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Capítulo 4

Author: Pimenta Explosiva
Na sala, uma cueca masculina suja estava jogada sobre o sofá que Patrícia tinha escolhido com tanto cuidado.

No chão, embalagens vazias de comida estavam espalhadas.

O quadro que ela havia pintado com as próprias mãos estava manchado de gordura.

Os selos que ela colecionou durante anos em um álbum tinham desaparecido sem deixar vestígio.

Até a foto dela com os pais, que ficava na mesa ao lado do sofá, tinha sumido.

No lugar, havia um cinzeiro cheio de bitucas apagadas.

O rosto de Patrícia ficou tomado pela raiva, e ela continuou andando para dentro.

A porta da suíte principal estava entreaberta.

Ela empurrou a porta.

Do banheiro vinha o som da água correndo, seguido por uma mulher cantarolando.

Logo depois, a porta do banheiro da suíte abriu, e uma mulher de mais de cinquenta anos saiu.

Ao ver Patrícia, ela primeiro ficou paralisada. Em seguida, soltou um grito.

— Quem é você? Como entrou aqui?!

Patrícia reconhecia aquele rosto.

Reconheceria aquela mulher mesmo que virasse cinzas.

Aquela mulher era Esméria, a mãe de Paula.

Se ela e Paula não tivessem dado falso testemunho naquela época, como o pai de Patrícia teria sido condenado à morte?

Patrícia tremia de raiva.

— O que você está fazendo aqui? Esta casa é minha. Fora daqui!

Esméria pensou por alguns instantes sobre as palavras de Patrícia e pareceu entender alguma coisa.

— Já entendi. Você é aquela ex-namorada de quem meu genro falou, não é? Foi meu genro que deixou a gente morar aqui. Você não tem direito de mandar eu sair.

— Gustavo deixou vocês morarem aqui?

Patrícia sentiu um frio subir pelo corpo inteiro até a cabeça.

Gustavo tinha colocado os inimigos dela dentro da casa dela?

Aquilo era uma humilhação.

— Claro. Paula disse que queria ficar mais perto da gente, e eu gostei da vista noturna daqui. Então Gustavo deixou a gente morar no apartamento. Gustavo mima muito Paula. Ele largou você faz anos. Como você ainda tem cara de aparecer aqui?

A cabeça de Patrícia quase explodiu.

De novo aquilo. Gustavo sempre fazia aquilo.

Desde que Paula gostasse de alguma coisa, ele arrancava das mãos de Patrícia para entregar a Paula.

Só que agora ela já não era mais a Patrícia daquela época, que obedecia Gustavo em tudo.

Sem dizer mais nada, ela agarrou o braço de Esméria e começou a arrastar a mulher para fora.

— Você não entendeu o que eu disse? Eu mandei você sair agora mesmo! Este apartamento é meu. Nem Gustavo tem o direito de enfiar uma família de desgraçados como vocês aqui dentro!

— Pare! Quem é você? Por que está batendo na minha mulher?!

Durante o empurra-empurra, um homem fedendo a álcool apareceu correndo pelo elevador.

No instante em que viu aquele rosto, o sangue de Patrícia pareceu correr ao contrário.

Ela jamais esqueceria aquele rosto nesta vida.

Era Belmiro Queiroz, o assassino que incriminou o pai dela.

Esméria apontou para Patrícia.

— Belmiro, me salva! É a ex-namorada do Gustavo. Ela quer expulsar a gente daqui!

Belmiro estreitou os olhos e finalmente reconheceu Patrícia.

O rosto dele mudou um pouco.

— Ah, então é você. Fiquei me perguntando quem era. Não é aquela maldita garota da família Sampaio? A ex-namorada de Gustavo? Depois de tantos anos, ainda pensa em limpar o nome do seu pai? Veio atrás de mim até aqui?

— Que pena. Seu pai já morreu. Por mais que você esperneie, não vai conseguir reabrir aquele caso.

— Cala a boca!

Aquele rosto de Belmiro era o pesadelo de Patrícia em incontáveis noites.

A imagem dele no tribunal, falando sem parar e distorcendo a verdade, e depois a imagem dele cheio de orgulho, vangloriando a própria impunidade, eram uma longa maldição na vida de Patrícia.

Belmiro ficou abalado pelo olhar cheio de ódio dela.

— Que olhar é esse?

— Olhar de quem quer matar você!

Patrícia não conteve mais nada.

Pegou o vaso de cerâmica mais próximo e arremessou na direção dele.

Infelizmente, errou o alvo.

O vaso quebrou aos pés de Esméria.

Depois disso, Patrícia começou a jogar fora, cortar e quebrar tudo que não pertencia a ela, sem deixar nada intacto.

Belmiro e Esméria não conseguiam impedir.

— Sua louca! Não é à toa que Gustavo não quis você!

— Meu Deus, aquela pulseira é caríssima! Não arranque!

— Esse aparelho de estética custou milhares de dólares! Não quebre!

Quando Patrícia arrancou todas as fotos artísticas de Paula da parede e estava prestes a queimar tudo, Esméria avançou para tentar segurar Patrícia.

— Sua maluca! Não encoste nas fotos da minha filha!

Patrícia bateu nela com um cabide de metal.

— Não encoste em mim! Se encostar de novo, eu acabo com você!

— Ai!

Esméria soltou um grito de dor e, chorando, pegou o celular para ligar para Gustavo.

— Gustavo, venha rápido! Sua ex-namorada enlouqueceu. Ela invadiu nossa casa e quer matar a gente!

Gustavo e Paula chegaram mais rápido do que o esperado.

Patrícia ainda não tinha terminado de limpar todos aqueles objetos quando eles já chegaram à porta.

Gustavo obviamente tinha vindo às pressas, sem tempo nem de vestir o paletó.

O olhar dele varreu rapidamente a sala destruída e, por fim, ficou fixo em Patrícia, que estava parada no centro do cômodo.

— O que você está fazendo?

Paula entrou logo atrás dele.

Ao ver o estado lamentável dos pais, o rosto dela mudou por completo.

— Pai! Mãe! Como vocês estão? Vocês estão machucados?

Ela examinou com cuidado o braço de Esméria, depois ergueu a cabeça para olhar Patrícia.

A voz começou a sair embargada.

— Se você está insatisfeita com alguma coisa, venha contra mim. Meus pais já têm idade. Eles não aguentam esse tipo de confusão.

— Você acha que eu não vou contra você? Primeiro eu resolvo o problema deles. Depois resolvo o seu!

Patrícia encarou Gustavo com os olhos cheios de ódio.

— Quando você me obrigou a ir embora, este apartamento já tinha sido claramente dado a mim. Agora, que história é essa de deixar esses canalhas morarem aqui?

Paula gritou, agitada:

— Lave essa boca! Com que direito você humilha meus pais desse jeito?!

Patrícia soltou uma risada de deboche.

— Eu falei alguma mentira? Uma amante sem moral e um assassino que incriminou meu pai. Isso não é canalhice?

A mandíbula de Gustavo ficou rígida.

Ele deu um passo à frente, e a presença dele se tornou subitamente opressiva.

— Patrícia, cuidado com as palavras. Não seja tão vulgar.

— Educação é pra gente, não pra bicho. E, sinceramente, eu acho que ainda estou sendo educada demais.

— Fui eu que deixei eles morarem neste apartamento. Desconte em mim se quiser, mas não dificulte as coisas para os pais de Paula. Agora venha comigo.

Gustavo avançou para segurar o braço de Patrícia, mas ela afastou a mão dele com repulsa.

— Eu não vou a lugar nenhum. Quem tem que sair são eles. Preciso lembrar você? Este apartamento está no meu nome. A lei reconhece isso. Você não tem direito de mandar eu sair. Eu posso até processar vocês dois por invasão de domicílio!

Gustavo suspirou.

Havia nos olhos dele uma emoção que Patrícia não conseguia entender.

— Você esqueceu quem pagou por este apartamento? Eu pude dar o imóvel a você, então também posso pegar de volta. Eu já estou poupando a sua dignidade.

Patrícia não imaginava que ele conseguiria dizer algo tão descarado.

— Você quer entrar na Justiça contra mim para disputar a propriedade deste apartamento?

— Eu não disse isso. Mas, se você insistir em fazer escândalo, eu também posso fazer isso.

— Ótimo. Muito bom.

A última vez que Patrícia disputou alguma coisa com Paula tinha sido quatro anos antes, quando Gustavo comprou um diamante no exterior para ela e pretendia mandar cravar a pedra em um anel para o casamento dos dois.

Mas Paula só precisou dizer:

— Tenho tanta inveja da Patrícia. Depois que minha família faliu, eu vendi todas as minhas joias.

Com apenas essa frase, Gustavo mandou Patrícia ceder o anel.

Agora, três anos depois, Patrícia não permitiria que ela mesma perdesse de novo.

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