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Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer

Quando a Névoa Cede, Nasce o Amanhecer

Por:  PêraCompleto
Idioma: Portuguese
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Susana Costa amou Nathan Ribeiro em silêncio por cinco longos anos. Por ele, escolheu permanecer em uma cidade que ficava a milhares de quilômetros de sua terra natal, longe de tudo o que conhecia. Quando a noiva de Nathan fugiu, abandonando-o no cerimônia do noivado, foi Susana quem, sem hesitar, deu um passo à frente e aceitou o anel, consciente de que aquele gesto selava um destino doloroso, o de que Nathan jamais a amaria. No dia do casamento, bastou Bianca Santos sussurrar que estava com "dores no coração" para que Nathan abandonasse sua esposa recém-casada, virando as costas e correndo desesperado para os braços de outra mulher. Todos riam de Susana. Riam e diziam que ela era como uma trepadeira parasita, incapaz de sobreviver sem a árvore robusta que era Nathan; zombavam de sua humildade excessiva e de sua insistência cega. Até mesmo Susana, por muito tempo, acreditou nessa mentira. No entanto, qualquer amor, por mais profundo que seja, tem um limite. Ser ignorada, negligenciada e colocada repetidamente em segundo plano drena a alma, gota a gota, até secar. E quando Nathan finalmente decidiu olhar para trás, a garota que um dia usou todo o seu amor para permanecer ao seu lado já havia partido, dissolvendo-se no vento, para nunca mais voltar.

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Capítulo 1

Capítulo 1

— Mãe, não vai mais ter casamento.

O vento noturno soprava impiedosamente através do rasgo no tecido fino do vestido de noiva, enquanto Susana caminhava descalça pela rua deserta, a barra da saia arrastando na poeira e no asfalto frio. Do outro lado da linha, houve um instante de silêncio absoluto, logo quebrado por uma voz trêmula, carregada de incredulidade e dor.

— Como assim, minha filha? — A mãe perguntou, e Susana podia imaginar as lágrimas escorrendo pelo rosto dela. — Você amou o Nathan escondido por cinco anos, não nos ouviu quando imploramos para você voltar... Mudou-se sozinha para essa cidade tão longe de casa só para ficar perto dele. O Nathan te fez algum mal? Ele te humilhou?

A garganta de Susana se fechou, um nó apertado que impedia a respiração, e as lágrimas, que ela tentava conter, transbordaram sem controle.

Ela estava errada. Errada por ter sido tão teimosa, por ter ignorado os conselhos dos pais e, pior, por ter desperdiçado sua juventude com um homem que, em pleno dia do casamento, foi capaz de abandoná-la por seu antigo amor. A única sorte em meio ao desastre era que a cerimônia não havia sido concluída; a certidão de casamento continuava em branco, sem as assinaturas que selariam sua sentença.

— Mãe, não se preocupe. — Disse Susana, respirando fundo o ar gelado para tentar estabilizar a voz. — Vou apenas resolver as pendências aqui e, na semana que vem, volto para casa. Definitivamente.

Já passava da meia-noite quando ela finalmente retornou ao apartamento que dividia com Nathan. O silêncio da casa parecia zombar dela enquanto retirava as malas do armário e começava a empacotar sua vida.

Nathan só apareceu na manhã seguinte.

Ele entrou com a calma habitual, trazendo sacolas de um restaurante cinco estrelas, e começou a dispor o café da manhã na mesa, alheio à tensão no ar.

— Você tem gastrite, não pode ficar sem comer de manhã. — Disse ele, com aquele tom de preocupação automática.

Sentada no sofá, Susana apenas o observou em silêncio. Antes do casamento, a ansiedade lhe causava dores de estômago terríveis. O médico havia trocado sua medicação e a instruído explicitamente a evitar refeições pesadas pela manhã, algo que ela contara a Nathan várias vezes. Ele sempre respondia com um "tudo bem" distraído, mas, como sempre, nunca absorvia a informação.

Era aquela a essência de Nathan, uma gentileza de fachada. A delicadeza dele parecia estar atrás de uma redoma de vidro, uma delicadeza que era visível, admirável, mas intocável e fria. Ele nunca se importava de verdade. Prova disso era que, naquele momento, ele sequer notou as malas de viagem espalhadas pela sala e as caixas de papelão empilhadas, prontas para serem lacradas.

— Sei que você está chateada porque saí do casamento ontem. — Começou Nathan, aproximando-se com uma postura relaxada, como se estivesse discutindo um simples atraso para o jantar. — Mas a Bianca ficou doente de repente, voltou sozinha do exterior... Eu não podia deixá-la desamparada. Vamos escolher outra data, faremos uma festa ainda mais luxuosa para compensar.

Antes que pudesse pegar o telefone para ligar para o cerimonialista, o aparelho vibrou em sua mão. Ao atender, o som de um choro baixo e abafado vazou pelo alto-falante.

— Nathan, onde você está? — A voz de Bianca soava frágil, manhosa, calculada para despertar instinto protetor. — Estou sozinha aqui no hospital, com tanto medo... A dor voltou muito forte. Você não pode vir ficar comigo?

A postura de Nathan mudou instantaneamente; suas costas ficaram rígidas, os músculos tensos de preocupação.

— O que o médico disse? Sente mais alguma coisa além da dor? — Perguntou ele, a voz urgente.

Houve um breve silêncio do outro lado, seguido por uma risada fraca e charmosa.

— Que bobo, não é nada grave... É só que eu queria você aqui. Sem você, sinto um vazio tão grande.

Nathan olhou para Susana por alguns segundos, as sobrancelhas franzidas em um conflito interno que durou pouco. A decisão já estava tomada.

— Já estou indo. — Respondeu ele, num tom tão doce que parecia capaz de derreter pedras.

Ao encerrar a chamada, ele se virou para Susana, a expressão voltando a ser impessoal, quase executiva.

— Coma primeiro. A Bianca precisa de mim.

Sem esperar resposta, ele girou no calcanhar e saiu, suas passadas largas ecoando pela casa até a porta bater. Susana permaneceu imóvel, sem piscar, sem reagir. A tempestade emocional que deveria ter devastado seu peito já havia se dissipado, substituída por uma dormência acolhedora. Afinal, que Nathan sempre amou Bianca era a verdade que sempre esteve lá.

Susana se lembrou da primeira vez que o viu, na cerimônia de calouros da universidade. Nathan, como representante dos alunos, discursou sem nenhum papel nas mãos, alternando entre vários idiomas com uma fluidez impressionante. Sua aura de elegância distante e a voz grave capturaram a atenção de todos no auditório. Sentada na multidão, Susana sentiu o coração falhar uma batida ao olhar para aquela figura brilhante no palco.

Mas não demorou para que a universidade inteira soubesse de que Nathan amava Bianca, e a amava com uma intensidade beirando a loucura.

Houve uma noite em que ele usou três mil drones no campo de atletismo para se declarar, desenhando um céu estrelado artificial e o nome dela na escuridão. Susana, que ironicamente dividia o dormitório com Bianca, foi a encarregada de levar as flores e o bolo, servindo de coadjuvante na própria história de amor que desejava viver. Quando Bianca comentou, despretensiosamente, que gostaria de passar o aniversário no sul da França, Nathan providenciou um jato particular e a levou pessoalmente.

Os fóruns da faculdade explodiram com fofocas, e foi juntando os pedaços dessas conversas que Susana montou o quebra-cabeça de que as famílias Ribeiro e Santos eram amigas há gerações. O casamento entre Nathan e Bianca fora arranjado quando ambos ainda eram bebês. Aos olhos do mundo, eram o par perfeito, destinados um ao outro.

O problema era que Bianca não tinha o menor interesse naquele destino traçado.

— Acabei de entrar na faculdade, mal comecei a viver e já querem me prender a um noivado? — Reclamou Bianca várias vezes, deitada na cama do dormitório enquanto Susana estudava.

Ela chegou a tentar, em tom de brincadeira cruel, empurrar Susana para Nathan, sugerindo que os dois formariam um casal, algo que Nathan rejeitou com uma frieza cortante na época.

Quando a formatura se aproximou e as famílias começaram a organizar a festa de noivado, o impensável aconteceu. No dia da cerimônia, Bianca fugiu. Pegou um voo para o exterior sem avisar ninguém, cortou contatos e deixou os convidados e a imprensa atônitos diante de um salão vazio.

Aquela foi a primeira vez que Susana viu Nathan verdadeiramente furioso. Ele a procurou logo depois, o rosto uma máscara de calma forçada, escondendo a tempestade.

— A Bianca não queria que ficássemos juntos? — Disse ele, olhando nos olhos de Susana sem qualquer traço de afeto. — Então vamos ficar juntos.

Ele fez uma pausa, respirou fundo e completou com uma racionalidade que feriu mais do que um grito:

— Não tenho sentimentos românticos por você, Susana. Mas prometo ser um marido respeitoso, maduro e responsável. Não vou fugir como ela fez.

Susana ficou paralisada por um longo tempo, processando a proposta seca, mas acabou assentindo. Foi assim que ela permaneceu naquela cidade estranha, criando raízes em um solo infértil, alimentando a esperança vã de que sua presença constante poderia, um dia, aquecer o coração dele. O casamento foi marcado às pressas, tão rápido que seus pais sequer tiveram tempo de viajar para a cerimônia.

Ela acreditou naquilo. Acreditou até o momento em que Bianca retornou, decidida a destruir o casamento deles por puro capricho. E Nathan? Em vez de sentir raiva, ele a acolheu, mimando-a e atendendo a cada desejo, incapaz de dizer "não".

Ali, sozinha na sala com o café da manhã esfriando sobre a mesa, Susana finalmente compreendeu. Não amar é simples assim, não amar. Um coração frio não se aquece com esforço alheio. Era hora de soltar a corda.

Com movimentos lentos, ela pegou o celular e digitou uma mensagem breve para Nathan: [Não precisa se preocupar com a nova data. O casamento acabou.]
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