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Capítulo 2

مؤلف: Anna Smith
O ar no escritório pareceu esfriar vários graus.

Não me virei. Apenas perguntei a Adrian:

— É isso que você quer?

Ele permaneceu ao lado da janela com uma expressão indecifrável. Alguns segundos se passaram, e ele não negou.

Vito bateu a palma da mão sobre a mesa.

— Que absurdo. Elena vive em território dos Moretti há vinte anos. Mesmo que ela não se case com Adrian, ela ainda faz parte da família.

— Padrinho. — Celeste falou suavemente. — Eu só acho que as regras devem ser claras. Caso contrário, as pessoas de fora vão pensar que a futura Donna nem consegue garantir seu próprio lugar.

Adrian finalmente falou:

— Se vamos cortar os laços, então que seja de uma vez.

Olhei para ele e sorri, achando tudo aquilo absurdo.

Na vida passada, precisei morrer para entender isso. Desta vez, ele me entregou essa resposta em um único dia.

— Tudo bem. Então vamos acertar as contas.

Virei-me e passei o olhar por todos na sala.

— Depois que completei dezoito anos, o padrinho começou a me deixar cuidar dos problemas legais que ninguém mais queria resolver. Em seis meses, reorganizei o Cassino Black Bay e voltei a torná-lo lucrativo.

— No ano seguinte, negociei a concessão de trinta anos dos Moretti em Saint Harbor, salvei duas rotas marítimas e obriguei a família Lopez a recuar sem que um único tiro fosse disparado.

— Depois disso, construí a Blackline Logistics em Nova York e transformei várias rotas de transporte ilegais em operações legais de transporte refrigerado e segurança.

— Este ano, assumi a estrutura inicial do projeto de revitalização do Porto Sul. Os hotéis, o clube de iates, as licenças dos cassinos e o acesso às docas ainda não estão concluídos, mas os contratos já assinados garantem um valor futuro de centenas de milhões de dólares.

A cada frase, o semblante de Vito se tornava mais pesado.

Eu não estava implorando por reconhecimento.

Estava apenas encerrando uma conta.

— Os Moretti me criaram por vinte anos. Tudo o que conquistei para a família é suficiente para pagar essa dívida.

Minha voz permaneceu calma.

— A partir de hoje, a família não me deve nada, e eu não devo nada à família.

Celeste soltou uma risadinha fria.

— Belo discurso. Mas o que você está usando que não tenha sido comprado com o dinheiro dos Moretti?

Ela deu um passo à frente e ergueu a mão em direção ao meu casaco.

Antes que seus dedos pudessem me tocar, eu mesma o desabotoei.

— Você não precisa me lembrar disso. E também não tem o direito de colocar as mãos em mim.

Tirei o casaco de cashmere preto tecido com o padrão das sombras dos Moretti e o estendi cuidadosamente sobre a mesa. Em seguida, retirei o relógio de platina do meu pulso e o coloquei ao lado do casaco.

O fecho metálico se fechou com um clique suave, tornando o escritório ainda mais silencioso.

— A família me deu este relógio no meu décimo oitavo aniversário.

Retirei meu celular criptografado, o cartão de acesso à mansão e a chave do Bentley de edição limitada, organizando-os um a um.

— Também podem ficar com tudo isso.

Celeste esperava me ver desmoronar.

Recusei-me a lhe dar esse gosto.

O rosto de Adrian estava mais sombrio do que eu jamais tinha visto. Ele me encarava como se quisesse dizer alguma coisa, mas algo parecia preso em sua garganta.

Eu o ignorei.

Engoli a última onda de emoção que apertava meu peito, tirei os sapatos de salto, alinhei-os cuidadosamente ao lado da mesa e desabotoei os punhos da camisa.

Vito levantou-se abruptamente.

— Elena, você não precisa fazer isso.

— Padrinho, regras são regras.

Tirei a camisa de seda, ficando apenas com a regata preta que usava por baixo. Não era uma cena digna, mas era o suficiente para que eu permanecesse de pé, com a cabeça erguida. Não tentei me cobrir. Não me encolhi.

Paletó, camisa, relógio, sapatos, cartão de acesso, chave do carro.

Fui colocando tudo sobre a mesa, peça por peça, como se estivesse arrancando vinte anos da minha própria pele.

O sorriso de Celeste congelou.

Os dedos de Adrian se fecharam com tanta força que os nós de sua mão ficaram brancos.

Quando me virei para sair, Vito chamou baixinho:

— Elena.

Parei por apenas um segundo.

Seus olhos carregavam culpa e um silencioso pedido.

Nenhum dos dois importava mais.

— Obrigada por ter me dado um lar todos aqueles anos atrás.

Fiz a reverência formal da família.

— Mas, de agora em diante, sou apenas Elena Vega. Não sou a futura Donna criada pelos Moretti. Não sou a substituta de ninguém.

Então deixei o escritório.

Ainda havia um casaco-capa vermelho de lã pendurado no depósito atrás da casa.

Adrian o havia me dado no meu décimo aniversário. Naquela época, ele era grande o bastante para envolver todo o meu corpo. Agora, mal chegava acima dos meus joelhos. Ainda assim, era quente o suficiente para que eu não deixasse a propriedade sem nada.

Vesti-o e puxei uma velha Vespa enferrujada de um canto.

A motoneta também era minha. Quando eu tinha dez anos, economizei moedas e a comprei de um ferro-velho. Adrian havia rido, dizendo que eu parecia uma entregadora mirim andando nela. Anos depois, ela quebrou, e todos se esqueceram de sua existência. Eu continuava pedindo ao velho mordomo que a deixasse guardada no depósito.

Quando o portão dos fundos se abriu, repórteres e blogueiros de fofoca já haviam se aglomerado do lado de fora.

Os flashes caíram sobre mim como uma tempestade.

— Senhorita Vega, como é ser expulsa da família Moretti?

— É verdade que você saiu apenas com uma capa velha?

— Adrian escolheu Celeste. E você? Se sente patética?

Alguém empurrou uma câmera para perto dos meus pés, tentando registrar minhas solas descalças sobre os frios degraus de pedra.

Não desviei.

Apenas olhei para a repórter que liderava o grupo.

Eu conhecia seu rosto.

Ela havia aparecido nas fotos da festa de aniversário de Celeste na noite anterior.

— Saiam da frente.

Alguns riram.

Outros recuaram diante do meu olhar.

Subi na velha Vespa.

O motor tossiu duas vezes antes de finalmente ganhar vida.

Vestindo aquela capa vermelha, deixei a propriedade dos Moretti em meio a uma tempestade de flashes e zombarias.

O vento vindo do lago cortava como uma lâmina.

Minhas costas permaneceram eretas.

Quando entrei em um beco silencioso, um Rolls-Royce Phantom preto bloqueava a estrada.

Dois SUVs blindados fechavam a passagem pela frente e por trás, embora nada daquilo parecesse uma ameaça.

O vidro do carro desceu, revelando um rosto envelhecido, marcado pelo tempo, mas afiado o bastante para silenciar qualquer pessoa instintivamente.

— Senhorita Vega.

O velho segurava um charuto apagado entre os dedos.

Seu tom permaneceu calmo.

— Sou Victor D'Amico, presidente da Comissão.

Minhas mãos se apertaram no guidão.

A família D'Amico ocupava o topo da pirâmide da Costa Leste. Na minha vida passada, passei quase dez anos conquistando o direito de negociar com eles. Agora, o presidente da Comissão havia parado pessoalmente diante de mim.

— Li seu plano para o Porto Sul. — Victor disse. — Os Moretti jogaram um diamante na sarjeta. Eu não me importo de apanhá-lo.

Ele me olhou sem qualquer traço de pena.

Havia apenas avaliação e respeito em seus olhos.

— Vem comigo?

Desci da velha Vespa e fiquei ereta.

— Será uma honra.

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