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Capítulo 6 - O Jantar De Sangue

作者: Stefani Leme
last update 公開日: 2026-10-02 20:20:24

O carro parou em frente ao Hotel Rosewood.

Tinha tapete vermelho. Tinha fotógrafo. Tinha gente rica que eu só via na revista Forbes. E tinha vampiros. Muitos. Eu sentia. Todos olhando para mim quando eu desci do carro com a mão na mão do Adrian.

"Você está tremendo", ele sussurrou no meu ouvido, gelado.

"Estou morrendo de medo. Todo mundo está olhando para mim como se eu fosse um bife."

"Você É um bife para eles. O bife mais caro da festa. Mas você é MEU bife. Ninguém encosta."

Ele me puxou pela cintura. O vestido vermelho colava em mim. A marca no meu pulso brilhava levemente por baixo da maquiagem que a Valentina colocou.

Assim que entramos no salão, o silêncio caiu. Literal. A música parou.

Um homem alto, de terno branco, veio até nós. Ele tinha olhos completamente pretos, sem branco nenhum. Assustador.

"Adrian. Então é verdade. Você marcou uma humana Aurora."

"Ela é minha namorada, Viktor. Elena."

Viktor pegou minha mão. A mão dele era ainda mais gelada que a do Adrian. Ele virou meu pulso e viu a marca.

"Marca de sangue. Feita com amor. Interessante. Há quanto tempo você não marcava alguém? Um século?"

"Não é da sua conta."

Viktor sorriu, mostrando presas. "Cuidado, garota. Homens como ele... eles amam forte, mas quando bebem, bebem até o fim. Pergunte à Sofia."

Como todo mundo sabia da Sofia?

Adrian me puxou para longe.

"Quem é aquele?"

"O Rei. O chefe de todos os vampiros de São Paulo. Se ele aceitar você, todos aceitam."

"Ele me aceitou?"

"Ainda não."

Nós andamos pelo salão. Toda mulher vampira me olhava com inveja ou com fome. Todo homem vampiro me olhava com fome mesmo.

"Adrian, eu quero ir embora."

"Calma. Só mais 10 minutos. Precisamos cumprimentar o conselho."

Nesse momento, as luzes piscaram.

E uma voz que eu conhecia falou alto.

"Boa noite, família!"

Era o Marcus. De terno preto, igual ao Adrian, mas com um sorriso cruel. Ele estava no palco, com um microfone.

"Desculpem o atraso. Eu trouxe um presente para o meu irmão e sua... namorada humana."

Ele estalou os dedos e dois seguranças trouxeram algo coberto com um pano preto. Quando tirou o pano, eu gritei.

Era minha melhor amiga. Júlia.

Amarrada, com a boca tampada, chorando.

"JÚLIA!"

Eu tentei correr, mas Adrian me segurou.

"É uma armadilha, Elena!"

"Se você quer tanto provar que ama humanos, irmão", Marcus gritou do palco, "prove! Troca! A sua Aurora pelo sangue da amiga dela! Uma vida por outra! Ou você vai deixar as duas morrerem como deixou a Sofia morrer?"

Todo mundo no salão olhou para nós. Centenas de olhos de vampiro brilhando no escuro.

Viktor, o Rei, levantou. "Marcus, isso é contra as leis. Ela está marcada. É intocável."

"Ela é marcada, mas a amiga dela não! Eu não toquei na Aurora! Toquei na amiga! Isso não quebra lei nenhuma!"

Ele pegou uma faca e encostou no pescoço da Júlia. Um fio de sangue escorreu.

O cheiro do sangue dela fez todos os vampiros do salão rosnarem de fome. Até o Adrian. Os olhos dele ficaram vermelhos.

"Adrian, faz alguma coisa!", eu chorei.

Adrian olhou para Júlia, olhou para mim, olhou para Marcus.

E fez algo que ninguém esperava.

Ele me beijou. Na frente de todo mundo. Um beijo de verdade, profundo, possessivo.

Quando ele se separou, os olhos dele estavam totalmente pretos de poder.

"Você quer minha namorada? Então vem pegar, irmão. Mas pelas leis antigas. Duelo de sangue. Eu e você. Até a morte. Se eu ganhar, você liberta a humana e nunca mais encosta na Elena. Se você ganhar..."

Ele olhou para mim.

"Se você ganhar, você pode beber as duas."

O salão inteiro gritou. Duelo de sangue não acontecia há 100 anos.

Marcus riu. "Aceito! Eu sempre quis te matar, irmãozinho!"

Viktor bateu palmas. "Que seja! Duelo de sangue! Agora! No terraço!"

Todo mundo começou a subir para o terraço do hotel. Eu segurei Adrian.

"Você vai morrer! Ele é mais forte!"

"Não. Porque agora eu tenho algo para lutar. Antes eu não tinha."

"Eu?"

"Você. Seu sangue me deu força. Sente?"

Ele colocou minha mão no peito dele. Pela primeira vez, eu senti. Tum. Tum. Tum.

Um coração batendo.

"Você... seu coração está batendo?"

"Desde que te beijei ontem. Depois de 300 anos parado. Você fez meu coração voltar a bater, Elena. E por isso, eu não posso perder."

Ele me beijou de novo, rápido.

"Fica com a Valentina. Não sai de perto dela. Se eu morrer... corre. Pega sua amiga e corre e nunca olha para trás."

"Você não vai morrer."

"Promete que corre?"

"Não. Prometo que vou te esperar."

Ele sorriu, com lágrimas de sangue nos olhos.

No terraço, com a cidade de São Paulo inteira vendo, os dois irmãos se encararam. Vampiros em círculo, gritando.

Marcus tirou o paletó. Adrian também.

"Última chance, Elena!", Marcus gritou para mim lá embaixo. "Vem comigo e eu deixo ele vivo!"

Eu gritei de volta, com toda força que eu tinha: "EU SOU DO ADRIAN! E SEMPRE VOU SER!"

A marca no meu pulso explodiu em luz vermelha tão forte que todo o terraço ficou vermelho.

E Adrian, com os olhos brilhando da mesma cor da minha marca, atacou primeiro.

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