بيت / Paranormal / Devorada pelo o inimigo / Capítulo 2 - O primeiro passo

مشاركة

Capítulo 2 - O primeiro passo

مؤلف: Garcia R.
last update تاريخ النشر: 2026-03-20 23:03:27

Após duas semanas acordando antes do sol e batendo de porta em porta, com o jornal e currículos debaixo do braço, finalmente consegui. Não era o emprego dos sonhos — vendedora de consórcios de linha de crédito —, mas, para quem não tinha nada, era o mundo. O regime era puramente comissionado, sem salário fixo. Nem parecia totalmente legal, mas quer saber? Eu precisava de uma saída, e aquela era a minha única porta aberta.

No dia seguinte, encarei o trem lotado. Como sempre, levei meu romance do século XVIII para me servir de escudo. Mergulhei na minha bolha literária e a viagem passou sem que eu notasse o caos e o calor insuportável ao redor. Por falta de dinheiro, tive que encarar quase dois quilômetros a pé entre a Central do Brasil e a Avenida Rio Branco. Infelizmente, os lindos sapatos que Julia me emprestara não foram projetados para as calçadas irregulares do Rio.

Para cortar caminho, segui pelas ruelas do Rio Antigo. É um lugar impressionante, mas opressor; uma história pesada que parece impregnada nas fachadas descascadas. Sempre fui sensível. Eu vejo coisas... e as sombras nunca me deixam em paz. Naquele lugar carregado, elas pareciam se deleitar, acompanhando cada passo meu. Hoje, elas já não me assustam; apenas me seguem, vigiando-me com uma neutralidade fria.

Na infância, porém, quando surgiram, foi aterrorizante. Eu tinha terrores noturnos e saía correndo sem explicação; as pessoas diziam que eu estava enlouquecendo. Em minhas leituras, encontrei um livro de magistas do século passado que explicava fenômenos assim. Aprofundei-me e percebi que a realidade era mais complexa do que eu supunha; em muitos casos, era uma herança familiar. Alguns escritos sugeriam que eu poderia usar aquilo a meu favor, mas eu não queria intimidade com a escuridão; eu só queria paz.

Mesmo assim, as sombras me hipnotizavam. Eu andava e olhava, andava e olhava... até que cheguei a um imponente prédio antigo. O escritório ficava no 21º andar e, como a sorte nunca me visita por completo, o elevador só subia até o 18º, pois estava em manutenção. Subi os lances de escada restantes às pressas, ignorando as bolhas que se formavam nos calcanhares e dedos, torcendo para que o desodorante não me abandonasse.

Na recepção, fui recebida por uma senhora de olhar gentil. — Victoria? — perguntou ela. — Sim, Victoria Kavanaugh. Tenho uma entrevista com o senhor Christophe Marchands.

Ela notou minha respiração ofegante e me ofereceu um copo d’água, que aceitei de bom grado. Antes de anunciar minha chegada, pediu que eu aguardasse. Dois minutos depois, após entrar em uma sala à direita, ela retornou dizendo que ele me esperava.

A entrevista foi direta. Ele questionou minha experiência e expliquei sobre os anos no armazém, meu domínio de computação e minha paixão pela leitura. Christophe era uma figura quase caricata: calvo, com os poucos fios de cabelo num topete mal ajuntado, pele oleosa e um semblante exausto. Mesmo com o ar-condicionado no máximo, ele transpirava. Era pequeno e troncudo; cheguei a sentir uma pontada de pena. Ele me concedeu a vaga, mas deixou um alerta: a equipe era composta apenas por homens experientes e eu teria que provar meu valor.

— Eu preciso muito desse emprego — afirmei, com firmeza, sustentando o olhar dele com meus olhos azuis profundos. — Faça o que for necessário e a vaga é sua — ele respondeu.

Recebi um crachá, uma folha de horários e, ironicamente, um ticket para o estacionamento. Sorri internamente; eu não tinha nem sapatos inteiros, quem diria um carro. Eu começaria na segunda-feira, o que me dava alguns dias para me preparar.

Saí do prédio com os pés em carne viva, mas respirei fundo, tentando esquecer a dor e o ar úmido e quente do Centro. Abri meu exemplar de Pâmela, de Samuel Richardson, e me perdi na história daquela mulher à frente de seu tempo. Andando e lendo andando e lendo, até que... pow! Acertei em cheio um poste de ferro fundido antigo. Parecia que ele fora colocado ali só para rir do meu vexame.

Olhei ao redor, envergonhada, ajeitando meus longos cabelos loiro cobre que haviam caído sobre o rosto com o impacto. Não vi ninguém, apenas um vulto furtivo escondido entre as sombras de um casarão, mas ignorei. Fechei o livro e segui viagem às pressas.

Ao chegar no bairro, fui direto para a casa de Julia. Ela explodiu em alegria! Brindamos com uma garrafa de vinho barato que ela havia comprado para o final de semana, mas fez questão de abrir para comemorar “meu primeiro dia de muitas vitórias”. Quando contei sobre o poste, ela caiu na gargalhada.

— Vick, você precisa prestar atenção! Um dia vai acabar sofrendo um acidente grave por causa desses livros.

Acabei dormindo lá, o que certamente deixaria minha madrasta possessa — ela odiava perder o controle sobre mim. Eu tinha certeza de que havia alguns de seus homens do lado de fora, mas não deixei esse pensamento estragar nossa comemoração. Fizemos projetos; nem conhecia a quitinete ainda, mas ela já estava toda decorada na nossa imaginação.

No dia seguinte, a realidade do armazém me esperava. Maísa me provocava, dizendo que me daria uma semana para que eu voltasse "com o rabo entre as pernas", implorando para trabalhar com ela novamente. Com um pouco de dinheiro emprestado pela Julia, comprei roupas adequadas para o novo trabalho. Ela também me doou sapatos e peças que não levaria na mudança. Prometi pagar cada centavo assim que recebesse minha primeira comissão.

Finalmente, o vento parecia estar soprando a meu favor.

استمر في قراءة هذا الكتاب مجانا
امسح الكود لتنزيل التطبيق

أحدث فصل

  • Devorada pelo o inimigo   Capitulo 108 - O fim de paz, amor e…

    Epílogo: O Legado do Sangue e do AmorSeis anos depois...O outono irlandês tingia os jardins e os vales do Castelo Black em tons sublimes de âmbar, cobre e dourado. O vento que soprava do norte, antes uivante e gélido, agora trazia o aroma aconchegante de terra molhada, lenha queimada e folhas secas. A fortaleza secular de pedra escura, que durante décadas servira de trincheira fria contra o mundo, brilhava sob a luz de um crepúsculo sereno.No pátio central, o eco de gargalhadas infantis preenchia cada canto da balaustrada.Liam e Freya, com seis anos completos, corriam entre as arcadas de carvalho. O menino, com os olhos negros e a postura firme do pai, empunhava uma espada de madeira artesanal lapidada pelo próprio Fred. Logo atrás, Freya — um prodígio de cachos ruivos flamejantes e íris verdes penetrantes como as de Victoria — contornava as colunas com a agilidade e a astúcia mística da linhagem Kavanaug.— Cuidado com os degraus, meu pequeno príncipe! — a voz grave e ressonante

  • Devorada pelo o inimigo   Capitulo 107 - A benção da patriarca e a quebra do gelo

    A agitação médica dera lugar a uma quietude quase reverente. O ambiente aquecido pela lareira cheirava a tecido limpo, lavanda e àquela fragrância inconfundível de vida recém-chegada. Os exames de rotina estavam concluídos, os pequenos limpos e envoltos em mantas macias de lã branca tecidas à mão.Victoria descansava recostada em travesseiros altos de linho. Embora a exaustão física estivesse estampada em seu rosto, a palidez habitual dera lugar a um brilho maternal radiante. Ao seu lado, sentado na borda da grande cama de carvalho, Killian mantinha um dos braços ao redor dos ombros da esposa, enquanto apoiava a filha pequenina com uma delicadeza inacreditável no braço oposto. O primogênito repousava tranquilamente no peito de Victoria.Na entrada da suíte, a porta de carvalho rangeu de leve. Sra. Walsh vinha à frente, trazendo uma bandeja de prata com chá morno de ervas e infusões para Victoria. Logo atrás, Fred e Julia avançaram a passos lentos, hesitantes em romper o silêncio sagra

  • Devorada pelo o inimigo   Capitulo 106 - A paz e herdeiros das sombras

    A tempestade do lado de fora parecia rugir em uníssono com a força que emanava da suíte master. A luz das chamas da lareira dançava pelas paredes de pedra, misturando-se ao brilho dos monitores médicos que mediam os batimentos vitais acelerados da mãe e dos bebês.Victoria mantinha os olhos cravados nos de Killian a cada onda brutal de dor. A Rainha do clã não gritava; sua determinação transparecia na respiração ritmada, no suor que brilhava em sua testa e no aperto de ferro com que segurava a mão maciça do marido.Ao redor da grande cama de carvalho, a atmosfera tornou-se densa e viva. Das vigas do teto e das extremidades mais escuras do quarto, as Sombras Ancestrais descenderam em espirais sutis e prateadas. Não era uma presença ameaçadora, mas uma cúpula mística de proteção — uma manifestação palpável da linhagem dos Kavanaug abraçando a nova geração que chegava ao mundo.— Falta pouco, Victoria! Mais uma força, na próxima contração! — comandou a Dra. Evans com voz firme e calma.A

  • Devorada pelo o inimigo   Capitulo 105 - Continuação

    Eram exatamente três horas e quarenta e dois minutos da madrugada quando o relógio de pêndulo do corredor principal badalou. Do lado de fora, o vento uivava contra os vitrais do Castelo Black, mas dentro da suíte master o silêncio era absoluto — até o momento em que a respiração de Victoria mudou drasticamente.Um estalo de dor visceral cortou a quietude da mente de Victoria. A primeira contração real e avassaladora veio como uma onda de choque que fez a Rainha cravar os dedos nos lençóis de linho e prender o ar no peito.Instintivamente, Killian abriu os olhos. O líder do clã sentiu a tensão no corpo da esposa antes mesmo que ela emitisse qualquer som.— Victoria... — disse Killian, a voz grave e rouca rasgando a penumbra enquanto se erguia sobre um dos cotovelos.— É agora, Killian... — murmurou Victoria, a voz baixa, mas firme através da dor que tensionava seu maxilar. Ela soltou o ar devagar, encarando-o com os olhos verdes brilhando sob a luz da lareira. — Eles escolheram esta no

  • Devorada pelo o inimigo   Capitulo 104 = A chegada dos principes das sombras

    O cheiro denso de mofo antigo, couro tratado e uísque turfado preenchia o escritório tático no segundo andar do Castelo Black. As pesadas cortinas de veludo verde-musgo estavam parcialmente fechadas, barrando a garoa fria da noite irlandesa, enquanto a vasta mesa de carvalho nobre ao centro estava coberta por plantas arquitetônicas da propriedade, monitores táticos portáteis e relatórios de inteligência impressos.Após o jantar aquecido, a atmosfera da casa transicionou com precisão militar para o rigor que a iminência do parto exigia.Killian estava de pé na cabeceira da mesa. O líder do clã vestia uma túnica escura de lã, com as mangas dobradas até os antebraços, revelando as marcas de anos de combate. Seu olhar escuro e penetrante alternava entre os painéis digitais e as figuras diante dele. Ao seu lado, Victoria permanecia acomodada em uma poltrona de couro de encosto alto. A Rainha da Irlanda, mesmo na fase final da gestação dupla, exalava uma autoridade serena e implacável, com

  • Devorada pelo o inimigo   Capítulo 103 - O jantar em família em terras irlandesas

    Após o frio cortante do pátio, o interior do Castelo Black abraçou o grupo com o calor crepitante das imensas lareiras de pedra e o aroma inconfundível do assado de carneiro com ervas selvagens e vinho tinto encorpado. No grande salão de jantar, sob o lustre de ferro forjado que projetava luzes douradas pelas paredes rústicas, a mesa de carvalho maciço fora posta com o esmero das grandes ocasiões. Cristais lapidados, talheres de prata pesados e louças com o brasão do clã reluziam sobre o trilho de linho escuro. A Sra. Walsh ajustava os últimos detalhes dos castiçais quando os dois casais adentraram o recinto. A governanta secular do castelo, com os cabelos brancos impecavelmente presos em um coque firme e o avental engomado, parou imediatamente. Seu olhar maternal, acostumado a ver o silêncio rígido daquele castelo por décadas, marejou ao encarar Fred e Julia. — Bem-vindos ao lar, meus filhos! — disse a Sra. Walsh, rompendo qualquer protocolo ao caminhar a passos rápidos para abraç

فصول أخرى
استكشاف وقراءة روايات جيدة مجانية
الوصول المجاني إلى عدد كبير من الروايات الجيدة على تطبيق GoodNovel. تنزيل الكتب التي تحبها وقراءتها كلما وأينما أردت
اقرأ الكتب مجانا في التطبيق
امسح الكود للقراءة على التطبيق
DMCA.com Protection Status