Share

Capítulo 2

Author: Echo
Cinco anos atrás. Três meses depois do nosso casamento.

Ives colocou um elegante cartão bancário suíço preto sobre a mesa à minha frente.

— Essa é a nossa conta conjunta — disse ele, segurando minha mão. Seu polegar deslizou sobre minha aliança. — Tudo o que a família Moretti tem, a partir de hoje, também é seu. Não quero que você seja como as esposas dos outros chefes... apenas um troféu ou uma máquina de fazer filhos.

Os olhos dele eram tão sinceros, cheios de promessas.

— Você é minha rainha, Aurora. Cada pedaço desse império que eu construir será seu.

Eu me lembro de ter ficado tão emocionada que precisei segurar as lágrimas.

A partir daquele dia, cada dólar que eu ganhava por conta própria ia para aquela conta. Eu achava que estávamos construindo nosso futuro.

Até descobrir que Ives estava usando esse dinheiro para encher Isabella de presentes.

Desde pulseiras de cinquenta mil dólares até mansões de milhões.

Eu o confrontei uma vez. Ele apenas respondeu, friamente: — Isso é menos do que você gasta em um único leilão. Por que está sendo tão mesquinha?

Então veio o tratamento de silêncio, até que eu não suportasse mais a frieza e cedesse.

Eu tinha certeza de que esses quinhentos mil também eram para ela.

Respirei fundo e liguei para Ives.

Sem resposta. Provavelmente estava enrolado nos lençóis com Isabella.

Eu não ia perder mais um segundo. Liguei para o meu gerente bancário e pedi o bloqueio da conta. Ives claramente tinha esquecido que eu também era coproprietária daquele cartão, com a mesma autoridade que ele.

Menos de dez minutos depois, Ives retornou a ligação.

— Aurora! — A voz dele estava tensa de fúria. — Que diabos você acha que está fazendo?!

Ele estava furioso. — Acabei de ver que você ligou. Eu estava em um leilão. Meu pagamento foi recusado. Foi você que bloqueou a conta?

— Fui eu — respondi com calma.

Houve uma pausa de dois segundos, carregada de incredulidade.

— Por quê? — A voz dele ficou baixa e perigosa. — Você tem ideia de como isso me faz parecer? Todos estavam olhando!

— Eu tenho o direito de fazer o que quiser com o que é meu — respondi, deixando escapar uma risada fria. — E, no mínimo, não vou deixar que seja gasto com pessoas que eu desprezo.

— Aurora, você está fazendo birra? Virou criança? — ele retrucou, a voz se elevando antes de se controlar. — Olha, eu sei que tenho estado distante — continuou, suavizando o tom para algo ensaiado e conciliador. — Que tal isso? Depois dessa viagem, eu limpo minha agenda. Nós vamos para as Maldivas. Só nós dois. Certo?

Ele falava como se estivesse acalmando uma criança mimada.

— Só nós dois — repetiu, voltando a endurecer a voz. — Agora desbloqueie a conta. Imediatamente.

— E se eu disser não?

Outro silêncio pesado.

Então, a voz dele virou gelo. — Então nós vamos nos divorciar.

Divórcio. Ele estava jogando sua carta final. De novo.

Durante anos, toda vez que brigávamos, toda vez que eu ousava me impor, ele jogava essa palavra na minha cara.

— Continue assim e eu me divorcio de você.

— Se você não me ouvir, eu me divorcio.

E todas as vezes, era eu quem recuava. Porque eu o amava.

Mas agora meus olhos estavam abertos.

— Tudo bem. Como quiser.

Desliguei.

Eu tinha coisas mais importantes para fazer: colocar o plano em ação.

Um mês atrás, eu havia escondido os papéis do divórcio em meio a um grande volume de contratos de transferência de ativos para Ives assinar.

A ironia amarga era que, depois de cinco anos da minha devoção inabalável, ele confiava tanto em mim com documentos que assinava qualquer coisa que eu colocasse na frente dele sem nem olhar.

Agora era a hora.

— Mesmo com a assinatura do Sr. Moretti — explicou meu advogado —, precisamos de uma confirmação verbal clara, registrada, de ambas as partes de que o casamento está irreversivelmente rompido. Basicamente, você precisa fazer com que ele diga que quer o divórcio por telefone.

Então liguei para Ives novamente. Ele atendeu no primeiro toque.

— Aurora, você tem coragem de desligar na minha cara?!

— Ives — eu disse, indo direto ao ponto. — Sobre o nosso casamento—

— Você tem ideia do quanto deixou a Isabella chateada? — ele rosnou, me interrompendo. — Se você não pedir desculpas a ela agora, eu juro por Deus que me divorcio de você.

Eu podia ouvir a voz falsa e magoada de Isabella ao fundo. — Ives, tudo bem... eu não me importo de me machucar um pouco, desde que a Aurora não esteja mais brava...

Então ele voltou à linha, a voz carregada de superioridade moral. — Está ouvindo? Isabella está disposta a ser a pessoa madura aqui, mas você precisa se desculpar. Essa é a minha oferta final.

— Eu ouvi — respondi. — Obrigada, Ives.

— Obrigada pelo quê? — Ele pareceu confuso.

— Por dizer a palavra "divórcio".

Desliguei.

À minha frente, meu advogado assentiu com firmeza. — É isso. A documentação está completa. A partir deste momento, seu divórcio está legalmente efetivado.

Depois de finalizar o divórcio, fiz uma última coisa: coloquei à venda a mansão em que Ives e eu vivemos por cinco anos. Felizmente, a casa estava no meu nome. Eu não precisava da permissão dele.

Depois de alguns dias de correria, finalmente voltei para casa para arrumar minhas últimas coisas... só para encontrar algo na porta que não era meu.

Um par de Louboutins. Saltos pretos, com a sola da cor de sangue fresco.

Eram da Isabella.
Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 9

    Uma faísca selvagem de esperança acendeu nos olhos de Ives. Ele apertou meu pulso com mais força.— Aurora... — Sua voz tremia — Você se lembra. Você ainda se importa. Você tem que se importar.Ele achava que eu estava perdoando-o.Ele achava que eu estava voltando.Até que eu abri a gola do meu próprio casaco.Na minha clavícula, onde deveria haver uma tatuagem combinando, havia apenas pele lisa, sem marcas, e uma cicatriz pálida e quase invisível sob a luz fraca da rua.Os olhos de Ives se arregalaram de horror. A cor desapareceu de seu rosto. Ele gaguejou:— Você... Quando... Quando você...Deixei minha gola voltar ao lugar e alisei o paletó do meu casaco.— Na primeira vez — disse calmamente, sem emoção — Na primeira vez que você trouxe Isabella para nossa casa. Eu tomei essa decisão naquele dia.— No dia seguinte, fui removê-la.— Fazer a remoção de uma tatuagem dói pra caramba, sabe — continuei, olhando em seus olhos destruídos — Mas comparado à dor de vê-lo com outra mulher bem

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 8

    (Ponto de vista de Ives)A sala de reuniões da família Moretti estava carregada de fumaça e medo. Os anciãos e mestres sentavam-se ao redor da longa mesa de mogno, com expressões sombrias.Ives estava à cabeceira, parecendo dez anos mais velho do que um mês atrás.— O prazo final dos irlandeses é amanhã — disse Marco, a voz oca — Não temos dinheiro líquido suficiente para pagá-los.— A menos que... — ele fez uma pausa, olhando para Ives — A menos que mexamos nos ativos centrais da família. Nas reservas.— Não — disse Ives, firme — Quando essas reservas acabarem, a base da família desaparece. Estaremos acabados.— Então qual é o plano, Ives? — perguntou um dos mestres mais velhos, a voz áspera.Ives ficou em silêncio por alguns segundos.— Vou pensar em algo.— Pensar em quê? — outro ancião pressionou, batendo a mão na mesa — Agora, todas as organizações de Nova York estão rindo da gente. Chamando-nos de fracos.— Se vocês não conseguirem lidar com isso, a reputação da família Moretti —

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 7

    Ives rangeu os dentes, a mente correndo atrás de uma saída.— Quando eu disse isso? — sua voz estava carregada de um pânico que não conseguia esconder.— Impossível — continuou, a negação ficando cada vez mais desesperada — Renunciar à família é uma decisão importante. Por que eu não estaria envolvido?— Algum idiota deve ter agido por conta própria! — rugiu para Marco, a voz falhando — Encontrem o filho da mãe que processou isso e coloquem-no em uma jaula! Quem deu a ele autoridade? Quero que ele pague! Quero que ele saia da família Moretti!Eu o observei, sabendo que toda aquela fúria era uma performance desesperada — uma maneira de transferir a culpa e se pintar como a parte prejudicada.Então ele olhou para mim, os olhos cheios de esperança e súplica.— Aurora. Viu? Eu cuidei do idiota.— Foi culpa dele. Ele não me explicou a situação corretamente.— Por que eu não gostaria de saber o que está acontecendo com você?Ele se aproximou, estendendo a mão para a minha.— Volta — disse, a

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 6

    — Aquela remessa estava perfeita — disse Ives, balançando a cabeça em descrença — Isabella estava cuidando de tudo. Ela disse que estava tudo indo conforme o planejado...Ele parou no meio da frase.Ele se lembrou.Nos últimos cinco anos, eu cuidei de todos os negócios importantes, cada detalhe do início ao fim. Isabella era apenas o rosto, a mensageira, a distração bonita.A pessoa que garantia que nada, absolutamente nada, desse errado... era eu.Ele se virou para mim, os olhos exigentes.— Você não conferiu os detalhes dessa remessa?O tom dele era completamente indiferente, como se ainda fosse meu trabalho, minha responsabilidade. Exatamente como tinha sido todas as vezes nos últimos cinco anos.Eu lancei a ele um olhar de puro desprezo.— Por que eu faria isso? Era trabalho da Isabella. Não meu.Olhei ele nos olhos.— Você esqueceu o que disse quando me obrigou a entregar para ela? Você disse que ela era "mais indicada para isso". Você disse: "Agora você pode descansar, Aurora."O

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 5

    O peito de Ives subia e descia rapidamente. Ele respirava fundo, irregularmente, percebendo que havia perdido a compostura na minha frente.— Isabella — disse, a voz agora perigosamente calma — isso é assunto da família. Não é seu lugar de fala. Você deveria ir embora.— Mas Ives... — Os olhos dela se encheram de lágrimas, a voz falhando. — Você sabe que não tenho para onde ir...— Vá para um hotel — disse Ives, sua paciência completamente esgotada.— Mas...— Vou mandar alguém reservar um quarto para você — disse, lançando-lhe um olhar sutil, quase imperceptível.Mas eu vi. Claro que vi.Isabella entendeu. Ela reprimiu um soluço, caminhou até o cabideiro e pegou o casaco. Então, com audácia, enfiou a mão no bolso do sobretudo de Ives e tirou uma chave.Que patético. Mesmo agora, Ives ainda se certificava de que sua amante tivesse um lugar macio para pousar.Enquanto Isabella caminhava até a porta, falei:— Espere — disse calmamente — deixe o colar.Ela se virou, a mão instintivamente

  • Divórcio em Segredo: O Don Implacável Implora Tarde Demais   Capítulo 4

    O sorriso no rosto de Ives desapareceu.Ele agarrou o documento, a face uma máscara de descrença.— Que diabos é isso? — exigiu, a voz subindo de raiva. — Você está cortando os laços comigo? Aurora, você tem ideia do que está dizendo?— Tenho — respondi calmamente.— Oh meu Deus — Isabella arfou, cobrindo a boca, embora os olhos brilhassem com uma alegria que ela não podia esconder. — Aurora, o que você está fazendo? Ives estava apenas chateado. Como você pode ser tão infantil? O Don te ama tanto, como você poderia...— Eu não concordo com isso — Ives interrompeu, calando-a. Ele bateu o documento sobre a mesa de centro.— A aliança entre as famílias Moretti e Castellano é maior do que nós. Ela foi construída sobre décadas de interesses compartilhados — disse Ives, a voz virando aço. — As rotas de armas na Costa Leste, os cortes do cassino em Vegas... você acha que um divórcio é só assinar um pedaço de papel?Ele se aproximou, sua sombra caindo sobre mim.— Aurora, romper essa aliança t

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status