MasukAcordei com a mão de Matteo se movendo lentamente sobre a minha barriga.Estava deitada de lado, com as costas encostadas ao peito dele e seu braço envolvendo minha cintura. A coberta havia escorregado durante a noite, deixando parte do meu corpo descoberta, mas o calor de sua pele contra a minha tornava pouco convidativa a ideia de sair daquela cama.A claridade da manhã atravessava as cortinas, espalhando uma luz suave pelo quarto. Matteo usava apenas uma cueca boxer e continuava acariciando minha barriga, os dedos deslizando devagar sobre minha pele. Às vezes, interrompia o movimento por alguns instantes, como se hesitasse, antes de recomeçar.Sorri.Desde que soubera da gravidez, ele havia adquirido aquele hábito, embora quase sempre esperasse até achar que eu estava dormindo. Algumas noites, acordava e encontrava sua mão sobre minha barriga, os dedos se movendo com uma delicadeza que eu raramente via nele durante o dia. Nunca comentava nada. Preferia continuar quieta, deixando qu
Matteo correspondeu ao beijo, mas suas mãos permaneceram imóveis por um instante antes de se fecharem na minha cintura e me puxarem contra ele. Soltei a camisa dele para passar os braços ao redor de seu pescoço, enquanto seus lábios se moviam contra os meus. Senti seus dedos apertarem o tecido do vestido quando me aproximei ainda mais. O calor de seu corpo contrastava com o ar fresco do quarto, e tive de erguer um pouco o rosto para acompanhar o beijo.Quando sua boca desceu pelo meu pescoço, inclinei a cabeça e enterrei os dedos em seus cabelos. A barba por fazer roçou minha pele, e meus dedos se fecharam involuntariamente entre os fios. Matteo deslizou uma das mãos pelas minhas costas, mantendo-me junto dele enquanto seus lábios demoravam abaixo da minha orelha.A luz do abajur, junto à cama, alcançava a cômoda e parte do piso de madeira, deixando os cantos do quarto na sombra. O ruído discreto do ar-condicionado quase desaparecia sob nossas respirações.Minhas mãos encontraram nova
O trânsito avançava devagar, mas eu mal prestava atenção ao que acontecia do outro lado da janela.Desde que saíra da suíte de Salvatore, não tinha trocado uma palavra com Matteo. Ele também não insistira. Depois de entrar no carro ao meu lado, atendera uma ligação curta e guardara o celular, deixando-me entregue aos meus pensamentos.Eu tinha ido ao hotel para conhecer meu avô. Saía de lá com um convite para atravessar o oceano e uma dúvida que não conseguia afastar.Não aceite uma versão dos acontecimentos apenas porque foi a única que lhe contaram.Por que Salvatore havia olhado para Matteo ao dizer aquilo?— Ivy.A voz de Matteo interrompeu meus pensamentos, mas não desviei os olhos da janela.— Hm?— Está tudo bem?— Está.Ele demorou um instante antes de voltar a falar.— Tem certeza? Está se sentindo bem?Virei o rosto para ele.— Porra, Matteo. Agora tudo é sobre o bebê?— O quê?— Você ouviu.Matteo me observou por um momento, como se estivesse tentando entender de onde vinha
Matteo se levantou tão depressa que mal tive tempo de perceber o que estava acontecendo. Em dois passos, atravessou o espaço entre as poltronas, agarrou Salvatore pelas lapelas do paletó e o arrancou do assento. — Você mandou alguém entrar no quarto da minha mulher? — Matteo! — Levantei-me imediatamente. Ele nem sequer olhou para mim. Mantinha Salvatore preso pelo paletó, com o rosto tão próximo do dele que, por um instante, tive medo de que fosse acertá-lo ali mesmo. — Sabe o que eu faço com homens que chegam perto dela sem minha autorização? Salvatore segurou os pulsos de Matteo, tentando afastá-los. Não conseguiu. — Tire as mãos de mim, DeLuca. — Matteo, solte ele! Aproximei-me e segurei seu braço, sentindo os músculos rígidos sob meus dedos. Ele não cedeu nem um centímetro. — Matteo, por favor. — Minha voz saiu mais fraca do que eu gostaria. — Olha para mim. Só então ele virou a cabeça. Seus olhos ainda estavam carregados de uma raiva que me fez apertar o braço dele com
Salvatore Valenti se levantou quando entramos na suíte.Desde que descobrira sua existência, eu havia imaginado aquele encontro tantas vezes que esperava sentir alguma coisa ao vê-lo. Raiva, talvez, ou a emoção que as pessoas costumavam descrever quando encontravam um parente perdido.Mas, diante dele, não senti nenhuma das duas.Vi apenas um homem muito velho, de cabelos brancos e terno cinza impecável, que precisou se apoiar brevemente no braço da poltrona antes de vir em nossa direção. Seus olhos, de um verde acinzentado, permaneceram fixos em mim durante todo o percurso.— Ivy.O sotaque italiano era mais acentuado do que eu esperava.— Senhor Valenti.Ele desviou a atenção para Matteo.— DeLuca.— Valenti.A mão de Matteo continuava pousada na minha cintura. Enquanto Salvatore se aproximava, percebi Matteo examinar discretamente a suíte, os olhos passando pelas portas, pelas janelas e pelo corredor que levava aos outros cômodos. Eu já conhecia aquele hábito.Os dois apertaram as
Dois dias depois, eu estava deitada na cama com um livro aberto sobre as pernas quando Matteo entrou no quarto.Ouvi a porta fechar e continuei lendo, embora já tivesse reconhecido os passos dele no corredor.Matteo tirou o paletó, deixou-o sobre a poltrona e começou a desfazer a gravata.Li a mesma frase outra vez e, quando percebi, uma terceira.Quando o colchão afundou ao meu lado, ainda mantive os olhos na página.— Está bom?— Hum?— O livro.Olhei para ele.— Estava.A boca dele se curvou.— Estava?— Até você sentar aí e me fazer ler a mesma frase três vezes.— Eu nem fiz nada.— Ainda.Voltei os olhos para a página, já sorrindo.Matteo conseguiu ficar em silêncio por menos de cinco segundos.A mão dele pousou sobre meu joelho por cima do lençol e subiu devagar pela minha coxa.Baixei o livro.— Isso conta como fazer alguma coisa.— Não falei nada.— Realmente. Muito discreto.Ele sorriu.Antes que eu pudesse voltar ao livro, Matteo o tirou das minhas mãos e deixou na mesa de c







