FAZER LOGIN(Carlos narrando)
O sono não veio. Fiquei ali uma hora. Duas. Olhando pro teto feito um idiota. A Amanda dormindo do lado, respirando baixinho, tranquila. E eu ali. Acordado. Com fome. Levantei devagar. Coloquei uma regata. Desci a escada descalço. A casa tava com as luzes baixas. Passei pela sala. Fernanda ainda tava no sofá. A amiga dela também. As duas conversando baixo, rindo de alguma coisa no celular. — Vai dormir tarde, Fernanda — falei sem parar. — Tá cedo, Carlos. Não respondi. Passei direto. Nem olhei pra amiga dela. Nem vi a cara da menina. Não me interessava. Fui pra cozinha. Acendi a luz. Abri a panela da feijoada. Ainda tava quente. Peguei um prato. Servi bastante. Arroz, feijoada, couve, farofa. Sentei na mesa da cozinha sozinho. Comi em silêncio. A comida tava boa. Amanda sempre cozinhou bem. Isso eu nunca neguei. A mulher sabia fazer uma feijoada que fazia qualquer um calar a boca e comer. Comi tudo. Repeti. Lavei o prato. Sequei. Guardei. Eu sempre fiz isso. Não gosto de deixar louça na pia. Coisa de quem cresceu sem ninguém pra arrumar nada. Apaguei a luz da cozinha. Passei pela sala de novo. As meninas tinham ido dormir. Sofá vazio. Televisão desligada. Subi a escada. Abri a porta do quarto devagar. Amanda não tava deitada. Tava sentada na cama. Encostada na cabeceira. Luz do abajur acesa. Braços cruzados. Me olhando. Porra. Eu conhecia aquele olhar. Era o olhar de quem tava juntando coragem pra falar alguma coisa que eu não ia querer ouvir. Entrei. Fechei a porta. — Que foi? — perguntei. — Senta aqui. — Amanda, eu tô cansado pra caralho. — Senta, Carlos. O tom dela mudou. Não era pedido. Era ordem. E Amanda não costumava me dar ordem. Sentei na beira da cama. De costas pra ela. — Olha pra mim — ela disse. Virei o corpo. Olhei. Ela tava com os olhos vermelhos. Não tava chorando. Mas tinha chorado. — Eu vou viajar — ela disse. — Viajar pra onde? — Espanha. Fiquei quieto. — Com quem? — Com a Cláudia, a Regina e a Sônia. — Espanha — repeti. — É. — Fazer o quê na Espanha? Ela respirou fundo. Descruzou os braços. Colocou as mãos no colo. — Pensar, Carlos. Pensar na gente. Não falei nada. — Você sabe o que tá acontecendo — ela disse. — Eu sei que você sabe. Você não é burro. — Fala. — Esse casamento tá morrendo. Silêncio. — Eu me arrumo pra você, Carlos. Todo dia. Cuido da casa. Faço comida. Coloco perfume. Coloco camisola. E você... — a voz dela tremeu. — Você me olha como se eu fosse um móvel. Não respondi. Porque ela tava certa. — Eu não sei o que aconteceu — ela continuou. — Eu não sei quando você parou de me ver. Mas você parou. Faz tempo. E eu cansei de fingir que tá tudo bem. — Eu não tô fingindo nada. — Tá sim. A gente acabou de transar e você levantou e foi embora. Nem ficou na cama comigo. Nem me abraçou. Você gozou e saiu de perto de mim como se eu fosse uma qualquer. Aquilo doeu. Não porque era mentira. Porque era verdade. — Amanda... — Não. Deixa eu terminar. — Ela levantou a mão. — Eu te amo, Carlos. Eu te amo desde o dia que você apareceu na minha vida. Desde que a Fernanda tinha seis anos e eu tava sozinha, fudida, sem saber como pagar o aluguel. Você apareceu e cuidou de mim. Cuidou da minha filha. Me deu uma casa. Me deu uma vida. Eu nunca esqueci disso. Nunca. Fiquei olhando pra ela. — Mas eu não vou ficar num casamento onde eu sou invisível — ela disse. — Eu mereço mais que isso. Eu mereço um homem que me olhe. Que me queira. Que me toque porque quer me tocar, não porque eu tô implorando. — Eu não quero que você implore. — Mas é o que eu faço, Carlos. Toda noite. Eu imploro com a camisola. Imploro com a comida. Imploro com o perfume. E você não vê. Ou vê e não se importa. E eu não sei qual dos dois é pior. Silêncio. Longo. Pesado. — Quanto tempo? — perguntei. — O quê? — Na Espanha. Quanto tempo. — Não sei. Um mês. Talvez dois. — Dois meses. — É. Dois meses pra eu pensar. Pra você pensar. Pra gente decidir se isso aqui ainda faz sentido. Fiquei quieto. Olhei pro chão. Passei a mão na cabeça. — E a Fernanda? — perguntei. — Fica aqui. Ela é adulta. Tem a vida dela. E você tá aqui. — Tá. — Tá o quê? — Tá. Vai. Ela me olhou. Esperando mais. Esperando que eu dissesse "não vai", "fica", "eu mudo", "eu te amo", qualquer coisa. Eu não disse. Porque eu não sabia o que dizer. Não sabia o que eu sentia. Não sabia se queria que ela ficasse ou fosse. Não sabia de porra nenhuma. — É só isso? — ela perguntou. — "Tá, vai"? — O que você quer que eu fale, Amanda? — Qualquer coisa, Carlos! Qualquer coisa que me mostre que você se importa! — Eu me importo. — Não parece. Silêncio de novo. Ela balançou a cabeça. Os olhos encheram d'água. Mas ela não chorou. Amanda era forte demais pra chorar na minha frente. — Eu viajo semana que vem — ela disse. — Já comprei a passagem. — Já comprou. — Já. — Então por que tá me perguntando? — Não tô perguntando. Tô te avisando. E tô te dando uma chance de reagir. Mas pelo visto... Ela não terminou a frase. Não precisava. Levantou da cama. Foi pro banheiro. Fechou a porta. Eu ouvi a água da torneira. Ela tava chorando. Eu sabia. Ela abria a torneira pra eu não ouvir. Fazia isso fazia anos. Achava que eu não sabia. Eu sabia. Sempre soube. E nunca fiz nada. Deitei na cama. De barriga pra cima. Olhando pro teto. De novo. Sempre o mesmo teto. Sempre o mesmo vazio. Amanda ia embora. E eu não senti nada. Nem medo. Nem tristeza. Nem alívio. Nada. Só aquele buraco no peito. Aquele buraco filho da puta que não fechava nunca. Fechei os olhos. E dessa vez o sono veio. Pesado. Escuro. Sem sonho nenhum.Priscila acorda com Carlos entre suas pernas, sua boca trabalhando com uma intensidade que a deixa sem fôlego. Ele a consome, declara possessão, e ela se entrega, o corpo respondendo a cada ordem silenciosa.O quarto ainda guardava o calor do dia, embora a noite já tivesse caído há horas. As cortinas espessas bloqueavam qualquer clarão da lua, cortada apenas pela luz fraca que vinha do corredor. O ar cheirava a suor seco, a lençóis amassados e a um traço de perfume masculino, Priscila estava deitada de lado, o corpo nu ainda marcado pelas mãos de Carlos, os seios pressionados contra o colchão, uma perna levemente dobrada sobre a outra. O sono a havia pegado de surpresa, pesado demais para quem tinha passado a noite sendo devorada.Foi o calor úmido entre as coxas que a acordou.Um arrepio subiu pela sua coluna antes mesmo que ela abrisse os olhos. Algo quente, firme, se movia ali, entre suas pernas, com uma precisão que não deixava dúvidas sobre a intenção. Priscila mordeu o lábio inf
–Priscila narrando O quarto estava silencioso.Depois de tudo o que tinha acontecido naquela noite, parecia até estranho estar ali, deitada ao lado de Carlos, ouvindo apenas a respiração dele e o som distante da música que ainda vinha da área da piscina.Eu estava olhando para o teto, tentando organizar meus pensamentos.Mas não conseguia.Minha cabeça parecia uma confusão.Eu sabia que tinha atravessado uma linha que, durante semanas, nós dois tentamos não ultrapassar.E agora não havia mais como fingir que aquilo não existia.Carlos estava deitado ao meu lado, em silêncio.Por alguns minutos, nenhum dos dois falou.Até que ele quebrou o silêncio.— Priscila...Virei o rosto.— Hum?Ele passou a mão pelos cabelos e soltou o ar devagar.— A gente está numa merda.Não consegui evitar um pequeno sorriso.— Pelo menos nisso nós concordamos.Ele ficou me olhando.— Só que eu não estou arrependido.Meu sorriso desapareceu.— Carlos...— Não estou.A voz dele era firme.— Eu sei que deveri
— A Fernanda vai demorar — disse Carlos, a voz rouca, sem olhar nos olhos dela. — Mas quando ela voltar, quero que você finja que quer ir embora depois de algum tempo e suba lá para meu quarto escondida e me espere. — Você está louco, Priscila riu puxando a calcinha de volta para o lugar, sentindo o tecido molhado contra a pele. Ela se levantou, as pernas um pouco trêmulas, e começou a procurar os chinelos que tinha deixado perto da espreguiçadeira. — Eu estou falando sério,ou você vai na boa ou eu já falo tudo que a entre nós aqui na frente de todos,porque a partir de hoje filha da puta nem um de Marcos vai encostar o dedo em você,entendeu?— Tá bom — murmurou ela, a voz baixa. — Eu vou dar um geito,mas não precisa falar assim que você me assusta.Carlos a observou em silêncio por um momento. A imagem dela ali, despenteada, marcada por ele, despertou algo possessivo que ele não conseguia controlar. Ele não queria que ela fosse embora. Não queria que ela se vestisse,ele queria
Priscila começou a boiar de costas na água azul. Carlos ficou ali parado olhando pra o corpo escultural dela, a garganta seca, impossibilitado de formar palavras. Ele sabia que o mercado era distante, um detalhe que agora pesava como uma promessa de pecado o silêncio da casa se instalou, quebrado apenas pelo borbulhar constante do filtro da piscina e pelo farfalhar suave das folhas ao vento.Priscila mergulhou, emergindo com um jato de água que escorreu pelo pescoço e se perdeu nos seios fartos, o molho do biquíni ficando quase transparente com a umidade. Carlos caminhou até a borda da piscina. A água batia na margem, um convite hipnótico. Ele não tirou os olhos dela enquanto ela se apoiava na borda, o queixo apoiado nos braços cruzados, olhando para cima. — A água está ótima, Carlos — disse ela, a voz embargada pelo som da água. — Por que não entra?Ele não respondeu. Simplesmente desceu as escadas internas da piscina, a água subindo lentamente pelas pernas, fria e estimulante,
Carlos narrando Eu devia ter ficado no quarto.Essa era a única coisa que passava pela minha cabeça enquanto eu permanecia na varanda, olhando para a piscina.Eu tinha passado a semana inteira tentando me afastar de Priscila. Tinha me enterrado no trabalho, evitado mensagens, evitado encontros e até evitado pensar nela.E agora ela estava ali.A poucos metros de mim.Eu podia simplesmente permanecer no quarto, fechar a porta e deixar a festa acabar.Seria a decisão mais inteligente.Mas eu nunca fui conhecido por tomar decisões inteligentes quando o assunto era uma mulher.Muito menos quando essa mulher era Priscila.Respirei fundo.— Foda-se.Desci.Quando cheguei à área da piscina, Fernanda abriu um sorriso.— Finalmente resolveu aparecer!— Eu moro aqui, esqueceu?— Mas parecia que tinha ido embora.— Só estava descansando.Peguei uma cadeira e me sentei.Paula estava ali também, conversando com Fernanda.Priscila permanecia perto da piscina.Ela percebeu minha presença, mas tento
Carlos estava lá imóvel , olhando a área da piscina, Fernanda e Paula conversavam perto da borda, suas vozes subindo até o segundo andar. Mas os olhos de Carlos não estavam nelas. Eles estavam fixos na entrada da área de lazer, esperando. Priscila surgiu no quadro, vindo da casa dos fundos. O ar pareceu ficar mais denso no instante em que ela pisou no deck de madeira. Ela com um biquíni fio-dental rosa choque, violento contra a pele morena. O topo do biquíni era uma afronta à gravidade, dois triângulos minúsculos que mal cobriam os bicos dos seios, deixando a maior parte da curva farta e pesada à mostra, destacada pela marca clara do bronzeado que cortava o peito ao meio. Carlos prendeu a respiração, os dedos cerrando no metal frio da grade. Ela andava com aquele balanço natural de quadris largos, e a visão de cima era devastadora. O fio dental rosa desaparecia entre as nádegas , engolido pela carne a cada passo que ela dava, para reaparecer brevemente no topo. A bunda balançava em







