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Capítulo 2

Penulis: Torta de Ovo
A última gota de esperança havia se esvaído, e eu desci do ônibus em uma parada qualquer.

Eu simplesmente não conseguia controlar os movimentos das minhas pernas e, por fim, caí de joelhos no chão com um baque surdo.

Essa sensação de impotência era sufocante; eu me sentia uma inútil.

As muitas emoções acumuladas de repente desmoronaram, e eu chorei enquanto esmurrava freneticamente as minhas próprias pernas.

No momento seguinte, uma garota segurando uma câmera amparou os meus braços e me ajudou a sentar em um banco na calçada.

Ela me entregou um lenço de papel e perguntou cuidadosamente:

— Aconteceu alguma coisa? Como posso ajudá-la?

Meu corpo inteiro enrijeceu.

Era impensável que, depois de tantos anos ansiando por cuidado e afeto, eu os recebesse não da minha família, mas de uma estranha com quem eu não tinha nenhuma relação.

Seis anos atrás, Sullivan, compadecido com a estudante bolsista Patrícia, falsificou um teste de paternidade para mostrar aos nossos pais.

— Patrícia é a verdadeira filha biológica de vocês, minha irmã biológica.

Ao descobrir a verdade, fiquei paralisada como se tivesse sido atingida por um raio, chorando histericamente e implorando para que ele confessasse tudo aos nossos pais.

No entanto, o que me aguardava era um tapa forte no rosto.

— Você não pode ser um pouco mais compreensiva? Patrícia é órfã e sofreria bullying até não aguentar mais. Somente se as pessoas da escola souberem que ela tem uma família é que ninguém ousará intimidá-la!

— Você já teve o amor e o mimo dos nossos pais e o meu por tantos anos. Qual é o problema de deixar a Patrícia assumir o seu lugar por um tempo?

No primeiro dia em que Patrícia foi reconhecida e levada para casa, ela começou a me difamar em todas as oportunidades, dizendo que eu a chamava de caipira e frequentemente a humilhava ostentando dinheiro.

Sullivan me castigava fisicamente, enquanto a atitude dos meus pais em relação a mim passou a ser de mera tolerância.

Até aquela vez, quando Patrícia voltou da escola com as roupas quase totalmente rasgadas e com palavras humilhantes marcadas em seu corpo.

Ela se ajoelhou imediatamente na minha frente, batendo a cabeça no chão repetidas vezes.

— Débora, eu estava errada. Eu sou uma caipira, não deveria ter roubado os seus pais. Eu mereço morrer! Eu vou me matar agora mesmo!

Ela se virou e pulou na piscina, e toda a família ficou furiosa.

Especialmente Sullivan, que imediatamente subornou um casal para se passar por meus pais biológicos e me expulsou de casa.

— Não se ache tão superior. Vá sofrer um pouco lá fora e aprenda a controlar esse seu temperamento. Quando aprender a não fazer bullying com a Patrícia, nós a traremos de volta para casa!

A partir de então, começou o meu inferno sem fim.

No restaurante daquele casal, jogaram sobre mim o trabalho de dez pessoas.

A pele das minhas mãos estava permanentemente ferida e desgastada.

Sempre que o homem ficava bêbado e cometia violência doméstica, a mulher me colocava na frente como escudo.

Tapas, socos e garrafadas sempre sobravam para mim.

Nas vezes mais graves, eu quase fui espancada até a morte.

Mas, gradualmente, eles perceberam que os meus movimentos não estavam normais.

Eu não conseguia falar com clareza, não segurava os talheres direito na hora de comer, não tinha força para trabalhar e até o meu andar era estranho.

Depois que fui diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica, eles não hesitaram em me jogar na rua como lixo.

Sem capacidade física para trabalhar, eu só podia vender o meu próprio sangue para manter o mínimo de alimentação e abrigo.

Quando finalmente estava prestes a conseguir o medicamento que eu vinha tentando obter havia tanto tempo, fui impedida por Sullivan.

Ao terminar de ouvir o meu relato desses seis anos, a garota já cobria a boca com as mãos, com o rosto banhado em lágrimas; em seus olhos, não havia nada além de compaixão e tristeza.

Ela enxugou as lágrimas e falou:

— Eu sou uma criadora de conteúdo que está começando a gravar vídeos para a internet ajudando pedestres a realizarem os seus desejos. Você tem algum desejo?

Desejo?

Olhei para as estrelas no céu e pensei seriamente.

— Eu quero uma urna funerária.

Viver já era doloroso demais; após a morte, eu queria ter um pouco de paz.

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