INICIAR SESIÓNSai da sala com o contrato na mão.
Tive uma única conclusão de tudo isso. Minha vida tinha acabado de sair do controle. De novo. respirei fundo. Olhei para o papel — Não acredito que estou noiva... do meu chefe.— murmurei. pausa — Isso é no mínimo esquisito. — Concordo plenamente. Dei um pulo virei e dei de cara com Rodrigo. Ele estava encostado na divisória, com um café na mão e um sorriso que claramente significava problema. Ele era. analista financeiro fofoqueiro profissional e infelizmente meu amigo. — Há quanto tempo você está aí? — perguntei desconfiada. — Tempo suficiente para saber que você já fez alguma merda hoje. — Eu não fiz nada tá legal Ele olhou para o papel na minha mão. Depois para mim. — Lily... suspirei alto — Tá bom... Ele se aproximou. — O que você fez? Inclinei a cabeça. — Hipoteticamente falando… — Fala logo e para de me enrolar. — Eu falei que ele está noivo. Rodrigo piscou. Uma vez. Duas. — Você… o quê? — Foi sem querer tá legal!. — Sem querer você tropeça. Não inventa um noivado logo para o seu chefe. — Eu estava sob pressão. Não sabia oque falar. Ele passou a mão no rosto — Meu Deus Lily agora você vai ser demitida. Tomou mais um gole de seu café — E com quem você inventou que ele está noivo? Olhei para ele. Ele me olhou de volta. Os olhos dele se arregalaram lentamente. — Não. — Sim. — LILYYY... — Eu sei. Agora fica quieto porque ninguém pode saber que eu inventei isso. Ele começou a rir. Alto. Sem controle. — Isso é a melhor coisa que já aconteceu nessa empresa — disse entre risadas. — Eu posso ir presa? — Não sei, mas eu pagaria pra ver. Revirei os olhos. — Você é um péssimo amigo. — Eu sou um ótimo espectador. — Isso é o quê? — Um contrato. — Claro que é. — De noivado. Ele respirou fundo. — Deixa eu ver isso. Ele pegou o papel da minha mão e começou a ler. Silêncio. Então ele riu de novo. — “Contato físico mínimo aceitável”?! — Não comenta. — “Sem sarcasmo excessivo”? Isso aqui já começa inválido. Cruzei os braços. Ele continuou lendo. — “A Parte B deve segurar a mão da Parte A espontaneamente”… Lily, isso aqui é um romance ruim. — Obrigada. — Não foi um elogio. — Eu escolhi interpretar como um. Ele levantou o olhar. — Você percebe que isso vai dar muito errado, né? Inclinei a cabeça. — Eu prefiro pensar que vai dar… interessante. Antes que eu pudesse responder, ouvi uma voz atrás de mim. — Lily. Congelei. Beatriz estava parada com alguns papéis na mão. Ela era recepcionista organizada eficiente e sabia de absolutamente tudo que acontecia na empresa ou seja. Conseguia ser mais fofoqueira que o Rodrigo. — Eu deveria saber o que está acontecendo? Sorri. — Não. — Isso sempre significa algum desastre. Rodrigo, traidor profissional, abriu a boca. — Na verdade— Eu pisei no pé dele. Forte. — Na verdade nada — cortei rápido, sorrindo como se minha vida não estivesse desmoronando — é só… um assunto pessoal. Rodrigo fez uma careta de dor. — Muito pessoal — completei, olhando para ele com um sorriso ameaçador. Beatriz não pareceu convencida. Ela olhou para mim. Depois para Rodrigo. — É que ela está noiva. Meu coração parou. Literalmente. Rodrigo olhou para mim. Eu olhei para ele. Ele sorriu. O idiota sorriu. Beatriz piscou. — …O quê? Sorri. Naturalmente. Ou pelo menos tentei. Rodrigo virou o rosto pra esconder o riso. — Ela e o Nathan estão noivos. Rodrigo soltou um riso abafado. Eu lancei um olhar mortal pra ele. Beatriz me encarou como se estivesse tentando decidir se eu estava brincando ou se tinha perdido completamente o juízo. — Isso é sério? — Sim. — Você e o senhor Vasconcelos? — Sim. Rodrigo murmurou: — Eu avisei que ia dar ruim… Pisei no pé dele de novo. Beatriz cruzou os braços. — Desde quando? — Desde… hoje. — Hoje?! — Foi… rápido. — Muito rápido. — A gente é eficiente. Rodrigo tossiu. — E apaixonados — acrescentou, claramente tentando piorar tudo. Eu sorri sem mostrar os dentes. — Muito. Beatriz ainda não parecia convencida. — Isso não faz sentido. — Amor não faz sentido — respondi automaticamente. Rodrigo virou o rosto pra parede. Ele estava rindo. Eu ia matar ele. — Eu vou fingir que isso é normal. — Ótimo — respondi rápido demais. — Mas não é. — Nem um pouco. Beatriz começou a sair, mas parou no meio do caminho. Ela me analisou por mais um segundo. Depois saiu desconfiada. Eu virei lentamente para Rodrigo. Ele ainda estava rindo. — Você é um péssimo ser humano. — Isso foi incrível — disse ele, limpando uma lágrima de tanto rir. — Eu quase tive um infarto. — Valeu a pena. — Se isso explodir na minha cara, eu te levo junto. — Eu vou com orgulho. Antes que eu pudesse responder, a porta do escritório do Nathan se abriu. Silêncio instantâneo. Ele saiu. Assustadoramente elegante. Os olhos dele foram direto para mim. Depois para Rodrigo. — Lily. — Sim? — Meu escritório. Agora. Sorri. — Claro. Olhei para Rodrigo. Que fez um gesto de “você está morta”. Respirei fundo. E fui. Porque, sinceramente? Inventar um noivado já era ruim. Mas lidar com o Nathan depois disso… Era definitivamente pior.Passei a noite inteira tentando convencer a mim mesma de que aquele e-mail não mudaria nada. Foi inútil. A mensagem continuava na minha cabeça, repetindo-se como uma música irritante que eu não conseguia desligar. Você tem três dias. Três dias para abandonar Nathan antes que alguém expusesse a verdade sobre o nosso noivado. Três dias para decidir se eu seria capaz de continuar ao lado dele sabendo que, a qualquer momento, alguém poderia destruir tudo o que ele havia construído. E o pior era que eu não sabia quem estava por trás da ameaça. Nem se aquela pessoa realmente tinha provas. Mas tinha o contrato. O contrato que deveria ter terminado muito antes de eu me apaixonar pelo homem que o assinou comigo. Na manhã seguinte, acordei com o braço de Nathan ao redor da minha cintura e o rosto dele escondido perto do meu pescoço. Por alguns segundos, permiti-me esquecer tudo. Virei devagar para observá-lo. Dormindo, ele parecia mais jovem. Menos sério. A expressão rígid
Eu queria me lembrar daquela noite pelo resto da vida. Não como a última antes de partir, nem como a noite em que escolhi deixar para trás o homem que amava. Queria me lembrar dela como se ainda houvesse um amanhã esperando por nós. Por isso, quando Nathan chegou em casa, fiz questão de recebê-lo na porta. Ele mal teve tempo de tirar as chaves do bolso antes que eu me aproximasse, segurasse seu rosto entre as mãos e o beijasse. Nathan pareceu surpreso por um segundo. Depois, sorriu contra minha boca e me envolveu pela cintura. — Ora, ora. — Ele se afastou apenas o suficiente para me olhar. — Se eu soubesse que seria recebido assim, teria saído do trabalho mais cedo. — Você já sai cedo demais. — Eu sou o dono da empresa. — E eu sou a pessoa que impede você de transformar sua agenda em um desastre. Ele riu e me deu outro beijo. — Sentiu minha falta? A pergunta era simples. A resposta, não. — Mais do que você imagina. O sorriso dele se suavizou. Nathan
Eu gostava das minhas manhãs. Gostava do café que Nathan deixava pronto para mim, dos beijos roubados antes de sairmos de casa e até das mensagens que ele enviava do outro lado do escritório quando queria minha atenção sem precisar admitir que estava com saudade. Naquela manhã, por exemplo, eu tinha acabado de me sentar à minha mesa quando meu celular vibrou. Nathan: Você esqueceu uma coisa em casa. Franzi a testa. Lily: Minha bolsa está aqui. Meu celular também. E tenho certeza de que estou usando calças. Nathan: Eu estava falando do meu beijo de despedida. Mordi o lábio para não sorrir feito uma adolescente. Lily: Você me beijou na cozinha. Nathan: Insuficiente. Lily: Vou registrar uma reclamação formal contra o CEO. Nathan: Pode trazer pessoalmente à minha sala. Revirei os olhos, sorrindo. Aquele homem era impossível. E eu estava tão apaixonada por ele que começava a achar que precisava de ajuda profissional. Abri meu computador, organizei os compromissos da manhã e
Um mês. Trinta dias desde que Nathan me beijou sem precisar de plateia. Trinta dias desde que paramos de fingir, embora ninguém tivesse se dado ao trabalho de avisar oficialmente o contrato. E, sinceramente, eu estava começando a achar que aquele documento precisava de um advogado, um psicólogo e, talvez, uma intervenção divina. Porque minha vida tinha mudado completamente. Eu acordava abraçada a Nathan. Tomava café com ele. Discutia com ele sobre coisas ridículas, como a quantidade de tempero que deveria ir em um molho ou o fato de ele considerar organizar a despensa uma atividade relaxante. E, em algum momento entre uma discussão e outra, tinha começado a beijá-lo sempre que sentia vontade. O que era um problema sério. Principalmente porque eu sentia vontade o tempo inteiro. Naquela segunda-feira, por exemplo, eu estava atrasada. Muito atrasada. E Nathan, em vez de colaborar, estava encostado na bancada da cozinha, tomando café como se não existisse uma agenda esperando
A primeira coisa que percebi ao acordar foi que estava quente demais. A segunda foi que eu não conseguia me mexer. A terceira… Bem, a terceira foi que Nathan tinha uma perna jogada sobre as minhas, um braço ao redor da minha cintura e o rosto perigosamente próximo do meu pescoço. Fiquei imóvel por alguns segundos. Não porque estivesse desconfortável. Muito pelo contrário. O problema era que eu poderia me acostumar com aquilo. Com o calor dele, com a respiração tranquila contra minha pele, com a mão que repousava na minha cintura como se aquele fosse exatamente o lugar onde deveria estar. E eu não tinha a menor ideia do que fazer com essa informação. Virei o rosto devagar. Nathan estava dormindo. Sem a expressão séria que costumava carregar no escritório, sem a postura impecável, sem aquela arrogância irritante que fazia qualquer reunião parecer um interrogatório. Parecia mais jovem. Mais tranquilo. E absurdamente bonito. Que injustiça. Eu precisava de um mecanismo leg
O silêncio do quarto ganhou um peso diferente, preenchido apenas pelo som suave da nossa respiração acelerada. A iluminação fraca do abajur desenhava sombras quentes na parede, criando um refúgio acolhedor onde a ironia de instantes atrás começava a ceder espaço para uma entrega absoluta. Nathan deslizou as mãos lentamente pelas minhas costas, descendo até a minha cintura. Cada centímetro do toque dele deixava um rastro elétrico na minha pele. Passei as mãos por seus ombros, livrando-o do paletó, que caiu sem cerimônia no chão, seguido logo em seguida pela gravata que eu tanto havia segurado. Ele se afastou um milímetro, os olhos escuros fixos nos meus, varrendo cada detalhe do meu rosto com uma intensidade que fazia meu estômago dar voltas. — Você tem certeza? — a voz dele veio baixa, num sussurro rouco que arrepiou minha nuca. — Nathan — sorri fraco, deslizando os dedos pelos cabelos macios da nuca dele, puxando-o para mim —, se você fizer mais uma pergunta burocrática, eu vou







