INICIAR SESIÓNCapítulo 81 Orion Valek Eu soube que ia perder a discussão no instante em que ela desceu as escadas vestida para trabalhar. Blusa confortável, calça prática, cabelo preso. O cheiro doce da gravidez já impregnava o corredor inteiro. Dois filhotes. Um meu. Um do Ravi. E ela ali, decidida, com a bolsa na mão como se o enjoo da véspera e o aviso do médico ancião fossem detalhes menores. — Você não vai — eu disse, bloqueando a saída da sala. Lavinia ergueu o olhar. Não havia raiva. Havia aquela teimosia calma que sempre me desarmava. — Eu vou. Com você. Na Valek. — Você está grávida. — Eu sei. Eu estava lá quando o médico falou. — Grávida de dois — completei, o peito apertando. — O enjoo voltou ontem. Você empalideceu. Eu senti pelo laço. Ravi sentiu. Você não precisa estar numa empresa cheia de gente, de cheiro, de estresse. Ela deu um passo à frente e parou bem na minha frente. O ventre ainda plano, mas o significado dele já pesava em cada instinto meu. — Eu não estou pedindo
Capítulo 80 Ravi Darke Eu acordei antes dela. O corpo de Lavinia estava quente contra o meu, a respiração tranquila, uma mão protegendo o ventre por reflexo mesmo no sono. Do outro lado, Orion já estava de olhos abertos, o olhar fixo nela com aquela mistura nova de reverência e pânico controlado. Desde o anúncio do médico ancião, nenhum de nós dois tinha dormido direito. Dois filhotes. Um de cada. Dentro dela. — Ela mexeu a mão — Orion murmurou, baixo. — Eu vi. Quando Lavinia abriu os olhos, os dois estávamos olhando. Ela piscou, confusa, depois soltou um gemido cansado. — Vocês dois estão me vigiando dormindo? — Sim — respondi, sem culpa. — Desde que horas? — Desde que você fechou os olhos — Orion completou. Ela cobriu o rosto com o travesseiro. Descemos para o café da manhã juntos. Eu segurei o braço dela na escada. Orion foi na frente, como se os degraus pudessem atacar. Lavinia parou no meio do caminho, a expressão já irritada de leve. — Eu consigo descer sozinha. —
Capítulo 79 Lavinia Marke O mal-estar veio sem aviso. Eu estava na sala, o corpo ainda carregando o residual dos últimos dias, a magoa, o cuidado de Ravi, a distância cuidadosa de Orion, quando o estômago revirou de uma forma diferente. Não era fome. Não era nervoso. Era uma onda quente e enjoativa que subiu rápido demais. O mundo girou. Eu segurei o encosto do sofá e o ar sumiu por um segundo. — Lavinia? A voz de Ravi veio primeiro. Depois a de Orion. Os dois já estavam de pé antes mesmo de eu conseguir responder. O enjoo bateu de novo, mais forte, e as pernas fraquejaram. Ravi me segurou pela cintura. Orion apareceu do outro lado, as mãos prontas, o rosto tenso. — Eu… não estou bem. Não precisei dizer mais nada. Orion já gritava por alguém chamar o médico ancião. Ravi me carregou até o sofá maior, ajoelhou na minha frente, as mãos grandes segurando as minhas. O laço negro latejava em pânico contido. O roxo, do outro lado, estava igual — preocupado, alerta, quase dolorido. —
Capítulo 78 Ravi Darke Ela entrou no carro sem dizer quase nada. O cheiro de Lavinia estava diferente, não de raiva aberta, mas de magoa residual, daquelas que grudam no peito e demoram a soltar. Eu dirigi até a Darke Pharma em silêncio, a mão no volante, o laço negro entre nós latejando com um cansaço emocional que não era meu. Era dela. E eu sentia cada onda. — Se quiser voltar — eu disse, sem tirar os olhos da estrada —, a gente volta. — Não. — A voz saiu baixa. — Eu preciso trabalhar. Se eu ficar em casa, eu só fico revivendo. Assenti. Não pressioni. O prédio me recebeu com o ritmo de sempre. Funcionários baixaram a cabeça quando passamos juntos. Eu levei Lavinia até o escritório, puxei a cadeira dela e deixei os relatórios do dia organizados sobre a mesa. Ela se sentou, ligou o computador e entrou no sistema com uma concentração forçada demais. Eu reconhecia aquele modo: ocupar a cabeça para não deixar a dor respirar. Passei a manhã resolvendo o que precisava, mas
Capítulo 77 Orion Valek A mesa estava posta quando descemos.A luz do jantar era mais baixa, amarelada, o tipo que costumava tornar a mansão aconchegante. Naquela noite, só tornava o silêncio mais evidente. Lavinia sentou na cadeira do meio. Ravi ficou à direita dela. Eu ocupei o lugar à esquerda, mantendo a distância que ela tinha pedido horas antes. Não tocar. Não beijar. Só coexistir. Eu conseguia conviver com isso. O que eu não conseguia era ignorar o peso no laço. A empregada entrou com a primeira travessa. O cheiro de carne assada e ervas se espalhou pela sala de jantar. Ela serviu Lavinia primeiro, depois Ravi, depois mim. Movimentos treinos, discretos. Nenhuma das funcionárias ousou fazer pergunta. O clima entre os três já bastava para qualquer um com nariz de lobo entender que a noite pedia cautela. — Obrigada — Lavinia murmurou, a voz ainda um pouco rouca de tanto chorar. A mulher assentiu e saiu. O silêncio voltou a se instalar entre o tilintar dos talheres. E
Capítulo 76 Lavinia Marke O sol já tinha baixado quando eu finalmente saí da cama. Os olhos ainda ardiam. O peito, também. Ravi tinha ficado comigo a tarde inteira, em silêncio na maior parte do tempo, só a presença firme o suficiente para eu não desmoronar de novo. Quando me levantei, ele ergueu o olhar. — Você vai falar com ele? — Vou ouvir — eu respondi. A voz saiu rouca. — Só isso. Ravi assentiu, sem tentar me convencer de mais nada. Abriu a porta do quarto e desceu na minha frente. No corredor do andar de baixo, Orion estava sentado no sofá da sala, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos juntas. Quando nos ouviu, levantou a cabeça de uma vez. O rosto dele estava cansado. Os olhos escuros, presos em mim. Eu parei a alguns metros de distância. — Pode falar — eu disse. — Eu escuto. Ravi ficou de pé perto da escada, o suficiente para intervir se precisasse, o suficiente para me dar espaço. Orion se levantou devagar, como se qualquer movimento brusco fosse me faze







