Se connecterCapítulo 244 — O Nosso ContratoVictoria FoleyA mão dele continuava imóvel entre as minhas, pesada e morna.O som metálico do respirador puxava o ar ritmadamente para dentro dos pulmões do Adrian, um sopro artificial que contrastava com o silêncio fúnebre do box envidraçado. Aproximei a cadeira de rodas mais um centímetro do leito, colando os lábios no dorso dos nós dos dedos dele, sentindo o relevo da aliança de ouro contra a minha pele fria.As lágrimas não paravam de descer. Elas caíam silenciosas, molhando o lençol cirúrgico que cobria o corpo do homem que parou o mundo para me salvar.— Você precisa me escutar, Ade… — comecei, a voz saindo em fiapos trêmulos, sussurrada bem rente ao ouvido dele, onde os curativos na têmpora ainda tinham manchas pálidas de iodo. — Nem tente fingir que não está prestando atenção. Você sempre foi controlador demais para deixar alguém falar sem interromper com uma cláusula idiota.Puxei o ar com um soluço abafado, e um sorriso involuntário, banhado
Capítulo 243 — O Eco da VidaVictoria FoleyO som do choro arrastado e quebrado do outro lado da porta semiaberta cortava a minha alma com mais violência do que qualquer dor física.Reconheci aquele pranto no primeiro instante. Era o mesmo homem que costumava preencher cada cômodo da mansão com ordens teatrais, risadas sonoras e discussões apaixonadas. Ouvir o vovô Victor desabar em silêncio contra o peito da tia Marie no corredor gelado fez as lágrimas voltarem a queimar nos meus olhos com força total.— Por favor… — pedi em um sussurro rouco para a enfermeira que ajustava a taxa de gotejamento do tocolítico no suporte. — Me ajuda a sentar. Eu preciso ir até ele.— Senhora Foley, a senhora ainda está em observação rigorosa, o seu útero acabou de estabilizar…— É o meu avô — interrompi, segurando o braço da profissional com uma súplica tão crua e límpida que a mulher hesitou. — Eu estou bem. Eu só preciso de dois minutos.Com cuidado extremo para não tracionar os acessos venosos, apoi
Capítulo 242 — A Linha TênueVictor FoleyA felicidade humana é uma lâmina fina demais.Ela brilha, reluz como ouro sob o sol e, na fração de um segundo descuidado, se parte ao meio para rasgar a carne até o osso.Menos de uma hora atrás, eu estava de pé no meio da minha sala de estar comemorando aos berros, apontando o dedo para o Lucas e praguejando em pura euforia sobre a perda dos meus dois mil dólares. Era um menino. O herdeiro do meu Adrian, o sangue da minha linhagem que traria o futuro de volta para este casarão. Eu sentia o meu peito largo, vivo, quase jovem de novo.Até o estrondo metálico atravessar a chamada.Até o silêncio congelar a sala e o telefone tocar na mão da Evelyn.Quando a menina desligou o aparelho, os olhos cor de mel arregalados em pânico absoluto, e disse com a voz em fiapos: “Sinto muito, vovô Victor… mas o Ade e a Vic sofreram um acidente e o Ade… se feriu e o estado é grave.”, o ar foi arrancado da minha garganta com a violência de uma forca.A ordem nat
Capítulo 241 — A Espera no AbismoVictoria FoleyO teto branco do quarto de emergência parecia girar em um borrão lento e opaco.O bipe rítmico e constante dos monitores ao lado do meu leito disputava espaço com o som abafado do meu próprio choro, que não cessava desde o segundo em que as portas daquela ambulância se fecharam em Montgomery Street. Eu sentia a picada fria de dois acessos venosos no dorso das minhas mãos, tubos de soro correndo em fluxo contínuo e a cinta elástica do cardiotocógrafo apertando o meu ventre para vigiar cada milissegundo das batidas do meu filho.Minhas roupas ainda cheiravam a fumaça de motor estourado e àquele ferro quente e inconfundível.O sangue dele. O sangue do Adrian que manchou a gola do meu vestido e que agora secava na pele dos meus braços.— Senhora Foley, por favor, precisa respirar devagar — a enfermeira ao meu lado pedia com suavidade profissional, ajeitando o oxímetro no meu indicador. — A infusão de hidratação e o tocolítico para segurar
Capítulo 240 — Linha de FraturaAlexander SterlingO som da chamada que caiu com o estrondo metálico ainda zumbia no meu ouvido quando freei o blindado na transversal da Montgomery Street.Quatro minutos. Foi o tempo exato que levamos para rasgar o tráfego da baía com giroflex ligado e sirenes abertas. Quatro malditos minutos em que a minha mente repassou cada brecha, cada protocolo, cada falha de cálculo. Eu havia garantido ao Adrian que nenhuma ameaça cruzaria a minha linha de defesa.E a cena diante do meu para-brisa era a personificação do meu fracasso.O sedã de luxo estava tombado de lado contra a mureta de concreto, a lataria traseira direita engolida pelo chassi do furgão blindado dos atacantes. Vidros temperados cobriam o asfalto molhado como diamantes partidos, fumaça esbranquiçada subia do radiador estourado e o cheiro enjoativo de gasolina vazando disputava espaço com o ar gélido da tarde.Dois homens armados com submetralhadoras compactas contornavam a traseira do carro c
Capítulo 239 — O Escudo HumanoAdrian FoleyO ronco do motor biturbo rugiu contra as paredes dos prédios residenciais quando Austin afundou o pé no acelerador, jogando o sedã para a faixa central.O tranco da arrancada empurrou os nossos corpos contra o encosto de couro. Victoria soltou um arquejo assustado, as duas mãos espalmadas sobre a barriga em um reflexo imediato de defesa. Passei o braço por cima dos ombros dela, prensando-a contra o meu peito enquanto a cidade lá fora se transformava em um borrão cinzento de garoa e asfalto molhado.— Adrian… — a voz da minha mulher saiu trêmula, quebrada pelo desespero cru de quem carregava o nosso filho sob o peito. — O que está acontecendo? Quem são eles?!— Fica calma, amor. Olha para mim, não olha para fora — ordenei com uma firmeza que me custou cada gota de ar, os olhos fixos na expressão apavorada dela. — O Austin sabe o que está fazendo. Eu estou aqui com você.Pelo retrovisor central, o olhar do Austin era gelo puro. As duas mãos es







