FAZER LOGINLOREDANOO toque do celular me arrancou de um sono pesado. O corpo estava exausto depois de quase três dias vivendo dentro daquele hospital.Então o telefone tocou outra vez. E algo dentro de mim gelou antes mesmo de olhar para a tela. E quando vi que a ligação era de Vina meu estado emocional virou um completo caos. Me sentei na cama imediatamente e atendi sem nem respirar direito.— Vina?Do outro lado, ouvi apenas choro. Um choro desesperado e descontrolado.— Vina, o que aconteceu?! Fala, meu amor, o que houve?Ela tentou falar, mas a voz saiu quebrada demais.— A-a Valentina…Senti meu peito afundar violentamente.— O quê? O que tem a Valentina?Ela continuou chorando. E então ouvi as palavras que fizeram o mundo inteiro parar.— Pegaram ela…Meu cérebro simplesmente não conseguiu processar. Aquilo era demais para mim.— O quê?— Ela sumiu… — a voz dela falhava entre soluços desesperados. — Loredano… alguém pegou nossa filha…Pulei da cama naquele instante.— QUEM PEGOU ELA?!— E
Depois dos exames, quando voltamos para o quarto, eu praticamente tive que expulsar Loredano do hospital naquela noite.— Vai para casa.Ele continuou parado perto da janela do quarto, os braços cruzados e aquela expressão teimosa que eu já conhecia bem demais.— Já falei que posso dormir aqui.— Nada disso. Você vai para casa. — Falei com firmeza.Ele soltou uma respiração cansada. Literalmente cansada. Os olhos estavam vermelhos, a barba começando a crescer de forma desleixada e a camisa parecia ter sobrevivido a uma guerra.— Vina, eu não quero deixar você e a Valentina sozinhas. E se acontecer alguma coisa?A preocupação dele me atingiu em cheio porque eu não queria ficar sozinha. Queria ele ali comigo. Eu precisava dele principalmente enquanto esperávamos os resultados daqueles exames. Queria dormir segurando a mão dele. Queria acordar e vê-lo recostado na poltrona ao meu lado. Queria aquela sensação absurda de segurança que só existia quando Loredano estava perto. Mas também co
Loredano me colocou na cama e puxou o cobertor sobre minhas pernas. E ficamos ali quietos, esperando o médico aparecer. Mas as horas foram passando e o médico não veio. E eu já estava surtando, porque depois que percebi que estava sem o movimento das minhas pernas, algo se apagou dentro de mim. Eu estava feliz pelo nascimento da minha filha, por outro lado, pensamentos ruins passavam pela minha cabeça o tempo todo a respeito da minha saúde. Loredano percebeu e para me distrair começou a me mostrar fotos da nossa viagem de lua de mel. Nossa! Aquele homem era maravilhoso! Mas o problema era que eu não estava conseguindo me distrair com nada.Não percebi a hora que adormeci. Mas a luz clara entrando pela janela denunciava que já era manhã. Porém, acordei com a sensação de que tinha dormido apenas alguns minutos. Meu corpo ainda parecia pesado, mas pelo menos o mal-estar tinha diminuído um pouco.Pisquei algumas vezes antes de virar o rosto. Loredano continuava ali. Sentado ao meu lado.
Eu falei num murmúrio baixo:— Eu não estou sentindo minhas pernas. Não consigo sentir nada. Elas estavam dormentes como se eu ainda estivesse anestesiada ou como se elas não existissem em mim. Meu corpo inclinou para frente automaticamente, mas antes que eu pudesse cair, os braços de Loredano me seguraram pela cintura.— Ei, calma.Naquele momento eu me agarrei nos ombros dele.— Isso não é normal. Não consigo sentir minhas pernas.A expressão dele, ficou imediatamente séria.— Relaxa, deve ser a anestesia ainda. — Falou tentando tranquilizar-meE então ele me pegou no colo e me colocou de volta na cama com o maior cuidado do mundo. Em seguida, ajustou o travesseiro atrás das minhas costas e cobriu minhas pernas. Meu coração aqueceu com aquele gesto.Loredano apertou o botão ao lado da cama e chamou a enfermagem do turno. Alguns segundos depois, ela apareceu no quarto.— Boa noite. — A enfermeira falou assim que entrou no quarto.— Minha esposa precisa ir ao banheiro — Loredano expl
O quarto ficou estranhamente silencioso depois que minha família foi embora. Ainda dava para sentir a energia deles no ar. As piadas de Manu, o otimismo de tia Madalena e a calma sempre controlada de tio Francisco.Loredano fechou a porta atrás deles e voltou para perto da cama.— Sua família é incrível!— E você já está adotado por eles.Ele puxou a cadeira novamente e se sentou ao meu lado. Meu corpo inteiro parecia uma massa remexida. Loredano percebeu meu desconforto e perguntou baixinho:— Tá doendo?— Um pouco.A expressão dele fechou na mesma hora.— Vou chamar a enfermeira.— Não! — Segurei a mão dele antes que levantasse. — É suportável.Ele voltou a sentar devagar, ainda claramente incomodado. Fiquei olhando para nossos dedos entrelaçados por alguns segundos. Aquilo ainda parecia surreal.Outra enfermeira entrou trazendo Valentina. Nossa filha estava acordadinha dessa vez, fazendo pequenos barulhinhos enquanto mexia os braços.— Hora da mamada — a enfermeira disse suavemente
Eu estava sonhando, sentada numa nuvem branquinha tendo aos braços a minha Valentina. Minha bonequinha mamava com gosto, enquanto eu cantava uma canção de ninar. E aquele lugar estava tão bom, tão aconchegante, que eu não queria mais voltar.Ao longe ouvi alguém chamar o meu nome. Franzi a testa antes mesmo de abrir os olhos e gemi baixinho ao sentir a cabeça latejar.— Vina! Ei… Vina!Despertei do sonho. Virei o rosto devagar e vi Loredano sentado numa cadeira ao lado da cama. A barba crescida e os olhos escuros presos em mim com uma intensidade absurda. Ele parecia exausto. Mas quando percebeu que eu tinha acordado, algo mudou no rosto dele.— Oi… — murmurei com a voz falhando.Ele soltou o ar devagar, como se estivesse segurando aquilo há horas.— Você me assustou pra caralho, Vina.— O que houve?— Achei que você estivesse passando mal enquanto dormia.— E Valentina, como ela está? — Perguntei preocupada.Os olhos dele amoleceram imediatamente.— Ela está bem — respondeu baixo. —







