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Capítulo Três: A Noiva Que Ele Nunca Quis

last update Veröffentlichungsdatum: 22.09.2026 03:13:23

Três meses antes.

"Parabéns, Serenity, você vai se casar."

O garfo escorregou dos meus dedos, batendo alto contra o prato, a sala de jantar caiu em silêncio mortal enquanto eu encarava meu pai do outro lado da mesa. 

"Com licença?"

Papai nem sequer levantou o olhar, apenas limpou a boca calmamente com um guardanapo de linho, agindo como se não tivesse acabado de invadir meu futuro inteiro. 

"A família Crane aceitou a proposta."

Meu estômago despencou, os Cranes. 

Todo mundo em Nova York conhecia aquele nome, eles possuíam o horizonte da cidade, compravam políticos e controlavam o tipo de riqueza geracional que os tornava intocáveis.

"Que proposta?" eu sussurrei, minha voz soando incrivelmente pequena na grande sala.

Mamãe tomou um gole lento de seu vinho, a expressão completamente distante.

"A proposta de casamento, Serenity."

A sala inclinou, forcei uma risada nervosa, esperando que alguém se juntasse, mas ninguém o fez e ninguém estava brincando.

"Vocês estão falando sério," eu disse, meus dedos se curvando firmemente no colo.

Papai assentiu. "Muito."

Do outro lado da mesa, Sloane sentava perfeitamente quieta, um olhar estranho e ilegível passou por seus olhos antes de ela rapidamente o mascarar.

"Por que eu?" A pergunta escapou antes que eu pudesse impedir.

Nenhum dos meus pais respondeu imediatamente, aquele silêncio doía mais do que quaisquer palavras poderiam. Todos nós sabíamos a verdade. Sloane era a bonita e a favorita deles. 

A irmã que as pessoas notavam no segundo em que ela respirava, se uma dinastia bilionária queria uma aliança com os Graysons, escolher Sloane fazia perfeito sentido.

Mamãe limpou a garganta, quebrando o silêncio pesado. "O contrato original especificava a filha mais velha."

Lá estava., então não era porque os Cranes me queriam, eu apenas tinha nascido primeiro, uma transação baseada em uma certidão de nascimento.

"E se eu não quiser?" eu perguntei, encarando minha comida intocada.

O olhar que Papai me deu foi instantaneamente congelante. "Você sabe exatamente o quão importante isso é para a posição da nossa família, Serenity. Não seja difícil."

Eu desviei o olhar, engolindo a súbita queimação de ressentimento. Eu passara a vida inteira sendo a irmã que se afastava, a que ficava quieta para que Sloane pudesse ter o que queria. Aparentemente, meu casamento não era diferente.

"Quem é ele?" eu perguntei quietamente.

O rosto de Mamãe imediatamente se iluminou.

 "Jason Crane."

Meu coração saltou um batimento duro e errático. Jason Crane. O implacável CEO de tecnologia, o homem sobre quem as socialites sussurravam e as revistas de negócios descreviam como um predador em um terno sob medida e um homem completamente fora da minha liga.

"E ele realmente concordou com isso?"

Papai soltou uma risada seca e sem humor. "Ele também não teve escolha. É negócios."

Uma estranha, inesperada dor apertou no meu peito.

Então Jason estava sentado em algum penthouse agora, recebendo seu destino exatamente como eu, nenhum de nós tinha sido escolhido, éramos apenas peças em um tabuleiro.

Quando finalmente escapei para meu quarto, minha cabeça latejava, chutei os sapatos e me joguei na beira do colchão, encarando em branco a parede.

Ouvi uma batida aguda cortar o silêncio, e a porta se abriu antes que eu pudesse sequer responder.

 Sloane entrou.

"Podemos conversar?" ela perguntou, o rosto suavizando em um olhar de pura preocupação de irmã.

Eu suspirei, realmente sem disposição para os jogos dela. "Sobre o quê, Sloane?"

Ela atravessou o quarto e se sentou bem ao meu lado. "Eu sei que isso deve estar aterrorizante. Você está bem?"

Por um segundo, minha guarda escorregou, ela soava real, soava como uma irmã, não uma rival. 

"Eu não sei," eu admiti, olhando para baixo para as minhas mãos. "Estou com medo."

Sloane sorriu, mas o calor não chegou aos olhos. "Você vai ficar bem. As coisas sempre... dão certo para você, não dão?"

Eu olhei para cima bruscamente. O súbito, mordaz traço de veneno na voz dela me pegou de surpresa, dão certo para mim? Ela tinha a aparência, o amor dos pais, a liberdade. 

O que já tinha dado certo para mim?

Mas antes que eu pudesse confrontá-la, a máscara doce e perfeita dela voltou imediatamente ao lugar.

"De qualquer forma," Sloane se levantou, alisando a saia. "Eu só queria ver como você estava. Boa noite, Serenity."

A porta clicou ao se fechar atrás dela. O quarto esfriou, e um pesado, inquietante pavor se instalou fundo nas minhas entranhas, era a sensação que se tem logo antes de uma tempestade massiva chegar.

Duas semanas depois, eu conheci meu futuro marido.

O encontro foi marcado em um restaurante exclusivo e privado pertencente à família dele, eu cheguei quinze minutos adiantada, as palmas suando e o coração disparando tão rápido que mal conseguia respirar.

"O Sr. Crane chegou," a anfitriã murmurou, me guiando em direção a uma mesa isolada junto às janelas do chão ao teto.

Lá ele estava sentado. Jason Crane.

A primeira coisa que me atingiu foram seus olhos escuros, incrivelmente agudos e totalmente inexpressivos, ele não sorriu quando me aproximei nem sequer sorriu quando me sentei. 

A intensa, magnética energia alfa irradiando dele era completamente sufocante.

"Senhorita Grayson," ele disse, sua voz profunda era suave, profissional e inteiramente desprovida de emoção.

"Sr. Crane," eu respondi, mantendo seu olhar, um minúsculo, quase invisível sorriso tocou o canto de seus lábios. "Pelo menos estamos igualmente miseráveis com isso."

Uma risada ofegante escapou de mim antes que eu pudesse impedir, e assim, a tensão sufocante entre nós se quebrou.

Nenhum de nós sabia o que o futuro guardava. 

Não sabíamos que acabaríamos compartilhando uma cama, um nome legal vinculante e uma mágoa brutal o suficiente para nos destruir ambos. Agora, éramos apenas dois estranhos presos procurando uma saída.

Mas enquanto eu o olhava, tentando descobrir o homem por trás da máscara de bilionário, não notei a silhueta parada perto da entrada do restaurante.

Sloane.

Ela estava nas sombras, seu olhar tóxico fixo inteiramente no meu futuro marido, um sorriso lento e venenoso se espalhou por seus lábios, o tipo de sorriso que significava que ela ia tomar exatamente o que era meu.

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