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Capítulo 3

Author: Echo
Empurrei a pesada porta de carvalho.

A cena na sala de estar fez meu sangue gelar.

Ives estava no sofá, com Isabella aninhada contra ele, vestindo meu robe de seda. Aquele que ele me deu de aniversário no ano passado.

Mas o que realmente me fez ferver de ódio foi o colar de safira brilhando no pescoço dela. Era da minha mãe.

— Ah, Aurora — disse Isabella ao me ver, levantando-se com um sorriso preguiçoso e casual, como se não fosse a amante do meu marido parada dentro da minha casa. — Você finalmente voltou. Meu apartamento é tão barulhento, então o Ives disse que eu podia ficar aqui por um tempo. Você não se importa, né?

— Por que você ainda não resolveu aquele problema com os irlandeses? — A voz de Ives era puro gelo. — Como esposa do Don, você não consegue lidar nem com algo tão simples? Ou está planejando ignorar as regras da família? Você conhece as consequências...

— Regras? — interrompi, erguendo lentamente a cabeça. Um sorriso de desprezo se espalhou pelo meu rosto. — Ives, você quer falar comigo sobre regras?

— No mês passado, Isabella ficou bêbada em um clube e contou para a família Russo a localização do nosso depósito de armas no East Side. Fomos emboscados.

— Foi um erro inocente... — Ives começou, franzindo a testa.

— Você levou quatro dos seus melhores homens e tirou ela de lá primeiro — continuei, a voz plana. — Você me deixou para trás.

O silêncio tomou conta da sala.

— Eu levei dois tiros no braço, Ives. Fiquei inconsciente por três dias. — Levantei meu braço esquerdo, mostrando as duas cicatrizes feias e marcadas. — Quando acordei, perguntei o motivo. Você se lembra do que disse?

A mandíbula de Ives se contraiu.

— Você disse: "Isabella precisava ser protegida. Ela não é forte como você." — repeti, as palavras com gosto de cinzas na boca. — Depois me culpou. Disse que a esposa do Don não deveria ser tão mesquinha. Foi naquele momento que nosso casamento morreu.

— Aurora, não puxe coisas do passado—

— Três meses, Ives — interrompi, a voz tremendo de raiva contida. — Você me ignorou por três meses depois disso. E agora deixa sua amante ficar aqui, na minha casa, usando meu robe, usando o colar da minha falecida mãe... e ainda tem a coragem de perguntar por que eu não fiz meu trabalho?

Isabella mordeu o lábio, os olhos ardendo com um ódio que ela nem tentou esconder.

— Aurora... — Ives deu um passo à frente, prestes a dizer algo.

— Ives, deixa pra lá — disse Isabella, puxando o braço dele, forçando lágrimas em uma encenação patética. — Eu entendo, a Aurora está de mau humor. Por que mais ela congelaria sua conta...

As palavras dela pareceram restaurar a confiança dele. Ele voltou a assumir aquele tom moralista.

— Seja o que for que aconteceu no passado, o fato é que você bloqueou a conta e nos fez passar vergonha. Para compensar isso, Isabella vai ficar no seu quarto por enquanto...

— Que pena — eu disse, dando de ombros com um sorriso leve. — Eu já vendi a casa.

Os dois me encararam, atônitos.

— Vendeu? — repetiu Ives, antes de um brilho de compreensão distorcida cruzar seu rosto. — Você quer dizer... para levantar dinheiro e resolver o problema com os irlandeses? Aurora, isso foi inteligente. Uma boa jogada. E, para se acertar com Isabella, acho que você sabe o que fazer. Você ainda tem as outras joias da sua mãe.

Os olhos de Isabella brilharam. Ela agarrou o braço de Ives, animada. — Você quer dizer aquelas esmeraldas lindas? Eu posso mesmo ficar com elas?

Ives assentiu rigidamente. — Se você estiver disposta a entregá-las, eu deixo essa bobagem de divórcio de lado.

Olhei para os dois — um arrogante, o outro se fazendo de magnânimo — como se estivessem esperando que eu me ajoelhasse aos pés deles, grata pelo "perdão".

Tirei um documento da minha bolsa.

— Acho que vocês entenderam errado.

Dei o documento para Ives e disse, devagar e com clareza: — Eu quis dizer que nós estamos divorciados. E fui eu quem pediu.
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