INICIAR SESIÓNValentina acordou cedo naquela manhã.
Embora tivesse dormido melhor, ainda sentia um peso no peito. Havia algo diferente desde que recebera a confirmação de que o divórcio estava encaminhado.
Era como se uma parte da sua antiga vida estivesse finalmente chegando ao fim.
Ela ficou alguns minutos sentada na cama, olhando para o anel que ainda usava.
A aliança de Riccardo.
Durante anos, aquele pequeno círculo dourado havia representado tudo o que acreditava ter construído.
Agora parecia apenas uma lembrança de algo que já não existia.
Valentina girou o anel lentamente.
Depois o tirou.
Colocou-o sobre a mesa de cabeceira.
Sentiu um alívio inesperado.
Não chorou.
Aquilo surpreendeu até ela mesma.
Talvez porque tivesse chorado o suficiente.
Levantou-se e começou a se arrumar.
Quando chegou à sala, encontrou Dante sentado à mesa com alguns documentos.
Ele levantou os olhos.
"Bom dia."
"Bom dia."
"Você dormiu melhor?"
"Sim."
"Como está a cabeça?"
"Melhor."
Dante fechou a pasta.
"O médico quer que você faça uma nova consulta amanhã."
Valentina assentiu.
"Eu sei."
"Posso acompanhá-la."
Ela olhou para ele.
"Você não precisa."
"Eu sei."
A resposta fez Valentina sorrir.
Ele parecia gostar de dizer aquilo.
Dante se levantou.
"Mas eu vou."
Ela não discutiu.
Os dois tomaram café juntos.
Era algo simples, mas havia uma tranquilidade naquela rotina que Valentina começava a apreciar.
Dante não fazia perguntas invasivas.
Não tentava acelerar a aproximação.
Não exigia que ela esquecesse Riccardo.
Apenas estava presente.
Depois do café, Valentina recebeu uma ligação de sua mãe.
"Filha, você vem para casa hoje?"
Valentina ficou em silêncio por alguns segundos.
"Não, mãe."
"Por quê?"
"Eu preciso resolver algumas coisas."
"Você não precisa enfrentar tudo sozinha."
"Eu sei."
Ela sorriu.
"Mas estou bem."
"Você tem certeza?"
"Tenho."
A mãe suspirou.
"Eu queria conhecer o homem que está ajudando você."
Valentina ficou imóvel.
"Dante?"
"Sim."
"Por quê?"
"Porque você confia nele."
Valentina olhou para o homem que estava a poucos metros, conversando ao telefone.
"Talvez."
A mãe riu baixinho.
"Talvez?"
"É complicado."
"Então me explique."
Valentina ainda não estava pronta para contar sobre o casamento.
Não por vergonha.
Mas porque queria ter certeza de que aquilo realmente aconteceria antes de colocar a família inteira dentro da decisão.
"Em breve, mãe."
"Está bem. Mas eu quero conhecê-lo."
"Você vai."
Depois que desligou, Valentina guardou o celular.
Dante terminou a ligação.
"Algum problema?"
"Minha mãe quer conhecer você."
Ele ergueu uma sobrancelha.
"Já?"
Valentina riu.
"Ela é assim."
"Então vou conhecê-la."
Ela ficou surpresa com a facilidade com que ele respondeu.
"Você não está nervoso?"
"Deveria?"
"Minha mãe pode fazer muitas perguntas."
Dante deu um pequeno sorriso.
"Eu sobrevivo."
Valentina riu.
Por alguns segundos, esqueceu tudo.
Até que o celular tocou novamente.
Dessa vez era seu advogado.
"Valentina, tenho uma atualização."
Ela atendeu.
"Sim?"
"O processo está seguindo normalmente. Mas há uma solicitação de Riccardo."
O sorriso desapareceu.
"O que ele quer?"
"Uma conversa presencial antes da conclusão."
Valentina ficou em silêncio.
"Ele não precisa conversar comigo."
"Legalmente, não. Mas ele pediu formalmente que vocês tenham uma conversa particular."
"Por quê?"
"Não explicou."
Valentina olhou para Dante.
Ele percebeu a mudança em sua expressão.
"É Riccardo?"
Ela assentiu.
"Ele quer me ver."
Dante não disse nada.
Apenas esperou.
"Você quer ir?", perguntou depois.
Valentina pensou.
Não queria.
Mas também sabia que precisava encerrar aquela história.
"Sim."
Dante assentiu.
"Então vá."
Ela esperava algum sinal de ciúme.
Não encontrou.
"Você não está preocupado?"
"Com o quê?"
"Com ele tentar me convencer a voltar."
Dante sustentou seu olhar.
"Você sabe o que quer."
Valentina baixou os olhos.
"Se eu disser que tenho medo de fraquejar?"
Dante se aproximou.
"Então eu vou confiar em você até que você consiga confiar novamente em si mesma."
O coração de Valentina bateu forte.
Ela não respondeu.
Naquela tarde, encontrou Riccardo em um café discreto.
Ele já estava esperando.
Assim que a viu entrar, levantou-se.
Valentina percebeu imediatamente que ele parecia diferente.
Mais cansado.
Mais abatido.
Mas não sentiu pena.
Sentou-se à frente dele.
"Você queria falar comigo."
Riccardo olhou para suas mãos.
"Queria."
"Então fale."
Ele respirou fundo.
"Eu sinto muito."
Valentina permaneceu em silêncio.
"Eu sei que isso não conserta nada."
"Não conserta."
"Mas eu precisava dizer."
Valentina cruzou os braços.
"Você já disse isso."
"Eu sei."
"Então o que mais você quer?"
Riccardo levantou os olhos.
"Quero que você me dê uma chance de explicar."
Ela quase sorriu.
"Explicar o quê?"
"Como aconteceu."
Valentina sentiu o peito apertar.
"Você se envolveu com Isabella durante meses."
"Sim."
"Enquanto era meu marido."
"Sim."
"Não existe explicação que mude isso."
Riccardo abaixou a cabeça.
"Eu achei que nosso casamento tinha acabado."
"Então deveria ter terminado antes de começar outra relação."
Ele não teve resposta.
Valentina continuou:
"Você teve escolha."
"Eu sei."
"Você escolheu."
"Eu sei."
Ela respirou fundo.
"Então por que estou aqui?"
Riccardo ficou alguns segundos em silêncio.
"Porque fiquei com medo."
"Medo de quê?"
"De perder você."
Valentina não acreditou.
"Você já tinha me perdido."
"Não sabia."
"Sabia."
Ela apontou para ele.
"Você sabia que eu estava ao seu lado enquanto estava com ela. Sabia que eu dormia na mesma cama. Sabia que eu acreditava no nosso casamento."
Riccardo passou a mão no rosto.
"E agora?"
"Agora eu quero seguir minha vida."
"Com Dante?"
Valentina ficou em silêncio.
Riccardo percebeu.
"Você realmente vai se casar com ele."
"Sim."
A resposta foi firme.
Riccardo ficou pálido.
"Você mal conhece esse homem."
"Conheço o suficiente."
"Ele está se aproveitando da situação."
Valentina franziu a testa.
"Não fale dele."
"Valentina..."
"Você perdeu o direito de decidir quem é bom para mim quando decidiu me trair."
Riccardo ficou em silêncio.
Ela se levantou.
"Eu quero que o divórcio termine sem problemas."
"Você vai mesmo embora?"
Valentina olhou para ele.
"Sim."
"Sem tentar salvar nosso casamento?"
"Riccardo, eu passei a noite do nosso casamento acreditando que seria para sempre. Você transformou isso em uma mentira."
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
"Eu não quero viver presa a uma coisa que me machuca."
Ele se levantou.
"Eu ainda amo você."
Valentina fechou os olhos.
Aquelas palavras teriam significado tudo semanas atrás.
Agora significavam apenas tristeza.
"Talvez você ame a mulher que eu era."
Riccardo ficou imóvel.
"Mas aquela mulher não existe mais."
Ela virou as costas.
"Valentina."
Ela parou.
"Espero que um dia você consiga me perdoar."
Ela não respondeu.
Saiu do café.
Do lado de fora, respirou fundo.
Sentia-se triste.
Mas não arrependida.
Quando entrou no carro, seu celular vibrou.
Era Dante.
"Terminou?"
Ela respondeu:
"Sim."
Alguns segundos depois, veio a resposta.
"Quer que eu vá buscá-la?"
Valentina sorriu.
"Não precisa."
A resposta dele chegou quase imediatamente.
"Está bem."
Ela ficou alguns segundos olhando para a tela.
Depois escreveu:
"Mas gostaria que estivesse aqui."
Dante demorou um pouco mais para responder.
"Estou a caminho."
Valentina sentiu o coração acelerar.
Pouco depois, ele estacionou perto do café.
Quando entrou no carro, Dante olhou para ela.
"Como foi?"
"Foi difícil."
"Ele tentou impedir o divórcio?"
"Não."
"Então?"
"Ele disse que ainda me ama."
Dante ficou em silêncio.
Valentina observou o perfil dele.
"Você está com ciúmes?"
Dante soltou um pequeno suspiro.
"Estou tentando não estar."
Ela sorriu.
"Por quê?"
"Porque não tenho o direito."
A resposta a surpreendeu.
"Você terá."
Ele olhou para ela.
"Quando?"
Valentina desviou os olhos.
"Quando o contrato começar."
Dante ficou em silêncio.
Mas havia algo diferente em seu olhar.
Não era apenas a formalidade de um acordo.
Naquela noite, depois de chegar ao apartamento, Valentina recebeu uma mensagem de Alessandro.
"O divórcio foi encaminhado. Assim que houver a conclusão oficial, estaremos livres para formalizar o casamento."
Ela mostrou a mensagem a Dante.
"Então está acontecendo."
"Sim."
"Está nervoso?"
"Um pouco."
Ela sorriu.
"Eu também."
Dante aproximou-se.
"Valentina."
"Sim?"
"Quero que saiba de uma coisa antes de nos casarmos."
Ela o encarou.
"O quê?"
"Não quero ser o homem que substitui Riccardo."
Ela franziu a testa.
"Você não é."
"Quero que, quando olhar para mim, não pense no que ele fez."
Valentina sentiu os olhos marejarem.
"Eu não penso."
"Quero que me enxergue como Dante."
Ela sorriu.
"É exatamente assim que estou começando a enxergar você."
Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.
Havia apenas silêncio.
Um silêncio diferente.
Cheio de alguma coisa que nenhum deles ainda tinha coragem de nomear.
Dante desviou o olhar primeiro.
"Descanse."
Valentina assentiu.
Ele caminhou em direção ao quarto de hóspedes.
Antes de entrar, ouviu a voz dela.
"Dante."
Ele se virou.
"Obrigada por ter aparecido na minha vida."
Ele sorriu.
"Talvez eu deva agradecer ao acidente."
Valentina fez uma expressão séria.
"Não diga isso."
"Desculpe."
Ele voltou-se para ela.
"Então agradeço apenas por ter encontrado você."
O coração de Valentina disparou.
Na manhã seguinte, os documentos chegaram.
O divórcio estava oficialmente concluído.
Valentina Bellini estava livre.
E, agora, faltava apenas uma coisa.
O casamento com Dante Moretti.
Um casamento que havia começado como um simples contrato.
Mas que, aos poucos, começava a parecer muito mais perigoso para os dois.
Porque sentimentos não estavam escritos no papel.
E nenhum contrato poderia impedir que eles aparecessem.
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a sensação de que alguma coisa estava prestes a acontecer.Não sabia explicar por quê.Talvez fosse apenas ansiedade depois da conversa da noite anterior.Talvez fosse a preocupação com Isabella.Ou talvez fosse o fato de que, apesar de tudo que havia sido resolvido, aquela história ainda não encontrara seu verdadeiro encerramento.Dante estava ao lado dela.Valentina ficou alguns segundos observando-o dormir.Desde que haviam se mudado para a nova casa, cada manhã parecia diferente.Aquele quarto ainda tinha poucas coisas.As cortinas ainda não haviam sido escolhidas.Havia caixas espalhadas pelo corredor.Mesmo assim, era o quarto deles.A casa deles.A vida deles.Valentina sorriu.Depois colocou a mão sobre o ventre."Vamos ficar bem."Dante se mexeu."Você está falando sozinha de novo?"Ela riu."Você nunca dorme de verdade?""Durmo.""Então como ouviu?""Porque tenho sono leve."Valentina se virou para ele."Bom dia.""Bom dia."Dante bei
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a lembrança do exame.Ainda conseguia ouvir os batimentos do bebê.Ainda conseguia enxergar na memória aquela pequena movimentação na tela.Ela sorriu antes mesmo de abrir os olhos completamente.Virou-se para o lado e encontrou Dante acordado.Ele estava deitado, apoiado em um dos braços, observando-a."Está me olhando?""Estou.""Há quanto tempo?""Alguns minutos."Valentina riu."Você é estranho.""Estou admirando minha esposa."Ela sentiu o rosto aquecer."Bom dia.""Bom dia."Dante aproximou-se e beijou sua testa."Como estão vocês?""Bem.""Os dois?""Os dois."Ele colocou a mão sobre o ventre dela."Bom."Valentina cobriu a mão dele."Você está ficando cada vez mais apegado.""Já estou apegado."Ela sorriu."Percebi."Os dois ainda estavam conversando quando o celular de Valentina tocou.Ela olhou para a tela.Isabella.O sorriso desapareceu.Dante percebeu imediatamente."Quer atender?"Valentina ficou alguns segundos olhando para o tel
Valentina tentou convencer Dante durante todo o caminho até a clínica de que não havia motivo para preocupação."Foi apenas uma tontura."Dante manteve os olhos na estrada."Você ficou pálida.""Porque levantei muito rápido.""Mesmo assim."Valentina sorriu."Você está preocupado demais.""Provavelmente.""Você sempre foi assim?""Não.""Então fui eu que causei isso?"Dante olhou rapidamente para ela."Você e o nosso bebê."Valentina colocou a mão sobre o ventre."Nosso bebê."Ele segurou sua mão por alguns segundos enquanto esperavam o sinal abrir."Quero ter certeza de que vocês dois estão bem."Ela sorriu."Estamos.""Vamos confirmar."Quando chegaram à clínica, Dante insistiu em acompanhá-la até a recepção.Valentina entregou os documentos e sentou-se ao lado dele."Você pode esperar aqui.""Não.""Dante.""Vou entrar com você."Ela riu."Não sei por que estou tentando discutir.""Porque você gosta.""Talvez."Quando foram chamados, o médico recebeu os dois com um sorriso."Valent
A casa ainda cheirava a tinta nova quando Valentina entrou no quarto naquela noite.Havia caixas espalhadas pelo corredor, algumas roupas ainda dentro das malas e poucos móveis ocupando os cômodos.Mesmo assim, ela sorriu.Era a casa deles.Não era um apartamento emprestado.Não era um lugar escolhido porque precisava de proteção.Não havia contrato determinando quanto tempo permaneceriam ali.Era simplesmente a casa onde ela e Dante haviam decidido construir a própria história.Dante apareceu atrás dela carregando duas caixas."Você está olhando para essa parede há cinco minutos."Valentina sorriu."Estou imaginando.""Já começou?""Comecei."Ele deixou as caixas no chão."O que está imaginando?""Uma cama aqui.""Isso eu esperava.""Uma poltrona perto da janela.""Para você?""Para nós."Dante se aproximou."E ali?""Um pequeno berço."Ele olhou para o espaço que ela indicava."Está imaginando o quarto do bebê.""Sim."Dante colocou a mão no ventre dela."Então vamos fazer exatament
Valentina passou o caminho inteiro tentando imaginar o que a mãe poderia ter descoberto.Dante dirigia em silêncio, mas percebeu a inquietação dela."Você está preocupada.""Estou tentando não estar.""Quer que eu vá com você?"Valentina segurou a mão dele por alguns segundos."Quero."Pouco depois, chegaram à casa dos pais dela.A mãe estava esperando na sala.Assim que viu os dois entrando, levantou-se."Graças a Deus vocês chegaram."Valentina caminhou rapidamente até ela."O que aconteceu?"A mãe respirou fundo."Não aconteceu nada grave."Valentina soltou o ar."Então me diga."O pai dela também estava na sala.Ele segurava alguns documentos."Recebemos uma ligação do advogado de Riccardo."Valentina franziu a testa."Sobre o quê?""Sobre a gravidez de Isabella."Ela cruzou os braços."Isso eu já sei."O pai assentiu."Mas existe uma questão prática."Valentina olhou para Dante.Depois voltou para o pai."Qual?""Riccardo decidiu assumir integralmente as despesas médicas da gesta
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a sensação de que alguma coisa havia mudado.Não era apenas a decisão de procurar uma casa.Era tudo o que aquela decisão representava.Ela e Dante estavam planejando algo sem prazo, sem cláusulas e sem a possibilidade de simplesmente voltar atrás quando o contrato terminasse.Era uma escolha.Uma escolha dos dois.Valentina ficou alguns segundos olhando para Dante, que ainda dormia ao seu lado.Ela sorriu.Depois passou a mão delicadamente sobre o próprio ventre."Vamos ter uma casa."Dante abriu os olhos."Está falando com o bebê?"Ela riu."Talvez."Ele se aproximou."Bom dia.""Bom dia."Dante beijou sua testa."Pronta para procurar nossa casa?""Estou.""Você dormiu pensando nisso?""Um pouco."Ele sorriu."Eu também."Pouco depois do café, saíram juntos.O primeiro imóvel ficava em uma região muito movimentada.Era bonito, moderno e tinha uma vista maravilhosa.Valentina entrou na sala e olhou ao redor."É lindo."Dante concordou."Mas?"







