INICIAR SESIÓNNaquele momento alguém bateu à porta. E logo em seguida a porta abriu e a nonna entrou caminhando apoiada na bengala.—— Eu sei muito bem o que você tem! — A nonna falou olhando fixamente para mim.— Peguei um resfriado muito forte, nonna — respondi meio encolhida.— Está melhor hoje?— Ela perguntou com aquele olhar vivo sobre mim e a voz preenchendo o quarto com uma presença impossível de ignorar.Virei o rosto automaticamente, e sorri para ela. Um sorriso verdadeiro. Era estranho como aquela mulher que um dia me passou medo e insegurança, agora me tratava como se eu também fosse neta dela. E eu me sentia muito querida quando ela estava por perto. O carinho dela por mim era sincero, dava para sentir. E eu me preocupava com a farsa que Loredano e eu mantínhamos. Como magoar alguém que tinha tanto amor para dar? Que demonstrava tanto carinho pelos seus e até por alguém como eu, que não fazia parte da família?— Estou um pouco melhor, nonna. — Respondi.Ela entrou com aquela elegância f
Depois da confusão envolvendo Miguel e Alice, a festa para mim havia acabado. Logo que voltamos do laboratório, avisei a Loredano que estava indo para o quarto. Tomei um banho rápido e me deitei. Adormeci sem perceber.Acordei no meio da noite com a sensação de estar afundando em mim mesma. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas por um fio pálido de luar que escapava pelas cortinas entreabertas. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pela respiração lenta e profunda de Loredano ao meu lado.Meu corpo inteiro estava molhado de suor. Não era aquele calor comum de uma noite abafada — era um calor interno, inquieto, como se viesse de dentro dos ossos. Meu coração batia mais rápido do que deveria, e minha garganta estava completamente seca, como se eu tivesse passado horas no deserto.Devagar, afastei o lençol e me sentei na cama. Estiquei o braço até o criado-mudo e encontrei o copo de água. Minhas mãos tremiam um pouco, talvez pela estranha sensação de fra
LOREDANOEu caminhava devagar entre os convidados, cumprimentando um, acenando para outro, mantendo o controle. Mas minha atenção não estava ali. Ela estava dividida entre Miguel e Vina. Eu não gostei da forma como ele a estava observando durante o jantar e não iria facilitar as coisas para ele.— Oi, primo. — A voz veio suave demais.Eu nem precisei me virar para saber que era Alice.— Oi — respondi educado, porém, seco.Ela sorriu, como se aquilo fosse um convite.— Posso te chamar assim, não é?— Me chame como quiser.— Ótimo… primo — ela repetiu, saboreando a palavra como se tivesse outro significado.Alice deu mais um passo na minha direção. E ficou perto demais.— Você parece entediado. Dá para ver no seu olhar.Eu não estava com paciência para conversar bobagens. Mas Alice era insistente.— Não quer sair daqui e dar uma volta? — Ela propôs com aquele olhar de gata no cio.Eu a encarei por um segundo.— Me desculpe, mas sou casado.Ela piscou devagar e então sorriu. Um sorriso c
Aquele era o grande dia do jantar. Loredano e Paolo saíram logo cedo. Eu e Manu fomos dar uma volta pela propriedade. E eu estava me coçando de curiosidade, então perguntei:— O que está rolando entre você e Paolo?— Por enquanto nada — Manu respondeu.— Tem certeza? Eu vejo como ele te olha.— É só isso o que ele faz, porque quando estamos sozinhos o homem fala de tudo, menos sobre nós. E eu não vou forçar a barra. Sabe como sou.Sim, eu sabia como a minha prima era. Manu nunca se jogava para cima de um homem. Mesmo um homem atraente como Paolo.Ficamos por ali até Rosita nos chamar para o almoço. Depois da refeição, Manu e eu nos trancamos na biblioteca e passamos um tempo ali, fofocando. Mas no finalzinho da tarde, subimos para nos preparar para o jantar.[***]Quando desci, usando meu vestido longo salmon, o salão de festas da mansão já estava cheio.Executivos da indústria farmacêutica circulavam com aquele tipo de sorriso treinado e um copo de bebida na mão. Havia conversas
A luz pálida da manhã de Petrópolis filtrava-se pelas frestas das pesadas cortinas.Passar a noite com Loredano foi maravilhoso. Estávamos entrelaçados, um emaranhado de pernas e braços que fazia parecer impossível distinguir onde eu terminava e ele começava.Sob o lençol de seda eu estava nua, sentindo cada centímetro do corpo dele contra o meu — o tórax largo, a respiração rítmica, a força silenciosa que ele exalava até mesmo no repouso.Pisquei devagar, sentindo uma felicidade mansa inundar meu peito e desejei ficar naquela posição para sempre. Mas logo em seguida senti um movimento suave. Ele já estava acordado e se apoiou em um dos cotovelos, pairando sobre mim. Seus cabelos estavam bagunçados e seus olhos escuros tinham uma suavidade que ele raramente se permitia mostrar ao mundo.— Bom dia — ele disse. Sua voz, ainda rouca pelo sono, vibrou diretamente no meu coração.— Bom dia — respondi em um sussurro, sentindo um sorriso involuntário curvar meus lábios.Ele estendeu a mão e
Naquele momento, às duas da tarde, eu e Manu estávamos dentro do avião particular que sobrevoava as terras da família Zambiancho. Ela olhava tudo fazendo comentários extravagantes. Minha prima não era apenas deslumbrada. Era também observadora e lia as pessoas e os ambientes com uma precisão que às vezes me assustava.— Isso aqui é lindo demais, Vina! Fico imaginando como algumas pessoas podem ter tanto dinheiro enquanto outras não têm nada.— Sim. É verdade.— Nossa, como você está animada! — Manu foi irônica.Me calei porque estava nervosa, pensando no reencontro com Loredano. De repente pousamos e o pouso na pista privada da família foi tão suave que mal sentimos o impacto. Quando a porta se abriu e a escada foi estendida, o ar fresco e úmido de Petrópolis invadiu o interior, trazendo um perfume de mata e terra molhada que era revigorante e nostálgico.Descemos os degraus. O vento bagunçou meu cabelo, e eu apertei o casaco contra o corpo. No final da escadaria, duas pessoas nos agu







