FAZER LOGINDia 14 de novembro, 7 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e tinha cheiro de pipoca. Cheiro de pipoca queimada no 42º. Em 400 anos nunca teve cheiro de pipoca no 42º, só cheiro de perfume caro de vampiro, de café chique, de papel novo. Adrian tava no meio da sala, de terno, com uma panela na mão. Panela com pipoca. Pipoca toda queimada, preta, estourada pra fora. Vampiro de 200 anos com panela de pipoca às 7 da manhã. "Elena, eu tentei fazer pipoca pra você. Nunca fiz pipoca em 200 anos. Minha mãe fazia pipoca todo dia 14 de novembro, antes do aniversário dela. Quero aprender hoje. Mas queimou tudo." Vampiro CEO que só sabe assinar contrato de milhões querendo fazer pipoca humana de panela. Coisa que nunca aconteceu em 400 anos de Black Corporation. "Adrian, você queimou tudo? Tá preta." "Queimei. Deixei no fogo alto porque tava assinando contrato. Vampiro não sabe fazer pipoca, só sabe assinar papel. Me ensina?" Eu peguei uma pipoca queimada e comi. Dura. Amarga. Horrível. M
Dia 13 de novembro, 7 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e tinha cheiro de cenoura. Cheiro de bolo de cenoura no 42º. Em 400 anos nunca teve cheiro de bolo de cenoura no 42º, só cheiro de perfume caro de vampiro, de café chique, de papel novo. Adrian tava no meio da sala, de terno, com uma forma na mão. Forma com bolo de cenoura. Bolo de cenoura todo torto, afundado no meio, cobertura escorrendo pro lado. Vampiro de 200 anos com forma de bolo às 7 da manhã. "Elena, eu tentei fazer bolo de cenoura pra você. Nunca fiz bolo em 200 anos. Minha mãe fazia bolo de cenoura todo dia 13 de novembro, antes do aniversário dela. Quero aprender hoje. Mas afundou no meio." Vampiro CEO que só sabe assinar contrato de milhões querendo fazer bolo humano de cenoura. Coisa que nunca aconteceu em 400 anos de Black Corporation. "Adrian, você afundou o bolo? Tá torto." "Afundei. Coloquei muito fermento porque tava assinando contrato. Vampiro não sabe fazer bolo, só sabe assinar papel. Me ensina?"
Dia 12 de novembro, 7 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e tinha cheiro de chocolate. Cheiro de brigadeiro de panela no 42º. Em 400 anos nunca teve cheiro de brigadeiro no 42º, só cheiro de perfume caro de vampiro, de café chique, de papel novo. Adrian tava no meio da sala, de terno, com uma panela na mão. Panela com brigadeiro. Brigadeiro todo grudado, duro, queimado no fundo. Vampiro de 200 anos com panela de brigadeiro às 7 da manhã. "Elena, eu tentei fazer brigadeiro pra você. Nunca fiz brigadeiro em 200 anos. Minha mãe fazia brigadeiro todo dia 12 de novembro, antes do aniversário dela. Quero aprender hoje. Mas grudou tudo." Vampiro CEO que só sabe assinar contrato de milhões querendo fazer brigadeiro humano de panela. Coisa que nunca aconteceu em 400 anos de Black Corporation. "Adrian, você grudou tudo? Tá duro." "Grudei. Mexi pouco porque tava assinando contrato. Vampiro não sabe fazer brigadeiro, só sabe assinar papel. Me ensina?" Eu peguei uma colher e raspei o bri
Dia 11 de novembro, 7 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e tinha cheiro de queimado. Cheiro de pão de queijo queimado no 42º. Em 400 anos nunca teve cheiro de queimado no 42º, só cheiro de perfume caro de vampiro, de café chique, de papel novo. Adrian tava no meio da sala, de terno, com uma bandeja na mão. Bandeja com pão de queijo. Pão de queijo todo queimado, preto, duro. Vampiro de 200 anos com bandeja de pão de queijo queimado às 7 da manhã. "Elena, eu tentei fazer pão de queijo pra você. Nunca fiz pão de queijo em 200 anos. Minha mãe fazia pão de queijo todo dia 11 de novembro, antes do aniversário dela. Quero aprender hoje. Mas queimou tudo." Vampiro CEO que só sabe assinar contrato de milhões querendo fazer pão de queijo humano de interior. Coisa que nunca aconteceu em 400 anos de Black Corporation. "Adrian, você queimou tudo? Tá preto." "Queimei. Coloquei no forno e esqueci porque tava assinando contrato. Vampiro não sabe fazer pão de queijo, só sabe assinar papel. Me
Dia 10 de novembro, 7 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e tinha música. Música humana no 42º. Em 400 anos nunca teve música humana no 42º, só música clássica de vampiro velho, triste, de 1800. Adrian tava no meio da sala, de terno, com caixa de som pequena na mão, tocando forró. Forró humano, de festa junina, de interior. Vampiro de 200 anos tocando forró às 7 da manhã. "Elena, me ensina a dançar forró? Nunca dancei forró em 200 anos. Minha mãe dançava forró todo dia 10 de novembro, antes do aniversário dela. Quero aprender hoje." Vampiro CEO que só sabe dançar valsa de 1800 querendo aprender forró humano de interior. Coisa que nunca aconteceu em 400 anos de Black Corporation. "Adrian, você sabe dançar forró? Precisa encostar, precisa suar, precisa errar passo." "Não sei, por isso quero aprender com você. Vampiro não sua, mas hoje vou tentar suar. Me ensina?" Eu liguei o forró mais alto. Música de Luiz Gonzaga, forró das antigas, que minha avó ouvia no interior. Coloquei no meio
Dia 9 de novembro, 6 da manhã. Eu cheguei no 42º andar e o CEO estava de pé na janela, olhando pro céu, com um papel na mão. Papel tremendo. Mão fria de vampiro tremendo igual primeira vez que vi ele tremer. "Elena, preciso te falar uma coisa que nunca falei em 200 anos. Nunca falei pra ninguém. Nem pra minha mãe há 194 anos eu falei direito." Ele virou, olho vermelho de vampiro que não dormiu a noite toda. "Eu tentei escrever 100 vezes essa frase. Escrevi, apaguei, escrevi, apaguei. Em 200 anos nunca escrevi essa frase. Porque CEO não fala isso. Manual de 1620 proíbe. Página 2 diz: CEO não ama, CEO manda." Ele me entregou o papel. Papel amassado, escrito à mão, letra feia de CEO que nunca escreveu carta de amor. Tava escrito: EU TE AMO. Três palavras. Só três palavras. Mas que ele nunca falou em 200 anos. "Elena, eu te amo. Desde o primeiro dia que você dormiu no meu sofá e roncou alto. Desde o dia que você fez bolo na reunião e sujou meu terno de 10 mil. Eu te amo. Eu nunca a







