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Capítulo Dois: Descartada

Autor: Joyce Claire
last update Data de publicação: 2026-09-22 03:11:37

Eu nem sequer lembro como saí do escritório de Jason.

Um minuto eu estava olhando para o homem que eu amava me entregando papéis de divórcio, no seguinte, eu estava presa dentro do elevador, encarando meu reflexo nas paredes espelhadas.

A mulher que me olhava de volta era uma estranha, o batom estava borrado, os olhos vermelhos e a mão esquerda completamente vazia.

Sumiu, tudo tinha sumido.

Minha garganta estava apertada, levantei a mão e toquei o lugar vazio no meu dedo, uma dor aguda e física cortou meu peito. 

Vinte e quatro horas, esse foi o tempo que meu casamento durou.

As portas do elevador se abriram no saguão principal da Crane Global, o enorme piso de mármore estava lotado de pessoas, funcionários, executivos e clientes. 

A corrida corporativa usual, ninguém deveria se importar comigo, mas assim que saí, a sala inteira ficou em silêncio mortal, as conversas baixaram para sussurros, cabeças se viraram enquanto dezenas de olhos se fixavam em mim.

Senti um frio, pesado pavor se instalar no meu estômago, algo estava errado.

Uma mulher perto da recepção olhou para o telefone, levantou o olhar para mim e cutucou a colega. Os murmúrios me seguiram como uma onda, até o segurança na porta desviou o olhar, o rosto tenso de constrangimento.

Meu coração começou a bater com força contra as costelas, puxei o telefone e a tela era um campo de guerra.

 Trinta e sete chamadas perdidas, vinte e duas mensagens e um fluxo interminável de alertas de notícias de última hora, com dedos dormentes, toquei a primeira manchete e meu mundo parou.

HERDEIRA CRANE PEGA TRAINDO HORAS ANTES DO CASAMENTO.

Rolei freneticamente enquanto outra manchete aparecia.

NOIVA DO CEO BILIONÁRIO EXPOSTA.

A TRAIÇÃO CHOCANTE DE SERENITY GRAYSON.

As fotografias, aquelas horríveis, distorcidas fotografias que Jason acabara de jogar em mim estavam em todo lugar, milhões de pessoas as estavam olhando agora.

Imediatamente uma risada ofegante e amarga escapou de mim.

 A tinta nos papéis de divórcio nem sequer estava seca ainda, e o país inteiro já estava me ridicularizando, quem quer que tivesse feito isso planejara desde o começo. 

Eles não queriam apenas arruinar meu casamento, queriam destruir minha vida.

"Olhem para ela," alguém sussurrou por perto. "Como ela pôde fazer isso com Jason Crane?"

"Shh, ela está bem aí."

O calor subiu no meu rosto, queimando quente e humilhante. Eu queria que o chão se abrisse e me engolisse, mas não daria a eles a satisfação. Levantei o queixo, forcei as pernas a se moverem e continuei andando. Eu me recusei a desmoronar na frente de uma multidão de estranhos.

No segundo em que empurrei as portas giratórias, a calçada explodiu, flashes de câmeras me cegaram, uma parede de repórteres invadiu, empurrando microfones diretamente no meu rosto.

"Serenity! Você traiu seu marido?"

"Jason te pegou no ato?"

"Esse casamento foi só um golpe pela fortuna Crane?"

Eu congelei nos degraus, o barulho me sufocando, eu nem conseguia respirar. Eu só pensava no que fazer a seguir ou talvez desaparecer.

"Você tem algo a dizer ao público?" um repórter gritou, empurrando uma câmera a centímetros dos meus olhos.

Minha vida inteira estava sendo rasgada por entretenimento, e ninguém se importava com a verdade.

Empurrei através da multidão agressiva, minha visão embaçando com lágrimas quentes e frustradas. Eu queria sair, assim que alcancei a guia, um carro de luxo preto parou, a porta se abriu, e uma minúscula, tola faísca de esperança se acendeu no meu peito. Jason. Talvez ele não me odiasse, talvez tivesse mandado um carro para me resgatar do circo da mídia.

O motorista saiu, evitando completamente meu olhar, minha esperança morreu instantaneamente.

"Senhorita Grayson," ele disse quietamente.

Não Sra. Crane. Senhorita Grayson.

A rejeição tinha gosto de cinza, ele caminhou até a traseira e abriu o porta-malas. Lá dentro estavam três malas grandes, minhas malas. Tudo que eu possuía, empacotado e retirado da propriedade Crane antes mesmo de eu assinar os papéis.

Meu peito apertou tanto que doeu fisicamente, eles não apenas me divorciaram, eles me apagaram.

"Quando essas foram empacotadas?" eu sussurrei.

O motorista se mexeu desconfortavelmente, olhando para a calçada.

"Esta manhã, senhora."

Esta manhã, antes de Jason me entregar os papéis ou antes mesmo de ele fingir ouvir o meu lado da história, o veredicto fora decidido antes mesmo de eu acordar.

"Obrigada," eu engasguei, minha voz rachando.

O motorista assentiu rigidamente, voltou para o carro e acelerou no trânsito de Nova York, me deixando completamente abandonada na calçada lotada com minhas malas.

Eu envolvi os braços em torno de mim, um vento frio cortando minhas roupas, eu não tinha para onde ir, não tinha ninguém para ligar.

Meu telefone vibrou na minha mão, uma mensagem da minha mãe.

Meu peito desmoronou enquanto eu lia.

Como você pôde envergonhar esta família assim? Sloane está absolutamente devastada,

Eu olhei para a tela, esperando uma segunda mensagem, uma mensagem perguntando se eu estava bem ou perguntando onde eu estava.

Nada veio.

Sloane estava devastada, era tudo o que importava para eles, aquela velha e familiar dor da minha infância se acendeu, o lembrete doloroso de que eu sempre fui a irmã comum, a irmã maior, a decepção que ninguém nunca escolhia primeiro.

Eu limpei uma lágrima solitária da minha bochecha, não, não aqui.

De repente, a tela do telefone se acendeu de novo. O nome de Sloane piscou, meu temperamento estourou, e eu atendi antes de conseguir me impedir.

"Serenity?" a voz dela veio,

escorrendo de falsa, ofegante preocupação.

“Oh meu Deus, você está bem? Eu estava tão preocupada"

"Economize a performance, Sloane," eu interrompi, minha voz tremendo de pura raiva. "Você deveria ganhar um prêmio pelo que fez hoje."

Houve uma aguda inspiração do outro lado. "Eu não sei o que você quer dizer... Eu só estava tentando proteger Jason de ser magoado."

"Você sabia dessas fotos antes de hoje," eu cuspi, ignorando o fluxo de trânsito ao meu redor. "Você armou essa coisa toda."

"Eu não sei por que você está sendo tão paranoica," Sloane sussurrou, o tom dela mudando para aquela voz doce de vítima que ela usava para conseguir o que queria. 

"Você arruinou seu próprio casamento, Serenity."

Uma risada brutal e oca escapou de mim, "Você quer saber qual é a pior parte, Sloane? Eu teria te dado, se você quisesse tanto o Jason, você não precisava me destruir para consegui-lo. 

Você passou a vida inteira levando tudo o que eu tenho de qualquer forma."

"Serenity, você está ficando louca"

"Adeus, Sloane."

Eu bati no botão de desligar, cortando-a antes que ela pudesse tecer outra mentira,

Baixei o telefone, e a barragem finalmente se rompeu, parada na calçada suja de Nova York ao lado das minhas malas, deixei as lágrimas caírem.

Eu não chorei por causa do escândalo, ou do dinheiro, ou mesmo do penthouse, eu chorei porque cada medo sombrio que eu carregara desde pequena acabara de se tornar realidade. 

Ninguém nunca me escolheu, nem meus pais ou minha irmã e nem o homem a quem eu dera meu coração na noite passada.

Eu estava completa, totalmente sozinha.

Respirei fundo, trêmula, e agarrei a alça da minha mala, forçando-me a me mover. Eu precisava encontrar um hotel, eu precisava me esconder.

Mas no segundo em que dei um passo, uma onda violenta de náusea me atingiu do nada.

Meu estômago se contorceu tão forte que quase me dobre. O mundo girou, e eu tive que agarrar um poste de luz próximo só para não desmoronar no concreto. Apertei os olhos, prendendo a respiração até a tontura finalmente passar.

Só estresse, eu me disse, limpando um suor frio da testa, eu não comi o dia todo. É só o estresse, forcei-me a ficar ereta, agarrei as malas e caminhei pela cidade.

Eu não tinha ideia de que o estresse não era a razão do meu corpo estar falhando, eu não tinha ideia de que um minúsculo batimento cardíaco já crescia dentro de mim, um segredo que um dia traria o império Crane inteiro de joelhos.

Jason Crane pensou que tinha me jogado fora, mas este não era o fim da minha história. 

Era apenas o começo.

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