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Capítulo 5

Author: Pimenta Explosiva
— Naquela época, você pegou o anel que era meu, mandou ajustar à força para caber no dedo de Paula e entregou para ela. Eu cedi. Mas isso não significa que eu vou permitir que os inimigos responsáveis pela morte do meu pai morem no meu apartamento. Eu ainda não cheguei a esse nível de humilhação!

Gustavo raramente via Patrícia tão afiada.

Na lembrança dele, Patrícia sempre fazia tudo por ele.

Mesmo quando ele fazia exigências absurdas, ela aceitava.

Mas agora ele parecia um inimigo para ela.

O coração de Gustavo apertou.

— Diga suas condições. O que você quer para parar com esse escândalo?

— Nada vai resolver!

Ao ver a postura firme de Patrícia, Paula entrou na conversa entre soluços:

— Desculpa. Eu não devia ter deixado meus pais morarem aqui. Mas eu só queria que eles ficassem mais perto de mim, para a gente poder cuidar uns dos outros. Eu não sabia que Patrícia ficaria tão brava...

Ela mordeu o lábio, tentando impedir que as lágrimas caíssem com tanta força.

Gustavo sentiu uma dor ainda maior no peito.

Ele passou a mão pela cabeça de Paula.

— A culpa não é sua. Na época, eu achei que ela cumpriria a promessa e não voltaria. Quanto a esses bens, eu já tinha entendido que ela tinha aberto mão de tudo. Por isso deixei seus pais morarem aqui.

Paula disse de propósito:

— Então talvez seja melhor eu sair daqui com meus pais...

Gustavo ficou comovido.

— Você não gostou deste apartamento? Comigo aqui, ninguém vai conseguir expulsar vocês.

Depois de consolar Paula, ele tirou um cartão de acesso da carteira e entregou a Patrícia.

— Você já quebrou tudo que queria quebrar e já fez o escândalo que queria fazer. No fim, não é dinheiro que você quer? Devolva este apartamento, e eu compenso você com outro.

— Este é o cartão de acesso do Bloco 41 do Condomínio Reserva Verde. O apartamento de lá é maior, o ambiente é melhor e o preço também é mais alto. Desde que você concorde, amanhã nós fazemos a transferência.

Patrícia sentiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo.

Jogou o cartão de volta para ele.

— Você acha que tudo pode ser compensado com dinheiro? Que tudo pode ser trocado por algo novo? E a vida do meu pai? E o estado em que minha mãe ficou? Como você pretende compensar isso?!

Ao ouvir aquele assunto, Gustavo também ficou furioso.

— Que direito você tem de odiar por causa disso? Tudo já passou...

Patrícia interrompeu com voz severa, contendo a dor nas palavras:

— Enquanto alguém da família Queiroz ainda estiver vivo, enquanto o caso do meu pai não for reaberto, isso nunca vai passar!

— Você...

No momento em que a discussão atingiu o auge, um homem de terno preto, com corpo forte e treinado, bateu à porta.

— Com licença.

Ele colocou apenas metade do corpo para dentro, e o olhar encontrou Patrícia de imediato.

— Finalmente encontrei a senhora...

Gustavo encarou o homem com irritação.

— Quem é você? Esta é uma residência particular. Saia daqui!

Patrícia olhou para ele. Era Sandro, o segurança particular que João tinha designado para ela.

Antes, ele sempre fazia a proteção pessoal de João no exterior.

Ela não esperava que João mandasse Sandro para cuidar dela.

Patrícia bloqueou a visão de Gustavo e ergueu levemente o queixo.

— Que direito você tem de mandar ele sair? Ele é meu.

Paula olhou para Sandro.

A aparência dele era comum. As roupas que usava não eram baratas, mas também não eram caras.

Ele não parecia alguém importante da elite, e sim um trabalhador de classe baixa.

Paula sentiu uma alegria secreta.

— Esse não é seu novo namorado, é? Até que combina com você.

Gustavo finalmente olhou Sandro de frente.

Observou durante alguns instantes e acabou rindo de raiva.

— Então este é o marido falso que você arrumou? Mesmo depois de terminar comigo, você não precisava ficar com esse tipo de...

Patrícia não tinha a menor vontade de explicar mais nada.

— Com quem eu fico é problema meu. Não tem nada a ver com você. Você não tem direito de meter o nariz. Agora eu só quero que vocês sumam daqui.

Depois, virou a cabeça e falou com Sandro, que estava na porta:

— Chame a polícia. Diga que tem gente ocupando ilegalmente a residência de outra pessoa. Também quero processar todos por dano aos meus bens pessoais. Entre em contato com um advogado e prepare a ação de indenização.

— Você já pensou nas consequências de chamar a polícia?

Ao perceber que Patrícia realmente queria acionar a polícia, Gustavo ignorou a raiva dela e encarou diretamente seus olhos.

Com a mesma crueldade de três anos antes, quando disse que tinha se apaixonado por Paula.

Patrícia sustentou o olhar dele sem nenhum medo.

— Tenho certeza absoluta.

— Depois não diga que eu não avisei.

......

Depois que a polícia chegou, Patrícia manteve a postura firme.

Ela não aceitava nenhuma conciliação.

Exigia que Belmiro e os outros saíssem imediatamente, além da responsabilização de todos pela ocupação indevida e pelos danos causados.

A tentativa de mediação da polícia não deu resultado.

Como Patrícia tinha os documentos do imóvel em mãos, os policiais só podiam exigir que eles deixassem o apartamento.

Constrangido, um policial chamou Gustavo para uma conversa reservada.

— Sr. Gustavo, embora o apartamento tenha sido comprado pelo senhor, a propriedade está mesmo no nome da Srta. Patrícia. Nós só podemos agir conforme a lei. Talvez seja melhor pedir que eles saiam.

Gustavo não respondeu.

Ele olhou para Patrícia.

Ela estava calculando o valor exato dos objetos perdidos e danificados, sem sequer olhar na direção dele.

Depois de um longo tempo, ele falou devagar:

— Vá dizer a ela que nós podemos sair, mas eu também vou responsabilizar ela pela agressão que cometeu de propósito agora há pouco no Clube Solar das Nuvens. Ela empurrou minha noiva. Ela que escolha: vai ser presa de novo ou entrega o apartamento para mim.

Quando Patrícia pegou um boneco colecionável de edição limitada, já fora da embalagem, e começava a procurar o registro da compra para calcular o prejuízo, o policial caminhou até ela.

A expressão dele parecia extremamente constrangida.

Ele hesitou por um momento antes de falar:

— Srta. Patrícia, o Sr. Gustavo acusa a senhora de ter empurrado a noiva dele agora há pouco no Clube Solar das Nuvens. Se a senhora insistir em não aceitar um acordo, ele também vai pedir que a senhora responda por lesão corporal dolosa...

Os dedos de Patrícia pararam de repente.

Ela olhou na direção de Gustavo, incrédula.

— Foi isso que ele disse?

O policial assentiu.

O coração de Patrícia já parecia incapaz de sentir dor, mas, ao ouvir aquelas palavras, ela ainda não conseguiu evitar fechar os punhos.

Ela respirou fundo.

— Então deixe ele fazer isso. Peçam as imagens das câmeras do Clube Solar das Nuvens e vejam se eu realmente empurrei Paula. E lembrem de mostrar para Gustavo também.

......

A polícia trouxe as imagens de segurança do Clube Solar das Nuvens.

Antes de o vídeo começar, Gustavo ainda estava cheio de confiança, certo de que Patrícia acabaria cedendo.

Mas, à medida que as imagens avançavam, ele perdeu a calma.

No vídeo, Patrícia nem sequer tinha encostado em Paula.

Pelo contrário, aqueles amigos dele apareciam ajudando Paula a pressionar Patrícia a beber.

Eles falavam sobre o quanto Gustavo mimava Paula, cada frase mais desagradável que a outra.

O rosto de Gustavo ficou sombrio.

A expressão dele piorou aos poucos, e ele passou um bom tempo sem conseguir dizer nada.

Ao lado, Paula explicava de maneira confusa:

— Talvez eu tenha perdido o equilíbrio naquele momento e caído sozinha. Eu entendi mal Patrícia... Gustavo, eu juro que não quis culpar Patrícia de propósito.

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