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Capítulo 99

Author: DhaSantana
last update publish date: 2026-09-13 08:07:44

Bia Lacerda

O silêncio que se instalou na cobertura depois que a notícia de Genebra foi absorvida não tinha nada de tenso; era um silêncio leve, respirável, como se um teto de chumbo que nos esmagava havia meses tivesse finalmente virado poeira. A interdição da mãe de Gregório na Suíça e o bloqueio definitivo de qualquer investida dos meus próprios pais criaram ao nosso redor uma bolha de paz inegociável.

Caminhei até a janela da sala de estar, observando o reflexo das luzes da cidade de São P
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    Gregório Bernoulli Olhei para a minha colega de trabalho, depois encarei Julian, arqueando uma sobrancelha com um misto de cautela e diversão contida. Eu conhecia o meu irmão tempo suficiente para reconhecer os perigos daquele olhar.— É a Isabella — expliquei, mantendo o tom firme e protetor. — Minha colega de laboratório, imunologista brilhante, e uma das pessoas que ajudou a manter o estudo de auto tolerância celular funcionando enquanto a gente enfrentava o último ataque da mamãe. Ela é incrível profissionalmente, mas, Julian... eu te conheço. Nem ouse brincar com ela.Julian virou o rosto para mim, franzindo a testa com um sorriso irônico e desafiador nos lábios, como se eu tivesse duvidado de sua idoneidade diplomática.— Brincar com ela? O que foi, Gregório? Ficou com medo de eu estragar a reputação da sua equipe de cientistas? — ele retrucou, soltando uma risada curta e descrente. — Eu sou um homem civilizado, irmão. Apenas fiz uma pergunta legítima. Ela tem uma presença marc

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    Gregório Bernoulli O burburinho alegre da festa parecia flutuar suavemente acima de nós, embalado pelas risadas abafadas dos convidados, pelo tilintar distante das taças de cristal e pela música ambiente que mantinha o ritmo perfeito para aquela tarde ensolarada na fazenda. Eu ainda sentia a adrenalina deliciosa do altar correndo pelas minhas veias, misturada àquela sensação de paz absoluta que vinha em ondas quentes direto do meu peito. Foi exatamente nesse instante de calmaria e contemplação que senti uma presença firme aproximar por trás, seguida por um abraço caloroso e familiar que quebrou o meu transe.Era Julian. Meu irmão, meu meio-irmão, o homem que havia cruzado o Atlântico e colocado a sua própria engrenagem corporativa em risco para me ajudar a desmantelar a rede de manipulações que nos sufocara por anos.Julian veio me abraçar, ele me parabenizou pelo casamento, pelo bebê e que agora eu tinha todos os motivos para ser feliz. O abraço dele foi forte, carregado de uma leal

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    Gregório Bernoulli O teto da tenda armada na fazenda parecia refletir a imensidão do céu azul de São Paulo, mas nada se comparava ao turbilhão de cores, luzes e sentimentos profundos que explodia dentro de mim. Olhando para a pista de dança onde os convidados riam, brindavam e comemoravam, eu ainda me sentia flutuando em um estado de graça que parecia desafiar todas as leis da física e da lógica.Não acreditava que finalmente estava me casando com a mulher da vida inteira, com a única pessoa que conseguiu furar a minha carapaça de médico metódico e me ensinar o verdadeiro significado de lar. E mais do que isso: que ela estava grávida do nosso bebê... Era muita felicidade acumulada para poucas horas, uma avalanche de bênçãos que parecia redimir cada segundo de dor, solidão e perseguição que enfrentamos no passado recente.Cada segundo daquela festa parecia um fotograma de um filme perfeito, daquele tipo de produção impecável que a gente tem medo de acordar e descobrir que foi apenas u

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    Bia Lacerda Ao chegarmos à fazenda, o cenário que se abria diante de mim era de tirar o fôlego. Um altar rústico e elegante, adornado com milhares de flores brancas e folhagens delicadas, erguia-se sob a sombra generosa de uma centenária árvore de copa aberta. Cadeiras de madeira dispostas em fileiras perfeitas abrigavam os convidados mais queridos: amigos de longa data, parceiros da agência, a equipe médica do hospital liderada por Arthur e Maya — que já ocupava seu lugar de honra como madrinha principal —, e a senhora Nogueira, que sorria orgulhosa na primeira fila ao lado de Julian, recém-chegado da Suíça especialmente para a ocasião, ostentando um terno impecável e um sorriso cúmplice que parecia celebrar a derrocada definitiva de todos os nossos antigos tormentos. E lá na ponta do altar, esperando por mim, estava ele. Gregório vestia um terno azul-marinho perfeitamente tailored, sem gravata, com a gola da camisa levemente aberta. Mas o que chamava a atenção não era a elegância

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    Bia Lacerda O dia do nosso casamento finalmente tinha chegado. A suíte presidencial do hotel nos Jardins, reservada exclusivamente para o meu dia de noiva, parecia um refúgio de paz e beleza, banhada pela luz suave da manhã de domingo que despistava o trânsito caótico de São Paulo. Ao meu redor, o clima era de puro frisson e expectativa. Maya, deslumbrante com seu vestido fluido de madrinha que já acomodava com elegância a gravidez em curso, circulava pelo quarto checando os últimos detalhes do cronograma. A Senhora Nogueira, mãe de Maya, ajeitava com cuidado a gola do seu tailleur clássico. Gabi, uma das minhas assessoras que estava se tornando uma grande amiga e parceira na agência, ria de alguma piada enquanto ajustava os grampos do próprio cabelo diante do espelho emoldurado a ouro. E Isabella, que aceitara o convite para se juntar a nós naquela manhã tão íntima, sorria discretamente, segurando uma bandeja com xícaras de chá e torradas.Tudo deveria ser perfeito. O cenário estava

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    Bia Lacerda Dois dias depois, no meio da tarde, aproveitei uma pausa nos preparativos da agência para enviar uma mensagem direta a Isabella, convidando ela formalmente para me acompanhar na última prova oficial do meu vestido de noiva em um ateliê refinado nos Jardins. Fui direta, carinhosa e sem segundas intenções. A resposta dela demorou quase uma hora para chegar, e quando li a mensagem — um "Sério mesmo, Bia? Ficarei honrada e emocionada" repleto de emojis de coração —, soube que havia feito a escolha certa.A tarde da prova do vestido chegou com aquela luz suave de final de primavera em São Paulo. O ateliê era um espaço minimalista, com paredes de vidro, tapetes felpudos em tons de off-white e araras repletas de tecidos fluidos, rendas francesas e tules impecáveis. Maya já estava lá, claro, circulando entre os provadores com a barriga de grávida já um pouco mais evidente, ajustando o próprio vestido de madrinha e opinando sobre cada detalhe com a autoridade de quem entendia de e

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