LOGINEu abri a porta. Marcus estendeu o envelope como se ainda pudesse estar quente.— O motoboy trouxe para o meu escritório às onze — ele disse. — Eu não toquei no lacre.Jason estava um passo atrás dele no corredor. Vestia o mesmo terno que usara na quinta-feira. Ou tinha dormido com ele ou não tinha dormido de jeito nenhum.— Entrem — eu disse.Dana tinha levado Rowan ao parque às dez. Por volta das onze e meia, ela me mandou uma foto dele sentado num cavalo de carrossel, um punho erguido no ar. Daxton tinha pedido só adultos hoje.Ele estava no sofá com os cotovelos nos joelhos. Estava ali desde as sete. Um bule de café ficava sobre a mesa, frio e intacto.Marcus colocou o envelope sobre a mesa de centro. Jason caminhou até a janela e ficou de pé com as mãos nos bolsos. Tirou-as, colocou-as de volta, depois puxou a poltrona para mais perto e se sentou.— Quem abre? — perguntou Marcus.— Nós dois — disse Daxton.Cada um pegou um canto da aba e rasgaram juntos. Marcus se virou para a pa
O motorista pigarreou. — Pessoal? O sinal está verde.— Hotel — disse Daxton.Foi tudo o que ele disse até entrarmos no elevador.No quarto, ele ficou no meio do carpete, sem sentar, sem tirar o casaco.— Eu vou — ele disse.— Tudo bem.— Não sozinho. Quero o Marcus lá. Quero o advogado dela lá. Quero você.— Por que eu?— Toda vez que imagino entrar naquela casa, vejo minha mãe empurrando um esfregão pelo chão às duas da manhã, e eu não consigo respirar. — Ele esfregou o rosto. — Depois imagino você ao meu lado, e consigo.Peguei a mão dele. Estava um pouco trêmula. — Eu estarei lá.Marcus marcou para sexta-feira às duas. Dana veio ficar com Rowan, que estava construindo um tubarão de travesseiros e queria saber se tubarões também tinham que ir a reuniões.O guarda do portão acenou para o nosso carro passar sem ligar antes desta vez. Eu notei. Daxton também.Um homem de terno cinza nos encontrou na porta da frente e se apresentou como Theodore Marsh, o advogado da família. Apertou a
A clínica ficava a dez minutos do hotel. Ficava no segundo andar de um prédio que também tinha um consultório odontológico e uma farmácia. Marcus tinha ligado antes, então uma enfermeira estava nos esperando no balcão. Ela nos cumprimentou, pegou a prancheta e nos levou até uma pequena sala de espera com seis cadeiras e um aquário.Jason pegou a cadeira junto à janela. Daxton pegou a mais distante dela. Eu sentei entre os dois porque ninguém me disse para não fazer isso. Marcus ficou de pé junto à porta com a pasta, do jeito que fazia em todos os momentos difíceis, como se ficar ali fizesse parte do trabalho dele.Ninguém falou. O aquário borbulhava. O joelho de Jason balançava, parava, depois começava de novo.— A luva — ele disse finalmente.Daxton olhou. — O quê?— A que estava no seu colo no carro. Que tipo era?— Ah. — Daxton quase sorriu. — Rawlings. Frank comprou usada numa venda de garagem. Dois dólares. Era grande demais, mas eu usei mesmo assim.Jason assentiu devagar. — A m
Daxton quase não dormiu na terça nem na quarta à noite. Eu o ouvi levantar às três da manhã nos dois dias e sentar junto à janela com as luzes apagadas. Eu não perguntei. Quando ele quisesse falar, falaria.Na quinta-feira, às dez, ele sentou ao meu lado no sofá do hotel, as mãos entrelaçadas entre os joelhos. Marcus sentou na cadeira em frente a nós. Dana tinha levado Rowan ao aquário; ela lhe prometera tubarões.Jason bateu às 9:58.Marcus o deixou entrar. Ele vestia um terno escuro sem gravata, o colarinho aberto, como um homem que tinha colocado uma e depois tirado de novo. Carregava uma pasta fina; não se sentou até que Marcus apontasse para a poltrona.— Obrigado por me deixarem vir — ele disse.— Marcus disse que você queria nos mostrar alguma coisa.Ele abriu a pasta e colocou os papéis sobre a mesa de centro. Reconhecimento de Paternidade. O nome dele estava digitado com cuidado numa linha que nunca tinha sido assinada.— O advogado da minha mãe preparou isso. Eu tirei da mes
Ninguém falou por muito tempo. Marcus pousou a caneta. Daxton olhava para o café que acabara de colocar sobre a mesa, como se tivesse esquecido por que o havia servido.— Dax — eu disse.— Me dá um segundo.Ele se levantou e caminhou até a janela, pressionando as duas mãos contra o vidro. Seus ombros subiam e desciam. Lá embaixo, na rua, um caminhão de entregas dava marcha a ré para entrar num beco, e o som do bip chegava até o nosso andar.— Ela limpava escritórios à noite — ele disse sem se virar. — Numa cidade perto de Dayton. Eu costumava adormecer no banco de trás do carro enquanto ela trabalhava. Ela nunca comprava nada para si mesma. Nem um casaco. Nem mesmo um corte de cabelo.Marcus esperou. Eu esperei.— Quando eu tinha doze anos, descobri que o homem que me criou não estava na minha certidão de nascimento. Vi isso num formulário da escola. Frank. O homem a quem eu chamava de Pai. — Ele deu uma risada curta. — Foi ele quem me ensinou a consertar uma pia.Pensei na torneira p
O pedido de divórcio de Jason chegou às notícias na segunda-feira à tarde. Na manhã de terça-feira, ninguém conseguia parar de falar o nome dele ou o de Sloane, e eu tinha parado de ler.Marcus chegou ao hotel um pouco depois das nove com um envelope manila debaixo do braço. Parecia que estava acordado há horas. Dana tinha levado Rowan ao parque para andar no carrossel. Daxton serviu um café a Marcus sem perguntar.— Aldric Voss foi preso ontem de manhã — disse Marcus. — É um detetive particular que trabalha para Cordelia e seus associados há anos. Ele está respondendo às perguntas dos investigadores desde o almoço.Pousei a xícara.— Jason deu o nome de Aldric ao promotor no sábado à noite, com o advogado presente. Também contou a eles tudo o que Cordelia admitira a ele no escritório dela, inclusive que ela dissera a Aldric para tirá-la da cidade, mas nunca perguntara como ele planejava fazer isso.— E o Aldric?— Ele contratou um homem com quem já trabalhara antes e disse a ele para







