LOGINLOREDANOO bar do hotel estava como de costume. Luzes baixas refletindo no vidro das garrafas, conversas fragmentadas, risos. O tipo de lugar onde empresários iam quando queriam fechar negócios.— Você nem ouviu o que eu falei — Paolo disse, girando o gelo dentro do copo.Olhei para ele por cima do meu uísque.— Ouvi.— Então repete.Dei um gole antes de responder.— Você disse que aquele laboratório suíço está inflando os números para valorizar a negociação.Ele arqueou uma sobrancelha.— E?— E que você acha que dá para usar isso contra eles.Ficamos em silêncio por alguns segundos, o barulho do ambiente preenchendo o espaço entre nós. Um brinde foi feito em algum canto e alguém riu alto demais. Um garçom passou, deixando mais uma rodada sobre o balcão sem que precisássemos pedir.— No que está pensando? — Meu irmão perguntou.— Que aqui parece diversão, mas é trabalho.— Mas você está distraído. — Paolo falou, casual, mas observador.Olhei para ele. Realmente, meu pensamento estava
Eu não sabia exatamente há quanto tempo estava ali, parada no estacionamento, com o motor desligado e as mãos ainda presas ao volante como se aquilo fosse a única coisa me mantendo no lugar.— Que droga… — murmurei, limpando o rosto com as costas da mão.Abri os olhos devagar, tentando me recompor. E foi quando eu vi Marina caminhando do outro lado do estacionamento. Meu estômago mais uma vez revirou, de raiva. Uma onda quente subiu pelo meu corpo, substituindo qualquer traço de fraqueza que ainda restava.— Você vai me pagar! — Sussurrei dentro do carro.Ela continuava andando distraída, como se não tivesse mexido com a minha vida. Minhas mãos apertaram o volante. E antes que pudesse pensar melhor, eu abri a porta do carro e saí. Marina andava despreocupada, olhos na tela do celular. Eu seguia atrás dela. Cada passo alimentando aquela raiva que dominava e crescia no meu peito.— Marina! — chamei.Ela parou e se virou devagar. E no instante em que os olhos dela encontraram os meus e
Inclinei o copo para pegar o suco e foi então que ouvi uma voz conhecida atrás de mim:— Ora, ora… há quanto tempo, Vina.Meu corpo congelou quando ouvi a voz de Marina. Virei-me e lá estava ela, encostada na porta, com aquele sorriso maléfico. O mesmo sorriso de sempre. Cínico. Calculado. Veneno puro disfarçado de simpatia.Naquele instante meu estômago revirou. Porque a última pessoa que eu queria ver naquele momento era Marina.— O que você faz aqui? — Perguntei, sem conseguir esconder a rigidez na voz.Ela deu alguns passos para dentro. Calma. Como se estivesse desfilando, com aquela elegância que eu sempre tive vontade de ter.— Eu poderia te perguntar a mesma coisa. — ela falou como se tivesse o direito de me questionar.— Perguntei primeiro. Ela sorriu mais. O batom vermelho dando um charme que era só dela.— Vim visitar um amigo.Cruzei os braços e me armei por dentro. Não dava para baixar a guarda quando Marina estava por perto.— Amigo? — perguntei.— Uhum — ela assentiu, p
Eu estava falando com Loredano ao telefone já fazia algum tempo e nenhum dos dois desligava. Ele dizia uma palavra, eu dizia outra, às vezes ficávamos em silêncio, mas estávamos ali ouvindo a respiração um do outro.Tinha coisas que eu queria dizer, mas as palavras não vinham. Na infância eu tinha que me calar, me conter, não dizer o que pensava. Tudo isso me paralisou e forjou o meu caráter de uma forma negativa.Mas enfim, conseguimos nos despedir e quando a ligação terminou, o silêncio voltou. Fiquei alguns segundos ainda com o telefone na mão, olhando para a tela apagada, como se Loredano ainda fosse dizer mais alguma coisa. E então soltei o ar devagar e deixei o celular cair ao meu lado no sofá. Depois levantei-me devagar. O apartamento estava em penumbra, iluminado só pela luz amarelada da cozinha que eu tinha esquecido acesa. Fui até a pia e lavei um prato e um copo que estavam sujos e voltei para a sala. Sentei no sofá novamente, cruzando as pernas, puxando uma almofada contr
LOREDANONova York nunca parava. Nem do lado de fora, com o fluxo incessante de carros e pessoas, nem do lado de dentro, onde decisões eram tomadas em silêncio, mas com impacto suficiente para movimentar mercados inteiros. Eu estava no meu escritório. Sentado atrás de uma mesa ampla, de onde podia ver a vista da cidade se estender pelas janelas de vidro. Meu laptop aberto. Relatórios na tela. Gráficos. Números.Até que a porta se abriu. Na verdade, ela não abriu, foi empurrada com força e Paolo entrou sem cerimônia e sem anúncio.— Precisamos falar.Ergui os olhos imediatamente.— O que está havendo? — perguntei com curiosidade.— Miguel está lançando o concorrente do Zambi.O ar pareceu ficar mais pesado.— Impossível! — Minha resposta saiu automática. Sem hesitação. Sem espaço para dúvida.— Pois é verdade — ele retrucou, caminhando até a minha mesa e jogando um tablet à minha frente. — Olha isso.Desviei o olhar para a tela. Havia o comunicado de um pré-lançamento. Era um produto
Depois que Loredano saiu, o apartamento ainda guardava a presença dele — o cheiro leve do perfume, o amassado nos lençóis, uma camisa esquecida sobre uma cadeira que eu demorei alguns segundos a perceber que ainda estava ali.Voltei para o quarto e fiquei sentada na cama por um tempo, com as pernas dobradas, os dedos deslizando distraidamente pelo tecido do lençol, tentando organizar tudo o que tinha acontecido naquela manhã.— Você é ridícula… — murmurei para mim mesma, soltando um pequeno sorriso.Levantei devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Peguei a camisa dele, levei ao rosto sem pensar muito… e fechei os olhos por um segundo. Levei tudo para a máquina de lavar e fui até a geladeira. Em seguida peguei um copo e enchi de água. Bebi devagar, olhando para o nada.Caminhei até a sala e me joguei no sofá, pegando o celular por reflexo. Rolei a tela sem prestar atenção em nada específico. Depois o joguei ao meu lado. Fiquei olhando para o teto, pensando em nada.De repente







