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Capítulo 72: A Linha Tênue

last update publish date: 2026-09-26 23:36:53

No dia seguinte, o sol da manhã entrava pelas frestas da persiana, desenhando linhas douradas no chão do quarto de hospital. Mariana estava sentada na poltrona ao lado do leito, os dedos entrelaçados aos de Vitória, que permanecia imóvel sob os lençóis brancos. O bip rítmico dos monitores preenchia o silêncio como um metrônomo implacável.

A cabeça de Mariana fervilhava. Ela queria gritar. Queria sacudir aqueles ombros até que Vitória acordasse e explicasse. Como podia? Como podia ter pensado
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    No dia seguinte, o sol da manhã entrava pelas frestas da persiana, desenhando linhas douradas no chão do quarto de hospital. Mariana estava sentada na poltrona ao lado do leito, os dedos entrelaçados aos de Vitória, que permanecia imóvel sob os lençóis brancos. O bip rítmico dos monitores preenchia o silêncio como um metrônomo implacável. A cabeça de Mariana fervilhava. Ela queria gritar. Queria sacudir aqueles ombros até que Vitória acordasse e explicasse. Como podia? Como podia ter pensado que a vida dela valia tão pouco? — Por que você fez isso? — sussurrou Mariana, a voz trêmula, os olhos fixos no rosto pálido da amiga: — Por que não me procurou? Por que achou que eu não perdoaria uma briga idiota? As lágrimas escorriam silenciosas pelo seu rosto. Ela apertou a mão de Vitória com mais força, como se pudesse transferir um pouco da sua própria vida para aquele corpo inerte: — Se você tivesse morrido por minha causa... — Mariana engoliu em seco, o nó na garganta quase a impedind

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    Duas semanas se passaram desde o turbilhão em Londres, e a mansão em Edimburgo recuperava seu ritmo silencioso. A luz da tarde entrava pelas cortinas do quarto do bebê, criando um mosaico dourado sobre o carpete macio.Charles estava inclinado sobre o berço, os dedos grandes e elegantes acariciando os finos cabelos negros de Edward. O menino dormia com os punhos cerrados, os lábios entreabertos, a respiração leve e rítmica. Havia algo naquele rosto minúsculo que desarmava completamente o magnata, uma paz que ele raramente encontrava em qualquer outro lugar.Anne parou na porta, apoiando o ombro no batente. Observou o marido em silêncio, a maneira como seus traços severos se suavizavam diante do filho, como seus dedos traçavam círculos lentos na cabeça do bebê. Um calor diferente, mais profundo que o sol da tarde, espalhou-se pelo peito dela.Ela entrou devagar, os pés descalços no carpete, e aproximou-se até ficar ao lado dele:— Ele cresceu tanto — murmurou Anne, a voz baixa para não

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    Mariana estava exausta, oscilando entre a consciência e a semiconsciência. Os analgésicos fortes pesavam em seus pensamentos; a última coisa de que se lembrava era de ter pedido água alguns minutos atrás. Melissa não estava na poltrona, talvez tivesse ido buscar. O quarto mantinha um silêncio artificial, quebrado apenas pelo apito rítmico do oxigênio e pelo zumbido baixo dos monitores. Ela estava semissentada, o rosto pálido contra o travesseiro. As pálpebras pesavam, mas a mente ainda girava, processando o escândalo, a briga e a dor surda no peito.O som da porta se abrindo foi um arranhão no silêncio.Mariana abriu os olhos, esperando ver Charles ou Melissa. O que viu foi Cecília parada ao pé da cama, os cabelos ruivos soltos, a pele pálida ainda mais branca sob a luz fria do hospital. O ar pareceu sumir do quarto:— Cecília? — a voz de Mariana saiu rouca, um fio de ar passando pelo cateter: — O que você está fazendo aqui?Cecília não respondeu de imediato. Deu um passo para o lado,

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    O trem com destino a Londres balançava suavemente nos trilhos enquanto Mariana mantinha os olhos fixos na tela do tablet, os dedos imóveis sobre a superfície de vidro. A manchete do *Daily Mail* ocupava metade da página com uma foto antiga dela e Márcio — ainda casados, ainda sorrindo, ainda fingindo que tudo estava bem em um evento de caridade há cinco anos.**"BRIGA DE EX-CASAIS SACODE O GLENEAGLES: MARIANA E MÁRCIO CAMPBELL PROTAGONIZAM CENA NO HOTEL MAIS EXCLUSIVO DE EDIMBURGO"**O texto abaixo era pior. Cada parágrafo descrevia detalhes que ela nem sabia como os repórteres haviam descoberto. *"Testemunhas relatam gritos vindos do quarto da socialite por volta das 23h"*, *"um hóspede anônimo afirma ter visto Márcio Campbell deixar o local com o lábio sangrando"*, *"fontes próximas confirmam que a briga envolvia um terceiro homem, identificado como Cameron Wallace, advogado da família Durdday"*.— Meu Deus — Mariana murmurou, passando a mão na testa.Melissa, sentada ao lado, estic

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