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Companheira proibida: Marcada pelo Alfa da minha senhora
Companheira proibida: Marcada pelo Alfa da minha senhora
Author: Yunari princy

PRÓLOGO

Author: Yunari princy
last update publish date: 2026-05-05 19:39:30

Yaren despertou sentindo o cheiro de flores silvestres, sândalo, pinheiro e um aroma selvagem misturado ao seu.

Quando abriu os olhos, viu o rosto de um homem adormecido. Seus traços faciais eram marcantes e másculos, portador de uma beleza que parecia esculpida.

Seu coração disparou, surpresa, e logo as lembranças da noite anterior inundaram sua mente.

Ela entrando naquele bar com o grupo de turistas, o olhar dourado e penetrante daquele homem sobre ela, a aproximação dele, a conversa sobre o balcão, os olhares, os sorrisos... e então, os lábios dele encontrando os seus.

Depois disso, apenas se lembrava dos dois corpos na cama, emaranhados, se entregando um ao outro; os gemidos, os suspiros, o suor das peles se fundindo em um só até a exaustão de seus corpos.

Yaren sentiu o rosto corar ao se lembrar daquela noite. Incrédula, levou a mão até a boca, encarando o homem à sua frente com o coração acelerado.

"Eu... Eu realmente passei a noite com um desconhecido?"

Ela baixou o olhar, encontrando seu corpo nu por baixo do lençol junto ao corpo dele, e o peso de seu braço forte e musculado sobre sua cintura, mantendo-a por perto de forma possessiva.

"Eu estou louca... Eu enlouqueci!"

Yaren gritou para si mesma, e no mesmo instante, sentiu uma pontada em seu ombro. Ao levar a mão até o local, sentiu a pele ainda quente, com as marcas de uma mordida profunda.

A imagem dele chegando ao ápice, soltando um rosnado rouco antes de cravar as presas nela, reivindicando-a como sua, brilhou em sua mente.

O corpo dela congelou enquanto encarava novamente o rosto do homem ao seu lado.

Ele era um Alfa, e a tinha marcado.

"Não, não, não!"

Yaren entrou em pânico enquanto a realidade a atingia. Ela era uma serva, uma escrava. Era propriedade da alcateia, sem direito de ter um companheiro e, muito menos, de ser marcada por um Alfa.

O pânico se tornou físico; a respiração travou e o corpo gelou. Aquele tinha sido o maior erro de sua vida e, se descoberta, poderia lhe custar a própria vida.

"Eu tenho que sair daqui."

Com cuidado para não acordar o Alfa, Yaren saiu do aperto do braço dele, vestiu suas roupas rapidamente e olhou uma última vez para aquele homem.

Em outra altura, em outra vida, queria continuar deitada naquela cama com ele, mas naquela realidade, ficar ali significaria sua morte. Ela baixou o olhar e saiu, fechando a porta e desejando nunca mais encontrar aquele homem.

Assim que voltou à estalagem dos criados ao cair da noite, no pátio da mansão principal da alcateia, Yaren foi direto para seu quarto, garantindo que ninguém a via.

Ela despiu-se e mergulhou na banheira, usando todas as suas ervas aromáticas numa tentativa de tirar de si o cheiro marcante e dominante daquele Alfa de sua pele.

Mas, por mais que esfregasse, por mais que permanecesse na água, o cheiro não saía; parecia impregnado debaixo de sua pele.

Seus dedos tocaram a marca que ainda doía, e sua mente a levou de volta à noite anterior: os braços fortes dele envolvendo seu corpo, o olhar intenso de puro desejo, a voz rouca e ofegante perto de seu ouvido enquanto ele a reivindicava com paixão repetidas vezes.

"Você é minha... minha..."

Yaren apertou a marca sob sua mão, deixando as lágrimas caírem. Não entendia como pôde ser tão imprudente, como se deixou levar por ele ao ponto de ir para a cama e deixar que ele a marcasse, com aquela marca em seu corpo. Sua vida estava arruinada.

Ela voltou para o quarto com o olhar partido; o cheiro daquele Alfa era tão forte e intenso que qualquer um perceberia mesmo à distância. Era questão de horas até saberem que ela fora marcada.

A porta do quarto foi aberta, tirando-a de seus devaneios. Yaren rapidamente secou as lágrimas e encarou sua mãe.

— Onde você esteve o dia todo? Por que não atendeu minhas ligações? — perguntou a mulher, preocupada. Mas parou no terceiro passo, sentindo algo estranho no ar.

— Que cheiro é esse? Isso é... o cheiro de um Alfa?

A mulher se aproximou da filha e puxou a alça do roupão, revelando a marca ainda vermelha e brilhando em um tom dourado.

O olhar abismado da mais velha caiu sobre a filha, que apenas baixou o olhar, deixando as lágrimas caírem.

— Me desculpe, mamãe — foi tudo o que conseguiu dizer em meio ao choro.

— Você... Você foi marcada por um Alfa? Como pôde deixar algo assim acontecer? Você se entregou a um Alfa e permitiu que ele te marcasse?! Você é uma escrava, Yaren! Você pertence aos Morgan! Eles vão te matar se virem isso. Uma escrava marcada por um Alfa é uma sentença de morte!

Yaren desabou em lágrimas, pedindo desculpas inúmeras vezes, a culpa e o arrependimento tomando conta dela, pois sabia que o castigo não seria somente para ela, mas também cairia sobre sua mãe por não tê-la ensinado direito.

— Mãe, me desculpe, por favor, me perdoe—

A mulher olhou para sua filha e suspirou.

— Não saia desse quarto até eu voltar, não deixe ninguém ver ou cheirar você!—

Yaren assentiu e ficou sentada na cama com o olhar baixo, apertando o ombro. Uma sensação estranha percorreu seu corpo, uma vontade de correr até aquele Alfa, se jogar nos braços dele e pedir sua ajuda e proteção.

Era o vínculo que tinham selado se manifestando; ela já estava se tornando dependente dele e desejando estar ao lado dele.

A porta do quarto voltou a abrir e a mãe entrou, carregando dois frascos de cerâmica com líquidos estranhos.

— Beba isto —

Yaren olhou para o líquido azul e encarou sua mãe, confusa.

— Se esse Alfa conseguiu marcar você em uma noite apenas, deve ser um Alfa poderoso, e não duvido que a semente dele já esteja se desenvolvendo em seu ventre. Você é uma mestiça; carregar o filhote de um Alfa será visto como traição à alcateia, então, beba isso—

Instintivamente, Yaren levou a mão até seu ventre, imaginando a possibilidade de ter um filhote ali, e hesitou, num instinto protetor automático.

A mulher olhou para a filha e aproximou o frasco dela.

— Yaren, Beba! ou você quer passar pela mesma vida miserável que eu passei?—

Yaren voltou a levantar o olhar para a mãe, lembrando-se de sua história de dor e sofrimento enquanto ainda a carregava no ventre, até ser comprada como escrava. Não queria passar por aquilo, e não podia permitir que uma criança inocente passasse por aquilo.

Com a mão trêmula, ela alcançou o frasco e bebeu todo o líquido amargo até o fim.

A mulher voltou a se aproximar da filha com o outro frasco que continha um líquido verde doentio e borbulhante.

— Esta é uma poção capaz de remover a marca de um Alfa e cortar o vínculo.

No mesmo instante, a marca em seu ombro pareceu queimar e pulsar, como se soubesse o que estava para acontecer e tentasse lutar contra o rompimento.

— Esta é a única forma de você sobreviver. Essa marca deve sair de você. Morda isso.

Yaren mordeu o couro com toda a força e fechou os olhos.

O líquido foi derramado sobre sua pele. No local onde os dentes dele haviam reivindicado sua alma horas atrás, o mundo pareceu desaparecer em uma névoa de dor e agonia.

Não era apenas uma queimadura física; era como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dela, um laço invisível, ainda recente, sendo destruído à força, estraçalhando a conexão que se formava, quebrando o laço como uma corda esticada até o limite.

O cheiro dele desapareceu de seu corpo gradualmente, substituído pelo cheiro de carne queimada.

Yaren cravou os dedos no lençol, engolindo o grito preso em sua garganta, que parecia vir de dentro de sua alma.

Ela caiu de joelhos no chão, incapaz de suportar a sensação de ter sido esvaziada e queimada por dentro.

A mãe olhou para a filha jogada no chão, gemendo de dor, e sentiu seu coração apertar, mas sabia que fazia o certo; aquilo era necessário para garantir a sobrevivência dela.

Yaren permaneceu deitada no chão frio, encarando o vazio enquanto as lágrimas rolaram em seu rosto.

As memórias quentes da noite anterior se dissipavam como fumaça, dando lugar a um vazio frio e escuro. O toque dele, os beijos, o rosto... tudo foi ficando mais distante, até a escuridão finalmente a envolver.

. . .

— Alfa Theron —

O Beta chamou, entrando no escritório, e olhou para figura imponente do Alfa parado de frente para Vidraça, encarando a penumbra da floresta sobre a luz do luar.

— Você a encontrou? — perguntou sem se virar, com o tom carregado de urgência e impaciência.

— Não, Alfa. Procurei em todas as alcateias da região, mas nenhuma mulher corresponde à descrição que o Alfa deu.

O punho do Alfa atingiu o vidro reforçado, estilhaçando-o no mesmo instante.

Ele se virou, e seus olhos dourados ganharam uma coloração alaranjada, sombria e perigosa.

Sua voz soou como um trovão, fazendo as paredes do escritório vibrarem.

— Encontre-a! Ela é a minha companheira! O meu lobo está enlouquecendo, e sinto o sangue dela chamando pelo meu! Mesmo que precise revirar cada palácio e cada favela deste mundo, encontre-a e traga-a para mim!

— S-Sim, Alfa — o Beta se curvou e saiu apressado.

Kallian caminhou pelo cômodo, o peito subindo e descendo com uma fúria impaciente e possessiva. Seu lobo arranhava o interior de sua mente, exigindo a fêmea que lhe pertencia de volta.

— Eu preciso encontrá-la... — rosnou para o vazio, as garras cravando na madeira da mesa.

— Eu preciso encontrá-la e trazê-la para o meu lado. Custe o que custar!

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