao ouvir isso, encarei Marcos com raiva:

— O exército está cheio de gente. Precisa mesmo ser você a ir procurar? Você sabe que hoje é a nossa noite de núpcias!
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