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Contrato de vingança: casada com o Inimigo
Contrato de vingança: casada com o Inimigo
Autor: Yunari princy

CAPÍTULO 1

last update Data de publicação: 2026-04-01 13:50:49

Eu era uma órfã que acreditava ter tirado a sorte grande na vida. Adotada por uma família de posses e prestígio, desfrutava de uma vida que muitos só podiam sonhar em ter: pais amorosos, uma fortuna sem fim e um noivo que me amava.

Mas, da noite para o dia, tudo se foi.

Meus pais sofreram um golpe, a empresa deles faliu e, temendo a vergonha de ver seus nomes na lama, optaram por uma fuga definitiva: o suicídio.

— Pai, mãe! — chamei ao entrar em casa, regressando às pressas das férias interrompidas.

Porém, toda a casa estava em silêncio. Nenhum empregado, ninguém para me receber como de costume.

Corri até o quarto deles, e o que vi paralisou todo o meu corpo: meu pai e minha mãe estavam deitados na cama, de mãos dadas e com os rostos pálidos, mortos.

Todo o meu corpo congelou, e notei o frasco de veneno jogado no chão. Desesperada, corri até eles, abanando seus corpos frios.

— Pai, mãe, acordem! Por favor, acordem! — gritei em prantos, sacudindo os corpos rígidos.

Meu choro foi interrompido pela campainha, que tocava freneticamente.

Ao abrir a porta, homens de terno invadiram o local com uma ordem judicial para confiscar a casa.

Ignorando minha dor, etiquetaram cada móvel e objeto, até mesmo a cama onde meus pais jaziam.

— Você tem 24 horas para desocupar o imóvel — disse um dos oficiais, com a voz fria, antes de sair batendo a porta.

Logo em seguida, meu celular vibrou com notificações do banco:

"Seus cartões foram bloqueados."

"Suas contas foram congeladas."

Tentei ligar para o gerente do banco, mas ele foi ríspido:

— Não temos mais ligação com os Fuentes. Por favor, não volte a ligar.

Desesperada, liguei para sócios do meu pai, amigos, contadores e advogados; todos desligavam no primeiro toque.

Corri aos cofres da casa, e todos estavam abertos e completamente vazios. Eu estava sem um centavo sequer para o funeral deles.

No ápice do desespero, a campainha soou novamente.

Quando cheguei a sala, ali estava ele, como um salvador enviado pelos céus, Vítor Régnier, meu noivo.

Corri até ele como quem corre para seu porto seguro, pronta para me jogar em seus braços. Mas parei ao ver a figura feminina que surgiu atrás dele.

Adelina Sampaio.

A mulher que mais me odiava no mundo. A mulher que me odiava desde os tempos do orfanato, um ódio gratuito que eu nunca consegui entender.

Ela caminhou até Vítor, segurando o braço dele com intimidade, como se fossem... um casal.

— Evelyn, que bom que você ainda está aqui — disse Adelina, com um sorriso de orelha a orelha. — Assim não teremos o trabalho de convidar você para visitar nossa nova casa, não é, amor?

Recuei, zonza e incrédula. Olhei para Vítor, buscando alguma explicação.

— V-Vítor... o que é isso? O que essa mulher está fazendo aqui? Do que ela está falando?

Vítor me encarou com um olhar gélido que eu nunca tinha visto antes.

— Você tirou tudo da Adelina no passado. Era para ela ter sido adotada pelos Fuentes, se você não a tivesse deixado doente naquela época.

— O quê? D-Do que você está falando? — voltei a perguntar, sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

Vítor caminhou até mim, me cobrindo com sua aura negra e opressora, a mesma que ele usava para intimidar qualquer um que tentasse me machucar.

— Dar um golpe na empresa do seu pai e orquestrar a tomada de tudo foi só o começo. Vou garantir que você pague, centavo por centavo, tudo o que tirou da Adelina!

Ele segurou meu queixo com força, causando-me dor, com a mesma mão que um dia usou para acariciar meu rosto.

Nós três havíamos crescido no mesmo orfanato. Eu fui adotada, mas nunca os esqueci. Quando Vítor se formou no ensino médio, implorei para meus pais pagarem sua faculdade na melhor universidade do país.

Naquela época, ele se ajoelhou aos meus pés, jurando devoção eterna. E eu, na minha ingenuidade romântica, pedi apenas que ele fosse meu noivo.

Após a formatura, meu pai o colocou como diretor-geral, tratando-o como o sucessor perfeito, como um filho.

Mas, como um cão ingrato, ele mordeu a mão que o alimentou. Deu um golpe na empresa, esvaziou os cofres e usou o dinheiro para comprar nossos bens confiscados.

— Pegue suas coisas e saia! A partir de agora, a legítima senhora desta casa é a Adelina. — Ele ordenou com a voz fria, soltando meu rosto de forma brusca.

— Por quê? — perguntei entre lágrimas. — Eu amei você. Fiz tudo por você! Por que você está fazendo isso comigo?!

Vítor soltou uma risada de escárnio.

— Eu sempre amei a Adelina! Se você não tivesse cruzado o nosso caminho, ela teria a vida perfeita que você roubou dela!

— Amor, pega leve... afinal, ela acabou de perder os pais. — Adelina ironizou, com um sorriso perverso.

— E daí? Se eles morreram, a culpa é toda dela! Se eles tivessem adotado você, nada disso teria acontecido. — Vítor acariciou o rosto dela, sorrindo.

— VÍTOR! — gritei, não conseguindo mais suportar aquilo.

— Meus pais estão mortos porque você os empurrou para o abismo! Você é o culpado por tudo isso!

Em um surto de fúria e dor, agarrei um vaso de porcelana e o joguei na direção deles, transformando a sala em um caos de cacos voando por todos os lados.

Vítor protegeu Adelina com o próprio corpo, mas um estilhaço minúsculo raspou a têmpora dela, fazendo um fio de sangue escorrer.

— Ai! Meu rosto está arruinado! Vítor, faça alguma coisa! — ela choramingou de forma dramática.

Vítor se virou para mim com os olhos injetados de ódio. Antes que eu pudesse reagir, desferiu um tapa violento no meu rosto, forte o suficiente para me arremessar contra os cacos de vidro espalhados pelo chão.

Minhas mãos e joelhos foram cortados, sangrando no mesmo instante, enquanto meu rosto ardia pelo tapa.

— Evelyn! Pare com esse chilique de menina mimada! Ponha-se no seu lugar. Você não é nada agora! — Vítor gritou, apontando o dedo para mim, antes de se virar e pegar Adelina no colo.

— É melhor você rezar para o rosto da Adelina não ficar marcado, ou eu mesmo desfiguro o seu.

Levantei o rosto lentamente, apenas para vê-lo saindo, levando Adelina em seus braços.

Ela me encarou por cima do ombro, sorrindo de forma perversa, como se dissesse:

"Eu venci."

Por longos minutos, fiquei ali caída entre os cacos de vidro e o sangue, como algo inútil que já não tinha valor algum, descartada. Em poucas horas, perdi meus pais, minha casa, minha fortuna e o homem que jurava me amar. Achei que aquele fosse o pior dia da minha vida. Mal sabia eu que o verdadeiro inferno ainda estava apenas começando.

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