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Capítulo 5 — O Que É Meu

Author: Asya Martins
last update publish date: 2026-09-28 06:28:12

POV Romeo

Matteo tocava minha esposa.

Durante anos, imaginei como seria reencontrar meu irmão. Em algumas versões, eu o expulsava de Las Vegas. Em outras, terminava aquilo que nosso pai começara e o enterrava junto com todos os segredos da família.

Nenhuma dessas fantasias incluía vê-lo com a mão nas costas de Catarina.

— Tire as mãos da minha esposa — repeti.

Matteo sustentou meu olhar, saboreando a vantagem que acreditava possuir.

Ele não sabia que Catarina ainda desconhecia sua identidade.

E eu não pretendia revelar ali.

— Ela não parece incomodada — respondeu.

Catarina afastou-se dele.

Não para se aproximar de mim. Apenas para deixar claro que nenhum de nós decidiria onde ela permaneceria.

— Vocês se conhecem? — perguntou.

— Já cruzamos algumas vezes — Matteo respondeu.

— Não perguntei a você.

Os olhos dela encontraram os meus.

O vestido preto deixava seus ombros expostos. O corte terminava acima dos joelhos, e os cabelos estavam mais curtos. Catarina escolhera cada detalhe para me provocar.

Conseguira.

Eu passara o último ano afastando-me da nossa cama para mantê-la longe dos problemas que se aproximavam. Naquela noite, porém, meu autocontrole parecia uma decisão tomada por outro homem.

— Ele não é alguém que você deva manter por perto — respondi.

Matteo riu.

— Continua decidindo com quem ela pode conversar?

— E você continua entrando em lugares aos quais não foi convidado.

Catarina olhou de um para o outro.

— Alguém vai me explicar o que está acontecendo?

— Pergunte ao seu acompanhante — sugeri. — Se esse for o nome que estão usando agora.

A surpresa no rosto dela confirmou minhas suspeitas.

— Como sabe disso?

— Você o contratou por uma agência.

— Mandou me seguir?

— Não precisei. A agência pertence a uma empresa na qual tenho participação.

Matteo arqueou uma sobrancelha.

Aquilo também era mentira.

Eu recebera um alerta quando Catarina usara um cartão ligado à conta conjunta para pagar uma reserva incomum. Bastaram duas ligações para encontrar o endereço.

Ainda não sabia como Matteo interceptara a solicitação.

Mas descobriria.

Catarina cruzou os braços.

— Então você acompanha cada pagamento que faço?

— Transações acima de determinado valor são comunicadas à segurança.

— Que conveniente.

— Você contratou um estranho sem verificar a identidade dele.

— Amélia verificou.

— Sua advogada encontrou apenas aquilo que ele queria que fosse encontrado.

Matteo enfiou as mãos nos bolsos.

— Está tentando assustá-la porque não suporta vê-la acompanhada.

— Estou tentando impedir que minha esposa se torne uma peça em um jogo que não compreende.

— Aí está ele — Catarina murmurou. — O homem que acredita ser o único capaz de compreender o mundo.

Ela pegou a bolsa sobre a mesa.

— Luca, envie o contrato para Amélia. Nós nos veremos amanhã na reinauguração do Majestic.

— Ele não vai — declarei.

Catarina se virou.

— Não lembro de ter pedido sua opinião.

— Não foi uma opinião.

— E isso não é mais um casamento.

A frase atingiu com precisão, mas não permiti que nenhum dos dois percebesse.

— Enquanto usar meu sobrenome e minha aliança estiver no meu bolso, continua sendo.

— Sua aliança. Seu sobrenome. Sua empresa. Suas regras. É impressionante como tudo precisa pertencer a você.

— Você está levando isso longe demais.

— Ainda nem comecei.

Ela passou por mim.

Segurei o braço de Matteo quando ele tentou acompanhá-la.

Catarina entrou no elevador sem olhar para trás. As portas se fecharam, deixando-nos sozinhos sob a atenção de metade do bar.

Aproximei-me do meu irmão.

— Como conseguiu esse trabalho?

O sorriso desapareceu do rosto dele.

— Talvez o destino esteja cansado de favorecer você.

— Você não acredita em destino.

— Mas acredito em oportunidades.

— Catarina não é uma delas.

— Tem certeza? Sua esposa me procurou. Não precisei invadir sua casa nem comprar a dívida de ninguém para chegar até ela.

A menção à dívida confirmou que ele sabia mais do que deveria.

Minha mão apertou o braço dele.

— Se usar Catarina para me atingir, não haverá lugar no mundo onde possa se esconder.

Matteo olhou para meus dedos e depois para mim.

— Se estivesse cuidando tão bem dela, Catarina não teria contratado um homem para fingir desejá-la.

Soltei-o antes que esquecesse quantas testemunhas nos cercavam.

— Fique longe da minha esposa.

— Ou o quê?

— Pergunte ao nosso pai o que aconteceu com o último homem que tentou tomar algo dos De Luca.

O rosto dele endureceu.

— Nosso pai está morto.

— Isso nunca o impediu de ter medo dele.

Atravessei o bar antes que Matteo respondesse.

Encontrei Catarina no estacionamento, tentando abrir a porta do carro por aplicativo que acabara de chegar. Afastei a mão dela da maçaneta.

— Ela vem comigo — informei ao motorista.

— Eu não vou com você.

O homem olhou para nós, reconheceu meu rosto e cancelou a corrida sem qualquer discussão.

Catarina soltou uma risada incrédula.

— Você é insuportável.

— E você está se comportando como se não reconhecesse perigo.

— O único homem que controla minha vida está diante de mim.

— Matteo não é acompanhante.

— O nome dele é Luca.

— Não importa o nome que tenha dado.

— Para você, nomes nunca importam. Só sobrenomes.

Ela começou a caminhar em direção à saída do estacionamento. Acompanhei-a.

— Ele está usando você.

— E você nunca fez isso?

Parei.

Catarina também parou, como se não esperasse que a pergunta me atingisse.

— Tudo o que fiz foi para proteger você.

— Pare de chamar suas mentiras de proteção.

— Se soubesse o que está em jogo…

— Então me conte.

Eu queria contar.

Queria levá-la para casa, colocar os documentos diante dela e admitir que seu pai havia transformado o Voss Royale em garantia de uma dívida que poderia custar muito mais do que dinheiro.

Mas não sabia até onde Matteo estava envolvido. Nem quem, dentro da holding, entregava informações a ele.

Enquanto Catarina não soubesse, não poderia ser pressionada a revelar nada.

— Ainda não posso.

Ela assentiu lentamente.

— Essa será a frase escrita na lápide do nosso casamento.

Catarina voltou a caminhar.

Dessa vez, não tentei impedi-la.

— Seu plano não funcionará — avisei.

Ela olhou por cima do ombro.

— Que plano?

— Amélia explicou a cláusula. Você quer me provocar até que eu peça o divórcio.

A cor abandonou brevemente seu rosto.

— Está espionando minhas conversas com minha advogada?

— Não precisei. Conheço você.

— Não conhece.

— Conheço o suficiente para saber que não vai me trair. Não importa quantos homens contrate.

Ela retornou até mim. Os saltos ecoaram pelo estacionamento vazio.

— Está tão seguro assim?

— Estou.

— Então talvez não devesse estar.

Catarina parou a poucos centímetros do meu corpo. O perfume dela se misturou ao ar frio. Seus olhos desceram até minha boca antes de voltarem aos meus.

Aquela mulher sabia exatamente como me destruir.

Só havia esquecido que eu também conhecia suas fraquezas.

Toquei sua cintura e a trouxe para mais perto. Ela inspirou com força, mas não se afastou.

— Pode usar os vestidos que quiser — murmurei. — Pode dançar com todos os homens de Las Vegas e transformar nosso casamento em espetáculo.

Minha mão subiu lentamente pelas costas dela.

— Mas não pedirei o divórcio.

— Veremos.

— Veremos.

Inclinei-me até meus lábios roçarem o canto de sua boca. Catarina apertou minha camisa entre os dedos.

Não a beijei.

Afastei-me no instante em que o corpo dela cedeu contra o meu.

A raiva em seus olhos quase me fez sorrir.

— Você não é a única que sabe provocar, esposa.

Naquela noite, quando Catarina finalmente voltou à cobertura, encontrou minhas malas sobre a cama do nosso quarto.

Depois de quase um ano dormindo no escritório, eu havia decidido voltar.

Se ela queria uma guerra para destruir nosso casamento, seria obrigada a travá-la dormindo ao meu lado.

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