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Capítulo 6 — Agora Somos Marido e Mulher

Autor: Eva Belmont
last update Fecha de publicación: 2026-09-13 18:50:00

Valentina ficou alguns segundos olhando para os documentos sobre a mesa.

O divórcio estava concluído.

Oficialmente, o casamento com Riccardo havia terminado.

A notícia deveria trazer apenas alívio, mas havia uma sensação estranha no peito. Durante anos, ela havia imaginado que se sentiria destruída quando chegasse aquele momento. Talvez por isso fosse tão surpreendente perceber que, em vez de tristeza, havia apenas uma calma silenciosa.

Ela não era mais esposa de Riccardo.

Podia seguir em frente.

Podia respirar.

Podia pensar no futuro sem a sombra daquele casamento sobre os ombros.

Valentina pegou a aliança que havia deixado dentro de uma pequena caixa.

Olhou para ela durante alguns segundos.

Depois fechou a caixa.

Não precisava jogá-la fora.

Também não precisava guardá-la como lembrança.

Era apenas algo que pertencia ao passado.

Ela colocou a caixa no fundo de uma gaveta e fechou.

Quando saiu do quarto, encontrou Dante esperando na sala.

Ele usava uma camisa clara e calça escura, com o relógio preso ao pulso e os cabelos cuidadosamente penteados. Parecia mais sério do que de costume.

Valentina percebeu que ele estava segurando um envelope.

"O que é isso?"

"O contrato final."

Ela sentiu o coração acelerar.

"Já?"

"Alessandro ajustou tudo conforme as suas exigências."

Dante entregou o envelope.

Valentina abriu.

Leu novamente cada cláusula, embora já conhecesse praticamente todas.

Doze meses.

Casamento civil.

Residência compartilhada.

Liberdade financeira.

Privacidade.

Nenhuma obrigação de intimidade.

Respeito à gravidez.

Liberdade para trabalhar.

Liberdade para manter sua própria conta bancária.

Divórcio ao final do período acordado.

Valentina respirou profundamente.

"Está tudo certo."

Dante observou o rosto dela.

"Tem certeza?"

"Tenho."

"Não precisa assinar agora."

Ela ergueu os olhos.

"Por que você continua dizendo isso?"

"Porque quero ter certeza de que está fazendo isso porque quer."

Valentina sorriu.

"Eu quero."

Dante assentiu.

Alessandro entrou pouco depois com as testemunhas e os documentos necessários.

Tudo aconteceu de maneira simples.

Sem grandes discursos.

Sem festa.

Sem fotógrafos.

Apenas algumas pessoas próximas e a família de Dante, que havia sido informada de que o casamento aconteceria naquela tarde.

Valentina escolheu um vestido elegante e discreto.

Quando se olhou no espelho, sentiu um aperto no peito.

Não era medo.

Era a sensação de estar prestes a atravessar uma porta que não poderia mais fechar do mesmo jeito.

Pouco depois, ouviu uma batida.

"Posso entrar?"

Era Dante.

"Pode."

Ele entrou e ficou alguns segundos olhando para ela.

Valentina ajeitou o cabelo.

"Estou muito estranha?"

"Não."

"Está me olhando."

"Estou."

Ela ficou sem graça.

"Por quê?"

Dante demorou um instante para responder.

"Porque você está bonita."

Valentina sorriu.

"Obrigada."

Ele se aproximou.

"Está nervosa?"

"Muito."

"Eu também."

Ela levantou uma sobrancelha.

"Você?"

"Sim."

"Você não parece."

"Isso é porque não gosto de demonstrar."

Valentina riu.

Dante estendeu a mão.

"Vamos?"

Ela olhou para a mão dele.

Depois segurou.

"Vamos."

A cerimônia foi rápida.

Quando chegou o momento de assinar, Valentina sentiu um arrepio.

Seu nome.

Valentina Bellini.

Ao lado do nome de Dante Moretti.

Ela assinou.

Dante fez o mesmo.

Depois veio o momento das alianças.

A dele foi colocada em seu dedo.

Dante segurou sua mão por alguns segundos antes de soltá-la.

Quando chegou a vez dele, Valentina deslizou a aliança pelo dedo de Dante.

O coração dela bateu mais rápido.

O juiz declarou os dois oficialmente casados.

Durante alguns segundos, Valentina apenas ficou olhando para Dante.

Marido.

A palavra ainda parecia estranha.

Dante aproximou-se.

"Está tudo bem?"

Ela assentiu.

"Sim."

"Tem certeza?"

"Tenho."

O juiz sorriu e encerrou a cerimônia.

Quando saíram, alguns familiares os cumprimentaram.

A mãe de Dante foi a primeira a abraçar Valentina.

"Seja bem-vinda à família."

Valentina sorriu, ainda um pouco tímida.

"Obrigada."

Dante observava em silêncio.

Sua mãe virou-se para o filho.

"Cuide bem dela."

"Vou cuidar."

A resposta foi imediata.

Valentina ergueu os olhos para ele.

Dante não parecia estar dizendo aquilo apenas para manter as aparências.

Depois dos cumprimentos, os dois ficaram sozinhos no carro.

Por alguns minutos, nenhum deles falou.

Até que Valentina olhou para a própria mão.

A aliança brilhava em seu dedo.

"Agora somos marido e mulher."

Dante olhou para ela.

"Sim."

"É estranho."

"Para mim também."

Ela sorriu.

"Nos conhecemos há tão pouco tempo."

"Eu sei."

"Mas estamos casados."

"Estamos."

Valentina riu.

"E agora?"

"Agora vamos para casa."

A resposta fez os dois sorrirem.

Quando chegaram ao apartamento, Valentina entrou primeiro.

Dante fechou a porta.

O silêncio tomou conta do ambiente.

Ela olhou para ele.

"Precisamos estabelecer algumas regras."

Dante ergueu uma sobrancelha.

"Mais regras?"

"Sim."

"Quais?"

"Não quero que ninguém da sua família pense que pode decidir como vou viver."

"Concordo."

"Não quero que esperem que eu seja uma esposa perfeita."

"Não espero isso."

"E..."

Ela parou.

Dante esperou.

"Não quero que nosso casamento vire um motivo para você abandonar sua vida."

Ele deu um pequeno sorriso.

"Valentina, minha vida já é complicada antes de você."

Ela riu.

"Você entendeu."

"Entendi."

Dante tirou o paletó.

"Agora eu tenho uma pergunta."

"Qual?"

"Você quer continuar morando aqui ou quer voltar para o apartamento de hóspedes?"

Valentina franziu a testa.

"Eu achei que deveríamos morar juntos."

"Podemos."

"Então por que está perguntando?"

"Porque quero que você escolha."

Ela olhou ao redor.

Depois voltou os olhos para ele.

"Quero ficar."

Dante assentiu.

"Então ficará."

Valentina caminhou até a cozinha.

"Tem alguma coisa para comer?"

Dante riu.

"Tem."

"O quê?"

"Eu não sei."

Ela arregalou os olhos.

"Como assim não sabe?"

"Eu não cozinhei."

Valentina começou a rir.

"Você providencia tudo para os outros, mas não sabe o que tem na própria cozinha?"

"Exatamente."

Ela abriu a geladeira.

"Tem bastante coisa."

"Então podemos pedir alguma coisa."

"Não."

"Não?"

"Hoje somos marido e mulher. Acho que precisamos fazer uma refeição juntos."

Dante ficou olhando para ela.

"Você quer cozinhar?"

"Quero."

Ela pegou alguns ingredientes.

Dante se aproximou.

"Posso ajudar?"

Valentina entregou uma faca.

"Corte os tomates."

"É uma ordem?"

"É."

Ele começou a cortar.

Valentina tentou não rir ao perceber que ele segurava a faca com uma seriedade desnecessária.

"Você parece estar desarmando uma bomba."

"Estou tentando não cortar o dedo."

"Eu percebi."

A cozinha ficou cheia de pequenas risadas.

Valentina não pensou em Riccardo.

Não pensou em Isabella.

Não pensou na traição.

Apenas estava ali.

Com Dante.

Fazendo uma coisa simples.

Quando terminaram, sentaram-se à mesa.

Valentina provou a comida.

"Ficou boa."

"Você fez."

"Mas você cortou os tomates."

Dante sorriu.

"Então temos uma refeição feita pelos dois."

Valentina assentiu.

Depois ficou séria.

"Dante."

"Hm?"

"Posso perguntar uma coisa?"

"Pode."

"Por que você aceitou esse casamento sabendo que eu estava grávida?"

Ele pousou o garfo.

"Porque isso nunca foi um problema para mim."

"Nem a criança?"

"Principalmente a criança."

Valentina sentiu a garganta apertar.

"Mas você mal me conhece."

"Eu sei."

"Então como consegue ter tanta certeza?"

Dante ficou alguns segundos em silêncio.

"Eu não tenho certeza de tudo."

"Então?"

"Tenho certeza de que quero fazer isso."

Ela baixou os olhos.

"Você não tem medo de se arrepender?"

"Não."

"Por quê?"

Dante respondeu calmamente:

"Porque me arrependeria mais de deixar passar a oportunidade de construir algo bom do que de tentar."

Valentina sentiu algo aquecer seu peito.

Ela sorriu.

"Você fala coisas bonitas sem perceber."

Dante também sorriu.

"Talvez eu perceba."

Ela levantou os olhos.

Os dois ficaram se olhando por alguns segundos.

O ambiente mudou.

O silêncio ficou diferente.

Mais íntimo.

Valentina desviou o rosto.

"Vou lavar a louça."

Dante segurou suavemente sua mão.

"Deixa."

"Por quê?"

"Eu lavo."

"Você sabe lavar louça?"

"Sei."

Ela riu.

"Estou começando a descobrir que você é mais útil do que parece."

"Eu posso surpreender."

Valentina levantou.

Dante recolheu os pratos.

Ela ficou observando enquanto ele fazia tudo sem reclamar.

Mais tarde, já no quarto, Valentina ficou parada diante da cama.

Dante estava do outro lado.

Os dois perceberam, ao mesmo tempo, que havia uma questão inevitável.

"Onde você vai dormir?", perguntou ela.

"Você escolhe."

Valentina olhou para a cama.

Depois para o sofá.

"Você pode ficar na cama."

"Você tem certeza?"

"Sim."

"E você?"

"Também."

Dante franziu levemente a testa.

"Quer que eu durma no sofá?"

Valentina assentiu.

"Prefiro assim."

"Está bem."

Ele pegou um travesseiro.

Antes de sair, porém, parou na porta.

"Boa noite, Valentina."

"Boa noite, Dante."

Ela se deitou.

Poucos minutos depois, ouviu os passos dele se afastando.

Valentina ficou olhando para o teto.

Aquele era seu primeiro dia como esposa de Dante Moretti.

E, apesar de todo o medo, não se sentia presa.

Sentia-se respeitada.

Sentia-se segura.

Talvez aquele contrato fosse exatamente o que precisava para recomeçar.

Mas, em outro quarto, Dante também estava acordado.

Deitado no sofá, olhava para o teto.

Sabia que deveria pensar naquele casamento como um acordo temporário.

Doze meses.

Nada além disso.

Mas quando fechava os olhos, conseguia ver Valentina sorrindo na cozinha.

E percebeu que o problema talvez fosse muito simples.

O contrato dizia que aquele casamento tinha prazo.

Seu coração começava a esquecer dessa parte.

Na manhã seguinte, entretanto, os dois descobririam que ser marido e mulher perante um documento era muito mais fácil do que aprender a viver como um casal.

Porque a família de Dante estava prestes a fazer uma visita.

E Valentina seria apresentada oficialmente como a nova senhora Moretti.

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