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Capítulo. 20

last update Fecha de publicación: 2026-09-06 03:52:34

Helena acordou com o gosto amargo da derrota na boca.

A saída fria de Marcel na noite anterior ainda queimava. Ele tinha escutado, tinha absorvido… e depois simplesmente se levantado e ido embora, como se a preocupação dela fosse um detalhe inconveniente. Aquilo não bastava. Palavras suaves e lembranças da faculdade não iam arrancar Verônica do caminho.

Ela precisava de um escândalo.

Algo público. Sujo. Impossível de ignorar.

Algo que forçasse Marcel a enxergar a noiva de mentira como a ame
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Último capítulo

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 34

    Ilhabela, fim da manhã.... Rafael chegou antes do meio-dia. Abriu a porta com a chave reserva, uma mala pequena numa mão e uma sacola de supermercado na outra. Verônica ainda estava na varanda quando a voz dele invadiu a casa: — Atenção, senhorita Luz. O comitê de emergência emocional chegou. E dessa vez veio com programação oficial. Ela virou o rosto, uma sobrancelha arqueada, o café esquecido ao lado da cadeira. — Programação? Rafael entrou na varanda como quem subia num palco. — Isso. Programa de garotas. Aquele de verdade. O que a gente fazia quando você ainda conseguia sumir da agenda por uma noite sem achar que a empresa ia desabar. Máscara de argila, filme horroroso, comida péssima e deliciosa, julgamento de gente, zero produtividade. Desde que você saiu da casa dos seus pais a gente não consegue fechar uma edição completa. Hoje fecha. Verônica soltou o ar pelo nariz. Quase um riso. — Você veio de São Paulo com máscara de argila? — Vim de São Paulo com pri

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 33

    Ilhabela, manhã seguinte... A luz entrou devagar pela janela aberta. Verônica acordou primeiro. O corpo doía de um jeito diferente — não só o residual do quadril, mas a marca gostosa de ter sido atravessada com cuidado e intensidade. Marcel dormia ao lado dela, um braço ainda pesado sobre a cintura dela, o rosto enterrado metade no travesseiro. Por alguns segundos, ela só observou. Depois o celular dele começou a vibrar. Uma vez. Duas. Três. Marcel resmungou, buscou o aparelho às cegas e atendeu ainda com a voz rouca de sono. — Fala. Do outro lado, a voz de Helena vinha quebrada, embargada, alta o suficiente para Verônica captar fragmentos. …acidente… …hospital… …braço… O corpo de Marcel ficou rígido de uma vez. Ele já estava sentado na beira do sofá antes mesmo de desligar. — Quando? — Você está sozinha? — Estou saindo agora. Verônica se apoiou nos cotovelos, o lençol preso na altura do peito. — O que aconteceu? Marcel passou a mão pelo rosto, já em pé, procurando

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 32

    Sala, à noite Ela deitou de bruços no sofá, o rosto virado para o lado, a blusa levantada até o meio das costas. O short curto deixava livre a lateral do quadril e o começo da coxa. A pele ainda carregava o calor do banho. Marcel ajoelhou ao lado. Abriu o frasco de óleo, despejou um fio dourado na própria palma e esfregou uma mão na outra, aquecendo. O cheiro suave se espalhou. Quando os dedos dele tocaram as costas dela pela primeira vez, Verônica soltou o ar devagar, o corpo inteiro reconhecendo o contato. No início foi técnico. Polegares firmes abrindo caminho dos dois lados da coluna. Pressão constante na musculatura lombar, subindo, descendo, desfazendo nós presos há dias. O óleo brilhava sob a luz baixa, tornando a pele dela escura e lisa sob as mãos grandes dele. Cada vez que os polegares afundavam um pouco mais, o sofá rangia leve com o movimento do corpo dela cedendo. — Assim — murmurou Verônica, a voz já diferente. Marcel avançou para baixo. As mãos contornaram

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 31

    Ilhabela, terceiro dia... O clique final no teclado soou mais alto do que deveria. Verônica recostou na cadeira, os olhos fixos na tela. A simulação tinha rodado limpa. Sem erro. Sem gargalo. O módulo novo da fusão não só funcionava, como era superior. Mais rápido que o Atlas. Mais seguro e mais elegante na arquitetura. Marcel estava em pé ao lado dela, braços cruzados, o peito subindo e descendo num ritmo contido de quem também sentia o peso do que acabara de acontecer. — Rodou — disse ele. — Rodou melhor do que o Atlas — completou Verônica, quase sem acreditar na própria voz. — Em estabilidade e em escalabilidade. O silêncio que veio depois não era de rivalidade. Era de reconhecimento. Ela virou o rosto para ele. — Dois gênios no mesmo projeto é perigoso. — Ou imbatível. Verônica segurou o olhar dele por um segundo e, pela primeira vez em muito tempo, não tentou desmontar o elogio embutido. — Imbatível — admitiu. — A gente é imbatível juntos. Marcel não sorriu

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 30

    Ilhabela, segundo dia O dia nasceu nublado. O mar batia mais pesado nas pedras e a casa inteira parecia isolada do resto do mundo de um jeito quase absoluto. Verônica acordou antes do despertador. A dor no quadril tinha baixado para um incômodo surdo. O corpo ainda lembrava a mão de Marcel, o quase-beijo, a forma como ele tinha se afastado. Mas pela primeira vez desde a chegada, a irritação não era o sentimento dominante. Era foco. Quando saiu do quarto, Marcel já estava na mesa. Camisa cinza, cabelo bagunçado de quem tinha dormido pouco, dois cafés servidos. Ele empurrou um na direção dela sem comentar. — O módulo quebrou de novo às seis da manhã — disse apenas. — Passei a madrugada em cima. Verônica puxou a cadeira. — Mostra. Trabalharam em silêncio pelos primeiros quarenta minutos. Um silêncio diferente do dia anterior. Menos provocação. Mais precisão. Em determinado momento, Verônica identificou a falha estrutural que ele não tinha visto. Em outro, Marcel resolve

  • Cláusula de Vingança    Capítulo. 29

    Ele não parou. O polegar de Marcel continuou o movimento lento ao redor do hematoma, agora com uma pressão mais consciente. A compressa ainda estava ali, mas a mão dele já não parecia só terapêutica. Os dedos desceram um pouco mais, firmes, contornando a musculatura tensa, sentindo cada reação do corpo dela sob a pele. Verônica prendeu a respiração. O calor da palma dele se espalhava além da área machucada. O joelho de Marcel encostava no sofá. A proximidade ficou demais, rápida demais. Quando ela abriu os olhos, ele já estava olhando para ela. Nenhum dos dois disfarçou. A mão de Verônica subiu e segurou o pulso dele. Não para afastar. Para manter. Os dedos apertaram a pele quente. Marcel se inclinou. Um centímetro. Depois outro. O olhar desceu até a boca dela. O ar entre os dois ficou pesado, carregado, perigoso. O beijo estava ali. Na distância mínima. Na respiração compartilhada. No jeito como o corpo dela cedeu um pouco mais contra o sofá. Quase. Na última fr

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