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Capítulo 12 – Farpas e Feridas

Author: Batistad
last update publish date: 2025-08-01 21:47:34

A manhã começara como qualquer outra na ONG, com as crianças correndo pelos corredores e os voluntários se organizando para mais um dia de atividades. Mas Anyellen sabia que havia algo diferente no ar. Algo que mexia com o ritmo natural das coisas. E esse algo usava terno, sorriso enviesado e olhos que pareciam ler até o que ela tentava esconder de si mesma.

Ela estava na sala de vidro, observando Miguel orientando um grupo de adolescentes na confecção de maquetes. Ele se abaixava, tocava com d
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    As paredes do salão estavam vivas.Não com tinta.Mas com alma.Cada quadro de Anyellen contava uma história que jamais coube inteira numa tela, mas mesmo assim, ela pintava.Pintava porque precisava lembrar a si mesma que a dor também pode virar cor.E porque, agora, sua arte não era mais sobre catarse.Era sobre construção.— Quantas bolsas já conseguimos? — ela perguntou, com os olhos fixos na tela de uma menina de olhos fundos e sorriso por vir.— Cinquenta e duas. E contando. — respondeu Mariana, com o tom de quem anunciava milagres diários.As telas estavam sendo vendidas em exposições organizadas por Raul Falconi e apoiadas por investidores sociais. O que antes era terapia silenciosa agora financiava bolsas de estudo, programas de reintegração, oficinas para jovens mães e projetos para adolescentes que, até ontem, só conheciam os tons acinzentados da rejeição.— Essas telas… são pedaços do que me faltou — Anyellen sussurrou, observando uma em especial: a que pintara com o rost

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    Eles não compraram nada.Construíram tudo.Cada parede daquele Instituto.Cada passo dado na casa com cheiro de vida nova.Cada gesto entre eles, ora nervoso, ora terno, que moldou não só um relacionamento, mas um propósito partilhado.O calendário marcava mais um ano de funcionamento do Instituto Ver-te.As salas estavam cheias de cores, vozes e desafios.E na manhã da nova organização dos horários, Anyellen, prancheta em mãos e sobrancelha arqueada, leu em voz alta:— Miguel Ferraz, três dias por semana, supervisão geral de logística, dois dias por semana… aulas de construção de maquetes?Ela ergueu os olhos para ele.Miguel sorriu, com aquele brilho nos olhos que nenhuma reunião de conselho jamais despertou.— Mantenha minha aula de maquetes — disse, cruzando os braços. —Já entendi que sou muito melhor com cola e papelão do que com ternos e acionistas.Anyellen riu e caminhou até ele.— Sabia que você não ia querer sair… — sussurrou, o beijando nos lábios com a doçura de quem tem

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