Se connecter[pv : THOMAS KLAUSEN]
O início com a Arya não teve nada a ver com o drama que os jornais vendem hoje em dia. Quando nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, eu tinha vinte e um anos e a banda estava explodindo em uma escala que a gente mal conseguia processar. Nós tínhamos acabado de deixar Veldria de lado como base fixa. Por causa dos conflitos de agenda, das turnês intermináveis e da necessidade de estar onde o mercado da música realmente acontece, a gente passava mais tempo dentro de aviões e hotéis do que na nossa própria terra natal. E foi em uma dessas paradas que tudo começou. Estávamos em Los Angeles, a cidade onde todo mundo tenta ser alguém e onde as noites nunca terminam. Depois de um show esgotado, fomos parar em uma after party em um clube noturno exclusivo no centro de LA. O lugar estava abafado, a música eletrônica batia forte nas paredes e o camarim VIP estava lotado de rostos conhecidos da indústria. Olhando através do camarote, vi a Arya Field do outro lado do clube. Eu a reconheci das capas de revista, mas pessoalmente a química visual bateu na minha cara sem pedir licença. Ela tinha vinte e oito anos, uma postura de mulher resolvida que comandava o ambiente e, para a minha surpresa, quando nos aproximamos mais tarde, ela se mostrou extremamente simpática desde o primeiro segundo. O que realmente me fisgou na Arya foi o fato de ela ser alguém totalmente bem resolvida. Eu tenho uma preferência muito clara e explícita: eu gosto de mulheres mais velhas, mulheres maduras. Elas têm uma bagagem, uma segurança e uma estabilidade que me atraem absurdamente. Perto delas, eu não preciso ficar brigando para provar o meu valor, não preciso ficar pisando em ovos ou tendo que justificar fidelidade a cada cinco minutos por causa de fofocas de tabloides. Uma mulher madura entende o jogo, sabe o que quer e não tem tempo a perder com inseguranças bobas. Eu não tenho a menor paciência para as garotas imaturas e mimadas que vivem rodeando a banda nos bastidores, chorando por atenção ou fazendo joguinhos infantis. A Arya era o completo oposto disso. Ela exalava poder, e isso me interessou de imediato. Mas antes de conversarmos no balcão do bar, eu estava sentado em um sofá de couro nos fundos do clube com os caras da banda. O Gregor e o Gus já estavam com os olhos brilhando, claramente na intenção de aproveitar a noite de folga. Eles pegaram seus copos, deram um tapinha no meu ombro e sumiram no meio da pista de dança, deixando apenas eu e o Will no canto mais reservado do camarote. O Will me olhou de lado, ajeitando o casaco pesado que contrastava com o calor do lugar, e soltou o ar devagar pela boca, com aquela cara de quem estava calculando os próximos passos da nossa logística infernal. — O agente me mandou o rascunho da agenda de outubro antes de subirmos ao palco — o Will disse, a voz quase sumindo sob a batida do som. — Se fecharmos os shows em Paris e Tóquio na mesma semana, não vamos ter nem doze horas de descanso entre os voos. É insano. — A gente aguenta — respondi, dando de ombros e girando o gelo no meu copo. — Viemos de Eisenwald para isso, não foi? Reclamar de agenda cheia agora é sacanagem. Will deu um meio sorriso, aquele olhar azul dele analisando o movimento das garotas que passavam perto do nosso camarote, tentando chamar a nossa atenção com olhares sugestivos. — É, você tem razão. Mas olha lá... — ele apontou discretamente com o queixo para um grupo de modelos que acenava na nossa direção. — O Gregor e o Gus já se jogaram na noite. E você está aí, parado há uma hora, ignorando metade de LA. O que está acontecendo, Thomas? Não era você o grande garanhão que a imprensa não consegue controlar? O lobo mau de Veldria está ficando manso? Eu soltei uma risada curta, balançando a cabeça diante da provocação do meu irmão. Todo mundo achava que eu passava o rodo em qualquer uma que respirasse perto da guitarra, mas a verdade era bem diferente do personagem que os assessores adoravam alimentar para gerar engajamento. — Não viaja, Will — falei, inclinando o corpo para a frente e apoiando os cotovelos nos joelhos, mantendo o tom de voz baixo para que só ele ouvisse. — Eu só não estou com paciência para o mesmo joguinho de sempre. Essas garotas tentam fácil demais. É previsível e cansativo. O Will semicerrou os olhos, captando na hora que os meus olhos estavam fixos em um ponto bem específico do outro lado do salão VIP. Ele seguiu a linha do meu olhar e encontrou a silhueta alta e imponente da Arya, que conversava rindo com um grupo de estilistas. — Espera aí... — Will se aproximou um pouco mais, o sorriso provocativo sumindo e dando lugar a uma curiosidade genuína. — Essa cara de paisagem não é cansaço da turnê. Você está de olho na Arya Field? Exibi um sorriso de canto, meio marento, observando a postura confiante dela de longe. Eu já tinha esquecido completamente aquela modelo da premiação de um ano atrás; minha mente estava focada no presente, no magnetismo da mulher que estava bem ali na minha frente. — Na verdade, eu já estou reparando nela faz um tempo — confessei para o Will, sem desviar os olhos da loira. — E por que você não foi lá ainda? Desde quando o Thomas Klausen espera para pegar o que quer? — o Will rebateu, genuinamente surpreso com o meu autocontrole. — Porque com mulheres como ela o jogo é diferente, Will. Ela sabe o poder que tem, e eu sei o meu. Quero ver até onde ela vai com essa pose de intocável antes de eu fazer o meu movimento. Eu sei esperar o momento certo.[PONTO DE VISTA: WILL KLAUSEN]O veneno não age de uma vez. Ele escorre devagar, um pingo diário, até que você comece a achar que o gosto amargo na boca é o seu sabor natural.Com a Arya, foi exatamente assim. Nos meses seguintes àquele jantar, eu comecei a me diminuir de uma forma assustadora. As palavras dela entravam no meu peito como pequenas agulhas: parasita, dependente, sombra, o irmão que não consegue andar sozinho. No começo, eu sentia raiva; com o tempo, passei a acreditar. Eu olhava no espelho antes dos shows e enxergava o fardo que ela dizia que eu era. O cara que estragava a vida do irmão por não conseguir ter uma existência própria.Comecei a me esconder. Se o Thomas e ela estavam na sala da casa que eles dividiam em Veldria, eu me trancava no quarto. Se iam para um restaurante, eu inventava dores de cabeça falsas. Nas sessões de foto, eu me afastava das câmeras, encolhia os ombros, me vestia com casacos ainda mais largos para tentar ficar invisível. Eu me tornara um
[PONTO DE VISTA: THOMAS KLAUSEN] O tempo passou mais rápido do que a nossa capacidade de absorver o impacto. O que começou como uma faísca provocativa naquele camarote em Los Angeles transformou-se em meses de uma convivência intensa, quase sufocante. Eu fiz o que a Arya me desafiou a fazer: consegui o número dela, procurei por ela, a conquistei. E, sem que eu me desse conta do momento exato em que cedi o controle, dei por mim completamente apaixonado. Eu a amava de verdade. Não era apenas o tesão avassalador que sentíamos quando estávamos a sós ou a cumplicidade de dividirmos as dores da vida sob os holofotes. Havia momentos em que a Arya me parecia a mulher perfeita: forte, articulada, linda e madura. Mas, à medida que os meses avançavam e a nossa rotina deixava de ser apenas encontros esporádicos em hotéis de luxo para se tornar uma vida compartilhada, as rachaduras no pedestal começaram a aparecer. A Arya dominava a arte de parecer boazinha. Diante dos fotógrafos, das equi
[PV: THOMAS KLAUSEN] Eu ainda sustentava aquele meio sorriso de canto quando vi a silhueta da Arya Field se desprender do grupo de estilistas com quem conversava. Ela não apenas olhou de volta; ela tomou a iniciativa. Com passos lentos, calculados e elegantes que faziam o tecido do seu vestido deslizar sobre as curvas do seu corpo de um jeito quase hipnótico, ela começou a caminhar em nossa direção. A passarela dela naquela noite era o chão de mármore daquele camarote VIP, e o alvo era eu. O Will, que não tinha nada de bobo e conhecia o meu silêncio melhor do que ninguém, percebeu a mudança de temperatura no ar imediatamente. Ele olhou de relance para a Arya se aproximando, depois para mim, e soltou uma risada nasalada, ajustando o casaco. — Bom... acho que a minha deixa chegou — o Will sussurrou, dando um tapinha de leve no meu ombro. — Vou ver se o Gregor e o Gus ainda estão inteiros na pista. Não faça nada que eu não faria, Thomas. — O que significa que eu posso fazer pra
[pv : THOMAS KLAUSEN] O início com a Arya não teve nada a ver com o drama que os jornais vendem hoje em dia. Quando nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, eu tinha vinte e um anos e a banda estava explodindo em uma escala que a gente mal conseguia processar. Nós tínhamos acabado de deixar Veldria de lado como base fixa. Por causa dos conflitos de agenda, das turnês intermináveis e da necessidade de estar onde o mercado da música realmente acontece, a gente passava mais tempo dentro de aviões e hotéis do que na nossa própria terra natal. E foi em uma dessas paradas que tudo começou. Estávamos em Los Angeles, a cidade onde todo mundo tenta ser alguém e onde as noites nunca terminam. Depois de um show esgotado, fomos parar em uma after party em um clube noturno exclusivo no centro de LA. O lugar estava abafado, a música eletrônica batia forte nas paredes e o camarim VIP estava lotado de rostos conhecidos da indústria. Olhando através do camarote, vi a Arya Field do outro la
Manchetes "URGENTE: Thomas Klausen assume relacionamento sério com a supermodelo internacional Arya Field!" — Veldria Music & Fashion."OPOSTOS SE ATRAEM? Guitarrista da Midnight Empire, agora com 21 anos, engata romance com modelo 7 anos mais velha." — Global Entertainment."O FIM DO GARANHÃO: Arya Field laça o homem mais cobiçado do rock veldriano em meio a turnê europeia." — Tabloide de Hamburgo."DO INTERIOR DE VELDRIA PARA OS BRAÇOS DA REALEZA DA MODA: Como o garoto de Eisenwald conquistou a mulher mais polêmica das passarelas." — The Chronicle Style."CRISE NA IMPRENSA? Fontes dizem que empresários da Midnight Empire tentaram abafar o romance, temendo a reação das fãs mais jovens." — Showbiz Inside."EXCLUSIVO: Fotos mostram o novo casal do ano deixando um restaurante luxuoso de mãos dadas em Veldria." — Glance Magazine.[@klausen_wife_99]: Não, não, não! Meu estômago até embrulhou quando vi a foto oficial. Meu marido deveria ficar comigo, não com uma mulher de 28 anos!
Existe uma mentira que o mundo repete tantas vezes que as pessoas acabam aceitando como verdade absoluta. Eles olham para mim e para o Will e enxergam espelhos. Dizem que fomos feitos da mesma matéria, cortados pelo mesmo molde, e ignoram completamente os fatos. A verdade é simples: nós não temos a mesma idade. Eu nasci no dia 1 de agosto, e o Will nasceu exatamente um ano depois, no mesmo dia 1 de agosto. Uma ironia do destino que parece confundir a cabeça de todo mundo. Teoricamente, eu tenho a mesma idade do Gus, mas a mídia e os fãs insistem em nos pintar como gêmeos idênticos. Eles esquecem a linha do tempo porque nossos rostos, a estrutura dos nossos corpos e os nossos trejeitos são bizarramente iguais. A única falha nesse reflexo são os olhos. Eu ganhei o castanho-escuro e ele herdou o azul. Nem a ciência consegue explicar direito como dois irmãos com um ano de diferença compartilham uma genética tão absurdamente fundida. Eu costumo brincar com os caras que o Will passou do tem







