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Capítulo 4 — O Homem Sem Medo

Auteur: Asya Martins
last update Date de publication: 2026-09-28 05:50:52

POV Catarina

O acompanhante escolheu um bar no topo do Bellagio Crown, o maior concorrente de Romeo.

Aquilo deveria ter sido meu primeiro alerta.

O segundo veio quando encontrei um homem sentado sozinho à mesa reservada em meu nome, bebendo um uísque de trinta anos como se não fosse ele quem precisaria pagar a conta.

Ele vestia um terno cinza-escuro sem gravata. Tinha cabelos negros, barba curta e um rosto bonito de uma maneira menos perfeita e mais perigosa que a de Romeo. Havia uma cicatriz discreta atravessando sua sobrancelha esquerda e um sorriso que parecia ter sido treinado para convencer mulheres inteligentes a cometerem erros estúpi

— Senhora De Luca — disse ele, levantando-se.

— Você é o acompanhante?

— Depende. Se eu disser que sim, pretende ir embora?

— Ainda estou decidindo.

Ele puxou a cadeira para mim.

— Nesse caso, sente-se enquanto decide.

Não obedeci imediatamente. Observei a mesa, as saídas e o movimento ao redor. Eu havia compartilhado minha localização com Amélia e guardava um pequeno spray de pimenta dentro da bolsa.

— Está procurando câmeras? — ele perguntou.

— Saídas.

— Está planejando fugir de mim?

— Planejo fugir de qualquer homem que acredite que um rosto bonito substitui referências verificáveis.

O sorriso dele aumentou.

— Luca Ferretti.

— Esse é seu nome verdadeiro?

— Nesta noite, sim.

— Uma resposta péssima.

— Mas honesta.

Sentei-me, embora minha intuição recomendasse cautela. Luca ocupou a cadeira diante de mim e sinalizou para o garçom.

— O que deseja beber?

— Nada escolhido por você.

— Inteligente.

Pedi uma taça de vinho. Luca esperou o garçom se afastar antes de olhar para minha mão esquerda.

— Sem aliança.

— Não faz parte do serviço comentar minhas joias.

— Preciso entender o papel que espera que eu represente.

Retirei o celular da bolsa e coloquei sobre a mesa.

— Você me acompanhará a festas, jantares e eventos ligados aos cassinos. Será educado, discreto e parecerá interessado em mim.

— A última parte não parece exigir grande esforço.

— Não flerte comigo quando estivermos sozinhos.

— Isso tornará o trabalho menos divertido.

— Também não haverá contato íntimo.

— Está contratando um acompanhante ou um manequim?

— Um homem capaz de seguir instruções.

Luca inclinou-se sobre a mesa.

— E quais instruções seu marido receberá?

Sustentei o olhar dele.

— Romeo não é seu problema.

— Foi você quem escreveu que precisava de alguém que não tivesse medo dele.

— E você afirmou que não tinha.

— Não tenho.

— Por quê?

— Talvez eu saiba que homens como Romeo só parecem invencíveis enquanto ninguém decide enfrentá-los.

O garçom trouxe meu vinho. Esperei que ele se afastasse novamente.

— Você o conhece?

— Todo mundo em Las Vegas conhece Romeo De Luca.

— Não foi isso que perguntei.

— E não foi uma mentira.

Luca levou o copo à boca, encerrando o assunto.

Eu deveria ter ido embora. Havia algo excessivamente calculado naquele encontro. A escolha do bar, o conhecimento sobre Romeo e até a maneira como Luca estudava minhas reações pareciam menos profissionais do que pessoais.

Ainda assim, ele possuía exatamente aquilo de que eu precisava.

Coragem ou irresponsabilidade.

Naquela altura, qualquer uma das duas serviria.

— Quanto a agência informou sobre o trabalho?

— Que uma mulher rica precisava de companhia para provocar o marido.

— Eu não disse que queria provocá-lo.

— Mulheres satisfeitas com seus casamentos não procuram homens desconhecidos depois das oito da noite.

— Homens inteligentes não fazem suposições sobre mulheres que assinam seus pagamentos.

— Então seu casamento está perfeito?

— Meu casamento está terminando.

Por alguma razão, o sorriso de Luca diminuiu.

— Romeo sabe?

— Foi a primeira pessoa a receber a notícia.

— E ainda assim você continua usando o sobrenome dele.

— Por enquanto.

Ele girou o copo entre os dedos.

— Quanto vale esse divórcio?

Minha mão parou ao redor da taça.

— Isso não é da sua conta.

— Tudo que pode me colocar diante de Romeo De Luca precisa ser da minha conta.

— Cem milhões.

Luca não demonstrou surpresa.

— E o que precisa fazer para recebê-los?

— Fazer meu marido pedir o divórcio primeiro.

— Agora entendo.

— O quê?

— Por que ele não pedirá.

A resposta me irritou mais do que deveria.

— Você nem me conhece.

— Não estava falando sobre você. Estava falando sobre ele.

— Romeo não permanece casado porque me ama.

— Não?

— Ele permanece porque não aceita perder.

Luca recostou-se na cadeira.

— Talvez, para certos homens, as duas coisas sejam indistinguíveis.

Olhei para as luzes da cidade atrás dele.

Havia uma época em que eu sabia reconhecer o amor de Romeo. Estava nos cafés que ele deixava ao lado da cama, nas reuniões que cancelava para me acompanhar e na maneira como tocava meu rosto depois de uma noite juntos.

Depois, o amor se transformara em seguranças, ordens e portas fechadas.

Talvez Luca estivesse certo. Talvez Romeo ainda me amasse da única forma que conhecia: confundindo cuidado com domínio.

Isso não significava que eu precisasse aceitar.

— Quando será nosso primeiro evento? — Luca perguntou.

— Amanhã. Reinauguração do cassino Majestic.

— Propriedade da holding De Luca.

— Exatamente.

— Quer entrar em um cassino do seu marido acompanhada por outro homem?

— Quero que Romeo perceba que não sou mais uma extensão dele.

— E se ele reagir?

Bebi um pouco do vinho.

— Espero sinceramente que reaja mal.

Luca soltou uma risada baixa.

— Estou começando a gostar deste trabalho.

— Não deveria. Romeo pode arruinar sua vida antes da sobremesa.

— Ele precisaria encontrar alguma coisa para arruinar.

O comentário possuía um peso que não compreendi.

Meu celular vibrou sobre a mesa.

Romeo: Onde você está?

Virei a tela para baixo.

Outro aviso chegou.

Romeo: Catarina, responda.

Luca observou o aparelho.

— Seu carcereiro está preocupado?

— Meu futuro ex-marido está descobrindo a sensação de ser ignorado.

— Posso tornar a experiência mais educativa.

Ele se levantou e estendeu a mão.

— Dance comigo.

Olhei para a pequena pista próxima às janelas. Casais se moviam sob uma iluminação dourada, embalados por uma música lenta.

— Não estamos em um evento.

— Considere um ensaio.

— Eu disse que não haveria contato quando estivéssemos sozinhos.

— Também disse que precisava parecer convincente. Não vou colocar a mão em você sem autorização.

Aquela frase, dita por um estranho, atingiu um lugar doloroso.

Romeo raramente perguntava. Ele simplesmente decidia que eu queria, que precisava ou que estaria mais segura obedecendo.

Coloquei a mão na de Luca.

— Apenas uma música.

Ele me conduziu até a pista. Uma das mãos permaneceu respeitosamente no meio das minhas costas. A outra segurou a minha com firmeza. Não havia desejo em meu corpo, mas existia uma sensação inesperada de liberdade.

Eu dançava com outro homem.

E o mundo não havia acabado.

— Está muito tensa — Luca comentou.

— Estou contratando alguém para destruir meu casamento. Perdoe a falta de leveza.

— Não estou aqui para destruir nada, Catarina. Casamentos felizes não precisam de ajuda para sobreviver.

Antes que eu respondesse, os dedos dele se contraíram.

Seu olhar passou por cima do meu ombro.

A expressão divertida desapareceu.

— Parece que seu marido descobriu onde você está.

Meu coração tropeçou.

Virei-me.

Romeo estava parado na entrada da pista.

Não usava paletó. As mangas continuavam dobradas até os antebraços, e os primeiros botões da camisa estavam abertos. Ele parecia ter saído da cobertura no instante em que descobrira minha localização.

Seus olhos desceram até a mão de Luca em minhas costas.

A raiva em seu rosto não era silenciosa. Era devastadora.

Romeo atravessou a pista enquanto os outros casais se afastavam.

Luca não retirou a mão.

Meu marido parou diante de nós e falou com uma calma que tornou a ameaça ainda mais evidente:

— Tire as mãos da minha esposa.

Luca ergueu levemente o queixo.

Então sorriu como alguém que esperara anos por aquele encontro.

— Você continua péssimo em dividir seus brinquedos.

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