LOGIN“Amy Ferretti” Juliet entra devagar, como se estivesse desfilando por um tapete vermelho em vez de pisar no chão sujo de um cativeiro. Há uma frieza no olhar dela que gela minha espinha. — Alfred — ela cumprimenta, sem sequer olhar para ele. — Pensei que tínhamos combinado que você ficaria calado. — Só estava conversando com ela. — Quanto menos falar, melhor. Você sempre fala demais, e isso é irritante. Alfred aperta a mandíbula, mas não responde, e isso me diz mais sobre a dinâmica entre os dois do que qualquer palavra poderia. Enquanto ele sai, Juliet finalmente volta a atenção para mim, e um sorriso quase gentil aparece no rosto dela. — Amy. Você está com uma aparência horrível. Não respondo, só mantenho o olhar fixo nela. Ela se aproxima, e cada passo parece calculado para me intimidar, para me lembrar que, aqui, o controle é inteiramente dela. — Como estão os meninos? — pergunta, baixando os olhos brevemente para minha barriga. — Espero que o estresse não esteja incomo
“Dante Ferretti” O relatório de expansão para o mercado asiático está projetado; o diretor financeiro está falando… Mas mal registro uma palavra. Meus pensamentos continuam na minha mulher. Nas coisas que ainda preciso resolver antes de finalmente nos mudarmos para nossa nova casa. O celular de Victor toca sobre a mesa. Ele olha rapidamente para a tela antes de se levantar e sair, já atendendo a ligação. Franzo as sobrancelhas. Ele nunca interrompe uma reunião sem necessidade. Minha atenção se prende à porta, esperando que ele volte. E, poucos minutos depois, a porta se abre novamente. Victor entra devagar, com o celular ainda na mão e os olhos fixos nos meus enquanto se aproxima. O sangue gela nas minhas veias assim que vejo o rosto dele. Algo está errado. Muito errado. — Saiam — digo, me levantando abruptamente e cortando o diretor no meio da frase. — Todos. Ninguém questiona. O tom da minha voz deixa claro que não é um pedido. A sala se esvazia em segundos
Olho meu irmão no chão, pressionando o abdômen com uma das mãos, e sinto todo meu corpo tremer.O sangue escorre entre os dedos dele, mas, ainda assim, meu irmão tenta se levantar.— Caleb! — grito, enquanto sou arrastada pelo salão.— Fica quietinha, ou volto e termino o serviço — o homem que segura meu braço avisa, próximo ao meu ouvido, com a voz fria o suficiente para gelar meu sangue.Meu corpo inteiro luta contra o instinto de resistir, mas o medo por Caleb, ainda caído, ainda sangrando, me imobiliza de um jeito que a ameaça sozinha não conseguiria.— Por favor — sussurro, olhando para meu irmão pela última vez antes de ser arrastada para fora do restaurante. — Alguém ajuda ele, por favor!Alfred está parado no meio do caos na calçada, com o rosto pálido, olhando para Caleb no chão como se, finalmente, entendesse o tamanho do que ajudou a causar.— Por favor! — grito, desesperada. — CHAMA UMA AMBULÂNCIA! SALVA MEU IRMÃO!Não sei se ele me escuta. Não sei se vai fazer alguma cois
Por alguns segundos, nenhum de nós se mexe. Alfred continua parado perto da entrada, olhando diretamente para mim. Ele não parece surpreso por nos encontrar. Parece… cansado. Muito mais do que cansado, na verdade. Caleb segue meu olhar e, quando vê para quem estou olhando, fica visivelmente tenso. — O que ele está fazendo aqui? — Não faço ideia. Meu pai começa a caminhar na nossa direção e, imediatamente, os seguranças percebem o movimento. Um deles se levanta discretamente, já com a mão na arma presa à cintura, mas faço um pequeno gesto com a mão, pedindo que espere. Quando Alfred para ao lado da mesa, Caleb se levanta na mesma hora, se posicionando quase automaticamente entre mim e ele. — O que você está fazendo aqui? — Eu só… — Alfred começa, e a voz falha de um jeito que nunca ouvi antes. — Estava passando e vi vocês pela janela. Só queria ver vocês. Só isso. Prometo que não vou causar problema. — Você nunca “só passa”, pai — murmuro, seca. — Eu sei que te dei motivos
O cheiro de tinta fresca ainda paira pelos cômodos, misturado ao papelão das caixas empilhadas por todos os cantos. Caleb sobe as escadas carregando mais uma, claramente sem prestar atenção à etiqueta colada na lateral. Do outro lado da sala, Dante organiza os livros na estante, com as mangas da camisa dobradas. Sim, eu poderia ter contratado alguém para se encarregar de tudo isso e só aparecer aqui quando tudo já estivesse pronto. Mas não teria a mesma graça. — Piccola, por que temos tantos romances aqui? — meu marido pergunta, balançando um dos livros. — Porque são meus — respondo, me virando para encará-lo. Ele olha para a estante, depois para a pilha de livros que ainda está espalhada pelo chão. Por um momento, acho que vai perguntar mais alguma coisa. Por fim, desiste e volta ao trabalho. Rio sozinha e observo a sala quase pronta, sentindo uma satisfação boba só de ver a casa, aos poucos, deixando de ser um ambiente vazio para se tornar nosso lar. Trinta e duas
Dessa vez, ninguém ri. Olho para Dante por um instante, mas ele já está olhando para mim. Baixo os olhos para o cartão e escrevo devagar. Quando termino, espero que ele faça o mesmo. Teresa conta até três, criando suspense. — Agora! Viramos os cartões. No meu, escrevi apenas uma coisa: conhecer vocês. Então olho para o cartão de Dante e encontro exatamente a mesma resposta. Conhecer vocês. Um sorriso surge no meu rosto antes mesmo que eu consiga impedir. Meu marido também sorri. Por um segundo, ninguém diz nada. Então Teresa sorri. — Essa pergunta vocês acertaram juntos. Sinto meus olhos arderem e rio baixinho, tentando disfarçar a emoção. Dante se levanta e para à minha frente, estendendo a mão para mim. Quando fico em pé, ele passa o braço pela minha cintura e me puxa um pouco mais para perto. — Essa era fácil — ele murmura, sorrindo. — Para vocês dois, talvez — Isabella comenta, sorrindo. A nonna enxuga discretamente o canto de um dos olhos antes de recuperar a po







