Capítulo 4 Lavinia Marke Quinze dias. Quinze dias de escuridão profunda, de máquinas respirando por mim, de um corpo que teimava em não desistir mesmo quando a mente já tinha se entregado. Quando meus olhos finalmente se abriram, a luz branca do quarto me atingiu como uma facada. Tudo doía. A cabeça latejava com a familiar crueldade do tumor. O peito, onde a bala de prata tinha entrado, queimava sob os curativos. Meus braços pareciam feitos de chumbo. A garganta estava seca, arranhada, como se eu tivesse gritado por dias sem som. Pisquei várias vezes, tentando focar. O teto branco. O bip constante do monitor. O cheiro de antisséptico e algo doce, doentio, que eu reconhecia como o meu próprio cheiro de doença. Tentei me mexer e um gemido baixo escapou dos meus lábios. A dor era tão presente que parecia ter se tornado parte de mim. A porta se abriu com um clique suave. Uma enfermeira de meia-idade entrou, os olhos se arregalando ao me ver acordada. Ela se aproximou rápido, checand
Última actualización : 2026-08-30 Leer más