INICIAR SESIÓNCAPÍTULO 4 — TRÊS ANOS DEPOIS
— Mamãe, o Brasil fica muito longe? Helena Duarte sorriu enquanto fechava a última mala. — Bastante. — Mais longe que a casa da tia Laura? — Muito mais. O menino pareceu considerar a informação por alguns segundos. — Então o avião vai ter comida? Helena riu. — Essa é a sua preocupação? — É importante. Do outro lado do quarto, o irmão gêmeo levantou a cabeça. — Eu quero chocolate. — Vocês dois querem tudo. — Porque somos dois — ele respondeu, muito sério. Helena não conseguiu evitar a risada. Três anos. Às vezes parecia uma vida inteira. Em outras, parecia que havia sido ontem. Três anos desde que chegara a Lisboa carregando duas pequenas vidas e um coração destruído. Três anos desde que decidira que jamais voltaria a depender de Valente Ferraz. E conseguira. Não fora fácil. Houve noites em que chorou escondida no banheiro para que ninguém a ouvisse. Meses em que o medo de não dar conta parecia maior que ela. A gravidez. O nascimento dos meninos. As primeiras febres. As primeiras noites sem dormir. Os primeiros passos. As primeiras palavras. Helena viveu tudo. Sozinha. Ou quase. Laura esteve ao seu lado sempre que pôde. Mas havia momentos em que nenhuma irmã, amiga ou pessoa no mundo conseguia ocupar o espaço deixado por alguém que deveria estar ali. Valente deveria ter visto tudo. E não viu. Helena respirou fundo. Não. Não pensaria nisso. — Mamãe? Ela voltou à realidade. Um dos meninos estava diante dela. — O que foi? — Você ficou triste. Helena se abaixou. — Não fiquei. Ele estreitou os olhos. Aquele olhar. Helena sentiu o coração apertar. Era assustador. Quanto mais cresciam, mais difícil se tornava ignorar certas semelhanças. O formato dos olhos. A maneira séria de observar as pessoas. Até aquele pequeno franzir de testa quando alguma coisa não fazia sentido. Valente fazia exatamente aquilo. — Ficou, sim — o menino insistiu. Helena beijou sua testa. — Mamãe só estava pensando. — No Brasil? Ela hesitou. — No Brasil. O outro se aproximou. — Nosso pai mora lá? Helena congelou. A pergunta não era nova. Mas nunca ficava mais fácil. — Mora. — Ele sabe que a gente existe? Dessa vez, ela não conseguiu responder imediatamente. Os dois esperaram. Helena sentiu a culpa apertar seu peito. — É uma história complicada. — Por quê? Porque ele não confiou em mim. Porque eu estava destruída. Porque tive medo. Porque quando descobri vocês, eu já não reconhecia o homem com quem havia me casado. Nenhuma dessas respostas cabia em uma conversa com duas crianças de três anos. — Porque algumas histórias de adultos são difíceis de explicar. Um deles fez uma careta. — Adulto complica tudo. Helena sorriu. — Isso é verdade. — A gente vai conhecer ele? A pergunta atingiu exatamente onde ela temia. Helena passou a mão pelos cabelos do filho. — Agora vamos terminar as malas. Não era uma resposta. Os meninos perceberam. Mas, para sua sorte, três anos também significavam que a atenção deles podia ser desviada facilmente. — Quem guardar os brinquedos primeiro escolhe o filme no avião. Os dois correram imediatamente. Helena permaneceu ajoelhada. Seu sorriso desapareceu. Voltar para São Paulo parecia uma boa ideia quando estava a milhares de quilômetros de distância. Agora já não tinha tanta certeza. *** Valente Ferraz observava São Paulo através das paredes de vidro do escritório. Três anos. Mil e noventa e cinco dias. Ele não precisava fazer a conta. Já fizera vezes demais. Nos primeiros meses, procurara Helena obsessivamente. Investigadores. Contatos. Empresas. Endereços. Sabia que ela chegara a Lisboa. Depois disso, Helena Duarte simplesmente desaparecera. Sem cartões em seu nome. Sem endereço facilmente rastreável. Sem redes sociais. Nada que a levasse de volta até ele. Em algum momento, Valente entendeu. Helena não estava perdida. Ela estava escondida. Dele. E ele não podia culpá-la. Sobre a mesa havia uma pasta que Valente nunca guardava. Dentro dela estavam as provas da falsificação das mensagens. Três anos depois, ainda as conservava. Talvez como punição. Talvez porque precisasse lembrar todos os dias do preço que pagara por não confiar na própria esposa. Carolina não fazia mais parte de sua vida. Depois daquela noite, a relação entre os irmãos nunca voltou a ser a mesma. Ela continuara insistindo que agira sozinha. Valente nunca acreditou. Principalmente por causa da mensagem que recebera no aeroporto. “Algumas mulheres precisam desaparecer para que tudo permaneça no lugar.” Nunca descobriram quem enviou. A porta se abriu. — Senhor Ferraz. Valente não se virou. — Fale. — Encontramos Helena. O mundo parou. Ele virou lentamente. — O quê? O investigador colocou uma pasta sobre a mesa. — Helena Duarte entrou no Brasil hoje pela manhã. Valente ficou imóvel. Por três anos, imaginara aquele momento. Agora que havia chegado, não sabia o que sentir. — Onde ela está? — São Paulo. Valente fechou os olhos por um instante. Na mesma cidade. Helena estava na mesma cidade. — Tem certeza? — Absoluta. — Onde está hospedada? — Temos um endereço. Valente abriu a pasta. Havia uma fotografia. Helena. Seu coração bateu forte. Ela estava diferente. Os cabelos estavam um pouco mais longos. A postura, mais segura. Havia alguma coisa no olhar que não existia antes. A mulher daquela fotografia não parecia a Helena que chorara enquanto assinava o divórcio. Ela parecia... forte. Linda. Valente passou os olhos pela imagem. E parou. Havia duas crianças ao lado dela. Dois meninos. Ele franziu a testa. — Quem são? — Ainda não conseguimos confirmar. Valente continuou olhando. Os dois pareciam ter aproximadamente a mesma idade. Gêmeos, talvez. — São filhos dela? — Provavelmente. Alguma coisa apertou o peito de Valente. Helena tinha filhos. Durante três anos, ele imaginara inúmeras vezes como seria encontrá-la. Nunca imaginara aquilo. — Descubra quem é o pai. O investigador assentiu. — E não se aproxime dela. O homem pareceu surpreso. — Senhor? — Eu mesmo vou fazer isso. *** Helena entrou no restaurante segurando uma mãozinha de cada lado. — Sem correr. — Eu não estou correndo. — Está quase. — Quase não é correr — o menino respondeu. — Para você, tudo tem uma explicação. Helena sorriu e conduziu os dois até a mesa. Era o primeiro almoço deles em São Paulo. Os meninos estavam animados demais para sentir qualquer estranheza. Helena, não. Desde que desembarcara, tinha a sensação incômoda de que o passado estava perto demais. Talvez porque estivesse. — Eu quero suco — um deles anunciou. — Eu também. — Dois sucos. — E batata. Helena ergueu uma sobrancelha. — Você está fazendo o pedido sozinho agora? — Estou ajudando. Ela riu. — Muito gentil. Enquanto os dois discutiam sobre quem ficaria com o lápis azul do kit infantil, Helena pegou o celular. Uma mensagem de Laura. “Chegaram bem?” Helena respondeu: “Sim. Dois pequenos destruidores oficialmente em solo brasileiro.” Laura enviou vários corações. Depois outra mensagem apareceu. “E você?” Helena ficou olhando para a pergunta. Ela? Ainda não sabia. “Estou bem.” Mentira pequena. Talvez necessária. Guardou o celular. — Mamãe. — Oi? — Quando vamos conhecer nosso pai? Helena fechou os olhos por um segundo. De novo. — Vocês combinaram de perguntar isso o dia inteiro? — Não. O irmão respondeu: — Foi ideia dele. — Traidor. Helena quase riu. — Vamos conversar sobre isso depois. — Depois quando? — Depois. — Adulto fala muito “depois”. — Porque criança pergunta demais. Os dois riram. E Helena sentiu o peito relaxar. Até levantar os olhos. E vê-lo. Valente. Parado a poucos metros. O mundo inteiro desapareceu. Três anos. Três anos imaginando como seria aquele encontro. Nenhuma imaginação chegou perto. Ele continuava praticamente igual. Talvez mais sério. Mais frio. Mais bonito do que ela gostaria de admitir. Mas o olhar... O olhar estava nela. Helena sentiu o corpo inteiro ficar rígido. Valente não se moveu imediatamente. Também parecia incapaz. Até que seus olhos desceram. Para os meninos. Helena perdeu o ar. Não. Não daquele jeito. Não ali. Um dos gêmeos percebeu o homem parado. — Mamãe? Ela não respondeu. Valente começou a caminhar. Cada passo parecia arrancar um pedaço dos três anos que Helena construíra longe dele. Quando finalmente chegou à mesa, nenhum dos dois falou. Foi Valente quem quebrou o silêncio. — Helena. A voz. Aquela voz. Ela havia esquecido o efeito que tinha. Ou fingido esquecer. — Valente. Os olhos dele voltaram para as crianças. Um dos meninos o encarava com curiosidade. O outro continuava desenhando. — Você voltou. Helena sustentou o olhar. — Voltei. — Quando? — Hoje. — Para ficar? — Isso não é da sua conta. A resposta atingiu. Valente assentiu lentamente. — Tem razão. Helena não esperava aquilo. O antigo Valente teria insistido. Aquele homem recuara. Mas então um dos meninos puxou a manga dela. — Mamãe, quem é ele? Silêncio. Valente ficou completamente imóvel. Helena sentiu o coração disparar. — É... Ela não conseguiu terminar. Valente olhou para o menino. Depois para Helena. — Posso? — Não. A resposta saiu rápida. Ele fechou a boca. O menino franziu a testa. Exatamente como Valente. E Valente viu. Helena percebeu o instante exato. O olhar dele mudou. Desceu para o menino. Depois para o irmão. Dois. Mesma idade. Mesmos olhos. O mesmo pequeno movimento das sobrancelhas. — Quantos anos eles têm? Helena sentiu o sangue gelar. — Valente. — Quantos anos? — Isso não interessa. — Helena... — Não faça isso aqui. Ele ficou em silêncio. Um dos meninos olhou para o outro. — Mamãe, ele é seu amigo? Helena quase riu da crueldade da pergunta. — Nós nos conhecemos há muito tempo. Valente não tirava os olhos deles. — Eles são gêmeos? — São. — Três anos? Helena levantou-se. — Chega. Valente também. — Helena, eu preciso... — Você não precisa de nada. A voz dela saiu baixa para não assustar os meninos. — Você perdeu o direito de exigir respostas de mim há três anos. A dor atravessou o rosto dele. — Eu sei. Aquilo a desarmou por um segundo. Valente respirou fundo. — Mas olha para mim e diz que estou errado. Helena congelou. — Sobre o quê? Ele olhou novamente para os meninos. — Sobre o que estou pensando. O coração dela batia tão forte que parecia impossível ninguém ouvir. — Eu não sei o que você está pensando. — Sabe. Um dos meninos se levantou da cadeira. Ficou ao lado da mãe. E então fez exatamente aquilo que Helena temia. Franziu a testa para Valente. — Você está deixando minha mamãe nervosa. Valente perdeu a cor. Porque era como olhar para uma versão pequena de si mesmo. Ele se abaixou lentamente. — Desculpa. O menino continuou sério. — Tem que pedir desculpa pra ela. Helena sentiu os olhos arderem. Valente levantou o olhar para ela. — Eu sei. Duas palavras. Mas carregavam três anos inteiros. Helena pegou as bolsas. — Vamos embora. — Mas a comida não chegou — um dos meninos reclamou. — A gente come em outro lugar. Valente se levantou. — Helena, espera. Ela parou. Não se virou. — Não me segue. Silêncio. — Eu não vou seguir. Helena fechou os olhos. Outra coisa que ele jamais teria aceitado três anos antes. Segurou as mãos dos filhos e começou a andar. Conseguiu chegar quase à porta. — Helena. A voz dele a fez parar novamente. Dessa vez, havia algo diferente. Medo. Ela virou apenas o suficiente para olhar. Valente estava parado ao lado da mesa. Pálido. Com os olhos presos nos dois meninos. — Eles são meus? Helena sentiu o mundo inteiro parar. Os filhos olharam para ela. Depois para Valente. Mas Helena não respondeu. Apenas apertou as mãos dos meninos e saiu. Deixando Valente parado no restaurante com uma pergunta que, a partir daquele instante, ele não conseguiria mais ignorar.CAPÍTULO 162 — A MULHER QUE NÃO RECUOU— Você está tentando me distrair?Helena olhou desconfiada para Valente, que acabara de colocar uma xícara de café ao lado do notebook.— Estou tentando impedir que minha companheira se esqueça de comer.— Tenho uma apresentação em quarenta minutos.— Eu sei.— Uma apresentação que pode decidir minha promoção.Valente se inclinou e beijou seu pescoço.— Também sei.Helena fechou os olhos por um instante.— Você está definitivamente tentando me distrair.— Está funcionando?Ela o puxou pela gravata.— Infelizmente.O beijo foi interrompido por duas vozes no corredor.— PAPAI! ELE PEGOU MEU DINOSSAURO!Valente suspirou.— Parece que minha outra reunião começou.Helena gargalhou.— Boa sorte, senhor CEO.***Às dez horas, Helena entrou na videochamada.Daniel estava acompanhado de três diretores da multinacional.Uma mulher de cabelos grisalhos assumiu a palavra.— Helena, conhecemos seus resultados. Hoje queremos entender como pretende assumir uma
CAPÍTULO 161 — O VALOR DE UMA ESCOLHA— Não vamos conseguir atender a todas as suas condições, Helena.Daniel foi direto assim que a videochamada começou.Helena manteve a expressão tranquila.— Ainda não apresentei todas.Ele sorriu.— Conheço você há tempo suficiente para saber que preparou uma contraproposta.— Então vamos economizar tempo.Ela compartilhou a tela.— Aceito coordenar as três equipes europeias, mas proponho seis dias presenciais por mês em Lisboa, com viagens adicionais apenas para etapas previamente definidas.Daniel examinou o documento.— A diretoria solicitou dez dias.— Eu sei. Mas duas equipes já trabalham remotamente comigo. A terceira pode seguir o mesmo modelo, desde que estabeleçamos responsáveis locais e indicadores semanais.— E as reuniões estratégicas?— Presenciais quando necessário. Não quando alguém simplesmente preferir uma sala cheia.Daniel soltou uma risada.— Você continua impossível.— Prefiro eficiente.O sorriso dele desapareceu quando abriu
CAPÍTULO 160 — ENTRE DOIS MUNDOS— Daniel, você está me oferecendo uma promoção ou uma mudança de país?Helena fez a pergunta assim que ouviu os detalhes da proposta.Do outro lado da videochamada, Daniel sorriu.— Uma promoção. Mas preciso ser transparente sobre as exigências.— Estou ouvindo.— Queremos que você assuma a coordenação estratégica de três equipes europeias. O projeto cresceu, e seu trabalho foi fundamental para isso.Helena sentiu uma onda de satisfação.— É uma oportunidade importante.— É. Mas exigiria presença em Lisboa durante dez dias por mês, pelo menos no primeiro semestre.O sorriso dela desapareceu.Até então, sua rotina previa aproximadamente uma semana mensal na Europa.Dez dias representariam uma mudança considerável.— Existe possibilidade de dividir essa responsabilidade? — perguntou.— Podemos estudar alternativas. Mas precisamos de alguém com sua experiência.— E quando precisam da resposta?— Até o fim da próxima semana.Helena assentiu.— Vou avaliar.
CAPÍTULO 159 — O QUE A DISTÂNCIA NÃO APAGA— Você vai viajar?Helena ergueu os olhos quando Valente entrou no quarto com o notebook.— Provavelmente. Tenho uma reunião internacional na próxima semana.— Para onde?— Madri. Dois dias.Ela assentiu e voltou a guardar as roupas.Valente percebeu sua expressão.— Algum problema?— Nenhum.— Helena...— Valente, você é CEO. Viajar faz parte do seu trabalho.Ele fechou o notebook.— E por que parece que está tentando convencer a si mesma?Helena soltou um suspiro.— Porque eu sei que é irracional, mas ainda odeio despedidas.Valente se aproximou.— Não estamos nos despedindo.— Eu sei.— Estou indo trabalhar. Depois volto para casa.Ela sorriu discretamente.— Você faz parecer simples.— Porque desta vez é.Ele a beijou.Mas Helena permaneceu abraçada a ele por alguns segundos a mais.***Na manhã seguinte, Valente reuniu os responsáveis pela expansão.— A negociação técnica ficará com a equipe de operações — anunciou. — O financeiro terá a
CAPÍTULO 158 — AS LEMBRANÇAS QUE FICARAM— Você tem certeza de que quer ir hoje?Valente observou Helena diante do espelho, prendendo os cabelos.— Se eu adiar, vou encontrar outra desculpa.— Não precisa fazer isso por obrigação.Ela se virou.— Não é obrigação. É vontade de conhecer meu pai.Valente se aproximou.— Então vamos.Helena ajeitou a gola da camisa dele.— Só uma condição.— Qual?— Nada de reuniões pelo telefone durante a visita.— Você está ficando exigente, senhora Duarte.— E você continua negociando demais, senhor Ferraz.Ele sorriu e a beijou.***Hélia abriu a porta com uma expressão surpresa.— Helena! Não sabia que vinham.— Podemos entrar, vó?— Claro, minha filha!Depois dos abraços, Helena explicou o motivo da visita.— Queria ver algumas coisas do meu pai. Fotografias, cartas... qualquer lembrança que você tenha guardado.Hélia ficou imóvel por um instante.— Pensei que nunca fosse me pedir isso.— Por quê?— Porque, durante muito tempo, falar de Alexandre só
CAPÍTULO 157 — AS COISAS QUE ELE NÃO CONTOU— Você vai voltar para a empresa?Helena observou Valente guardar o celular no bolso.— Preciso conversar com o financeiro e com a equipe de operações.— O fornecedor não pode esperar?— Até amanhã. Mas eu não vou decidir sem saber exatamente o que estamos comprando.Ela sorriu.— Finalmente alguém sensato naquela família.Valente ergueu uma sobrancelha.— Você acabou de chamar um Ferraz de sensato?— Não se acostume.Ele a puxou pela cintura e a beijou.— Vou tentar chegar para o jantar.— Os meninos vão cobrar.— E você?Helena aproximou os lábios do ouvido dele.— Eu posso cobrar depois que eles dormirem.Valente soltou uma risada baixa.— Agora ficou difícil voltar ao trabalho.***Helena pretendia ir para casa.Mas, antes de sair do estacionamento, tomou outra decisão.Ligou para Augusto.— Podemos conversar?Houve uma pausa.— Sobre a assembleia?— Sobre meu pai.O silêncio do outro lado durou alguns segundos.— Estou no escritório — A







