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Capítulo-80

Author: Marinez Assis
last update publish date: 2026-10-23 06:45:01

LOREDANO

A chuva não dava trégua. Caía pesada, constante. A rua estava silenciosa, ninguém passava. Até mesmo o fluxo dos carros diminuiu. Eu estava sentado no chão, todo encharcado, com Vina gemendo de dor nos meus braços.

— Fica comigo… — eu repetia. — Não dorme.

A mão dela apertava a minha.

— Eu não quero perder o bebê — Vina falou num fio de voz.

— Não vai. Eu estou aqui… — sussurrei.

Inclinei o rosto, tentando ver melhor os olhos de Vina sob a chuva. Mas o meu olhar caiu quase automatica
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    Depois que fiz a ultrassom, voltei para o quarto no hospital. O médico que me atendeu de início, disse que eu precisava ficar em observação por vinte e quatro horas. Loredano estava comigo e não saiu do meu lado desde que chegamos. Nem por um segundo.O som do monitor durante à noite, faz o hospital ter um silêncio diferente. É uma quietude assustadora e desconfortável. Eu estava acordada, mas com o corpo pesado. A medicação ainda corria pelas minhas veias, deixando tudo um pouco mais lento, um pouco mais distante. Mesmo assim o sono não vinha. Eu estava tensa. Tinha medo que algo acontecesse com o meu corpo enquanto eu dormisse.Loredano conversava comigo tentando me manter calma, mas eu estava uma pilha de nervos. Talvez fossem os hormônios da gravidez que estivessem me deixando daquele jeito. Mas a verdade é que de repente aquele pequeno ser que estava dentro de mim passou a ter uma importância tão grande que doía pensar em perdê-lo.Naquele momento o telefone de Loredano vibrou. A

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    LOREDANOA chuva não dava trégua. Caía pesada, constante. A rua estava silenciosa, ninguém passava. Até mesmo o fluxo dos carros diminuiu. Eu estava sentado no chão, todo encharcado, com Vina gemendo de dor nos meus braços.— Fica comigo… — eu repetia. — Não dorme.A mão dela apertava a minha.— Eu não quero perder o bebê — Vina falou num fio de voz.— Não vai. Eu estou aqui… — sussurrei.Inclinei o rosto, tentando ver melhor os olhos de Vina sob a chuva. Mas o meu olhar caiu quase automaticamente para a mão dela sobre a própria barriga. Aquilo tudo parecia inacreditável para mim. Descubro que vamos ter um filho, justamente quando corremos o risco de perdê-lo. Ficar sabendo que ia ser pai em um momento tão catastrófico, não era ainda motivo para comemorar.— Estou sangrando? — ela perguntou, um misto de medo e preocupação.Olhei com atenção, apalpei, investiguei o corpo dela e respondi:— Não. Não está.Naquele momento o som da sirene da ambulância cortou o ar ao longe.— Já estão c

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    A vibração do celular me puxou de um lugar estranho. Não era exatamente sono. Era aquele estado leve, meio suspenso, em que o corpo ainda está pesado, mas a mente já começa a acordar devagar. Abri os olhos com dificuldade, piscando algumas vezes até o quarto parar de girar levemente. Virei o rosto na direção do criado-mudo. Não era uma ligação. Era uma mensagem de Loredano. Peguei o celular, destravando a tela com pressa. E lá estava a frase mais esperada por mim.“Chego hoje. Saudades.”Fiquei alguns segundos olhando. Relendo e já sentindo a presença dele com antecedência. Um sorriso pequeno, involuntário, apareceu no canto dos meus lábios. Sentei-me na cama devagar, apoiando os pés no chão frio e respirei forte. Hoje seria o dia. Falaria com ele sobre a gravidez e queria ver a cara dele.— Hoje — repeti, mais firme.Fui para o banheiro, seguindo a rotina no automático. Água fria no rosto. Escova de dentes. Cabelo preso de qualquer jeito. Quando terminei, desci para a cozinha. Enqua

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