LOGINNo segundo seguinte, a voz amarga do Augusto ecoou pelo viva-voz do celular:— Débora… Você me odeia tanto assim? Nem olhar pra mim você consegue mais?O clima à mesa endureceu na mesma hora. O sorriso da Dona Joana perdeu parte do calor, e os olhos do Thiago escureceram num instante, carregados por uma sombra pesada.Eu já estava prestes a desligar a ligação na cara dele quando Thiago estendeu a mão e pegou o celular da frente da Laís.A voz dele saiu baixa e fria, carregada de uma pressão silenciosa que pareceu ocupar a sala inteira:— Augusto, você quer ver a Débora, não quer? Tudo bem. Daqui a pouco eu e ela vamos levar a Laís pessoalmente até você.Assim que terminou de falar, a chamada caiu.Augusto desligou sem dizer mais nada, deixando para trás apenas o constrangimento pesado que tomou conta da sala de jantar.O silêncio se prolongou por alguns segundos. Thiago colocou o celular de volta sobre a mesa e ergueu os olhos para mim.— Já terminou de comer? — Perguntou ele.A voz de
— Rafaela! — Laís lançou imediatamente um olhar de reprovação para ela e corrigiu, toda séria. — A professora falou que menino e menina não podem ir juntos pro banheiro, muito menos tomar banho juntos! Isso não existe!O meu coração disparou. Eu me aproximei e sentei ao lado das duas, forçando a voz a soar o mais calma possível:— Eu estava tomando banho no meu quarto. Acho que não ouvi vocês baterem por causa do barulho da água. E então, o que vocês queriam falar comigo?Laís hesitou por um instante. Quando ergueu o rosto para me olhar, os olhos dela estavam cheios de cautela:— O papai… O papai acabou de me ligar. Ele falou que amanhã quer me levar pra passear. Eu posso ir?— E você quer ir? — Eu acariciei a bochecha dela e perguntei num tom suave.Laís assentiu com força, e o brilho de expectativa nos olhos dela quase transbordou. Afinal, desde o meu divórcio com o Augusto, fazia muito tempo que ela não via o pai.Mas, no instante seguinte, a expressão da pequena murchou. Ela abaixo
Eu fiquei completamente dura na hora, com o rosto pegando fogo. Eu ergui o olhar, em pânico, para o homem à minha frente, com os olhos cheios de desespero.Os olhos do Thiago também ficaram mais escuros, mas ele curvou os lábios, como se estivesse se divertindo com a situação. Ele me observou com interesse, percebendo o meu embaraço e a minha aflição misturados.A batida na porta continuou, e a voz da Laís atravessou a madeira:— Mamãe, você está aí dentro?Eu mordi o lábio com força e prendi a respiração. Eu tive medo de que qualquer som mínimo denunciasse o ridículo da situação em que eu estava.Quando o Thiago percebeu que as duas não iam embora, ele não teve escolha a não ser responder:— A sua mãe não está aqui.Rafaela perguntou:— Tio Thiago, o senhor sabe onde a tia Débora foi? Eu e a Laís vimos o carro dela no jardim, mas ela não está no quarto!Thiago pigarreou, tentando disfarçar a rouquidão na voz:— Ela… Provavelmente está em outro cômodo. Por que vocês ainda não foram dor
Quando eu pensei em como ele sempre tinha tanta energia na hora de me levar pra cama, eu senti que, depois de dois dias inteiros correndo pra lá e pra cá, eu realmente não tinha mais forças pra acompanhar o ritmo dele. Então eu abri a boca, sem graça:— Eu… Eu hoje estou meio cansada.Ele não respondeu. Simplesmente veio na minha direção e, com um movimento do braço, me puxou para o abraço dele.— Então eu levo você até lá.Antes mesmo de terminar a frase, ele passou um braço por baixo dos meus joelhos e me pegou no colo.Eu, por reflexo, envolvi o pescoço dele com os braços. Minha bochecha ficou encostada no peito firme dele, e eu ouvi com clareza as batidas fortes e ritmadas do coração.Quando ele entrou comigo no banheiro, a água quente já começava a cair. O vapor subia rápido, se espalhando pelo ambiente, deixando meu rosto ainda mais em brasa.Thiago me colocou sobre a bancada da pia e se virou para ajustar a temperatura da água. As mangas da camisa estavam dobradas, revelando os
A pasta de documentos ainda estava bem cheia na minha mão. O pedido de alteração da licença do negócio tinha acabado de ser devolvido, com a justificativa de que “a descrição do objeto social não estava adequada”. Aquela já tinha sido a terceira vez em dois dias.Quando eu voltei dirigindo para a mansão, a senhora e as crianças já estavam dormindo.— Você voltou? — A voz de Thiago veio da sala de jantar, com um sorriso evidente.Quando me aproximei, vi uma tigela de canja de galinha ainda fumegando sobre a mesa.Ele estava de avental, com as mangas dobradas, deixando à mostra os antebraços definidos. Claramente tinha acabado de sair da cozinha.O olhar de Thiago caiu sobre a pasta de documentos na minha mão, e ele perguntou:— Você conseguiu resolver tudo?Sentei-me na cadeira, exausta, e respondi:— Os processos nos órgãos públicos estavam complicados demais. Só o objeto social já foi alterado três vezes. Amanhã ainda vou ter que correr atrás da aprovação do Corpo de Bombeiros.Thiago
Depois de muito tempo, ele finalmente cedeu, com a voz fria:— Esquece essa história de abrir empresa. Eu vou depositar mensalmente uma quantia fixa para vocês, suficiente para manter o mesmo padrão de vida de antes.Mônica trocou um olhar rápido com Jacarias, e nos olhos dos dois brilhou um traço de satisfação. No fim das contas, abrir empresa ou não era apenas um detalhe: o objetivo sempre tinha sido o dinheiro.Agora que Augusto havia decidido transferir o dinheiro diretamente para eles, sem a responsabilidade de administrar nada, a situação não poderia ser mais conveniente.Mônica soltou uma risadinha e se aninhou ainda mais no abraço de Jacarias:— Augusto, assim você facilita muito a nossa vida. Então a gente só vai ficar esperando as boas notícias.Augusto não olhou mais na direção deles. Apenas fez um gesto impaciente com a mão e disse, com desdém:— Sumam da minha frente.Jacarias apertou a cintura de Mônica, satisfeito, e saiu do escritório com ela ao lado, deixando Augusto s