LOGINUma faísca selvagem de esperança acendeu nos olhos de Ives. Ele apertou meu pulso com mais força.— Aurora... — Sua voz tremia — Você se lembra. Você ainda se importa. Você tem que se importar.Ele achava que eu estava perdoando-o.Ele achava que eu estava voltando.Até que eu abri a gola do meu próprio casaco.Na minha clavícula, onde deveria haver uma tatuagem combinando, havia apenas pele lisa, sem marcas, e uma cicatriz pálida e quase invisível sob a luz fraca da rua.Os olhos de Ives se arregalaram de horror. A cor desapareceu de seu rosto. Ele gaguejou:— Você... Quando... Quando você...Deixei minha gola voltar ao lugar e alisei o paletó do meu casaco.— Na primeira vez — disse calmamente, sem emoção — Na primeira vez que você trouxe Isabella para nossa casa. Eu tomei essa decisão naquele dia.— No dia seguinte, fui removê-la.— Fazer a remoção de uma tatuagem dói pra caramba, sabe — continuei, olhando em seus olhos destruídos — Mas comparado à dor de vê-lo com outra mulher bem
(Ponto de vista de Ives)A sala de reuniões da família Moretti estava carregada de fumaça e medo. Os anciãos e mestres sentavam-se ao redor da longa mesa de mogno, com expressões sombrias.Ives estava à cabeceira, parecendo dez anos mais velho do que um mês atrás.— O prazo final dos irlandeses é amanhã — disse Marco, a voz oca — Não temos dinheiro líquido suficiente para pagá-los.— A menos que... — ele fez uma pausa, olhando para Ives — A menos que mexamos nos ativos centrais da família. Nas reservas.— Não — disse Ives, firme — Quando essas reservas acabarem, a base da família desaparece. Estaremos acabados.— Então qual é o plano, Ives? — perguntou um dos mestres mais velhos, a voz áspera.Ives ficou em silêncio por alguns segundos.— Vou pensar em algo.— Pensar em quê? — outro ancião pressionou, batendo a mão na mesa — Agora, todas as organizações de Nova York estão rindo da gente. Chamando-nos de fracos.— Se vocês não conseguirem lidar com isso, a reputação da família Moretti —
Ives rangeu os dentes, a mente correndo atrás de uma saída.— Quando eu disse isso? — sua voz estava carregada de um pânico que não conseguia esconder.— Impossível — continuou, a negação ficando cada vez mais desesperada — Renunciar à família é uma decisão importante. Por que eu não estaria envolvido?— Algum idiota deve ter agido por conta própria! — rugiu para Marco, a voz falhando — Encontrem o filho da mãe que processou isso e coloquem-no em uma jaula! Quem deu a ele autoridade? Quero que ele pague! Quero que ele saia da família Moretti!Eu o observei, sabendo que toda aquela fúria era uma performance desesperada — uma maneira de transferir a culpa e se pintar como a parte prejudicada.Então ele olhou para mim, os olhos cheios de esperança e súplica.— Aurora. Viu? Eu cuidei do idiota.— Foi culpa dele. Ele não me explicou a situação corretamente.— Por que eu não gostaria de saber o que está acontecendo com você?Ele se aproximou, estendendo a mão para a minha.— Volta — disse, a
— Aquela remessa estava perfeita — disse Ives, balançando a cabeça em descrença — Isabella estava cuidando de tudo. Ela disse que estava tudo indo conforme o planejado...Ele parou no meio da frase.Ele se lembrou.Nos últimos cinco anos, eu cuidei de todos os negócios importantes, cada detalhe do início ao fim. Isabella era apenas o rosto, a mensageira, a distração bonita.A pessoa que garantia que nada, absolutamente nada, desse errado... era eu.Ele se virou para mim, os olhos exigentes.— Você não conferiu os detalhes dessa remessa?O tom dele era completamente indiferente, como se ainda fosse meu trabalho, minha responsabilidade. Exatamente como tinha sido todas as vezes nos últimos cinco anos.Eu lancei a ele um olhar de puro desprezo.— Por que eu faria isso? Era trabalho da Isabella. Não meu.Olhei ele nos olhos.— Você esqueceu o que disse quando me obrigou a entregar para ela? Você disse que ela era "mais indicada para isso". Você disse: "Agora você pode descansar, Aurora."O
O peito de Ives subia e descia rapidamente. Ele respirava fundo, irregularmente, percebendo que havia perdido a compostura na minha frente.— Isabella — disse, a voz agora perigosamente calma — isso é assunto da família. Não é seu lugar de fala. Você deveria ir embora.— Mas Ives... — Os olhos dela se encheram de lágrimas, a voz falhando. — Você sabe que não tenho para onde ir...— Vá para um hotel — disse Ives, sua paciência completamente esgotada.— Mas...— Vou mandar alguém reservar um quarto para você — disse, lançando-lhe um olhar sutil, quase imperceptível.Mas eu vi. Claro que vi.Isabella entendeu. Ela reprimiu um soluço, caminhou até o cabideiro e pegou o casaco. Então, com audácia, enfiou a mão no bolso do sobretudo de Ives e tirou uma chave.Que patético. Mesmo agora, Ives ainda se certificava de que sua amante tivesse um lugar macio para pousar.Enquanto Isabella caminhava até a porta, falei:— Espere — disse calmamente — deixe o colar.Ela se virou, a mão instintivamente
O sorriso no rosto de Ives desapareceu.Ele agarrou o documento, a face uma máscara de descrença.— Que diabos é isso? — exigiu, a voz subindo de raiva. — Você está cortando os laços comigo? Aurora, você tem ideia do que está dizendo?— Tenho — respondi calmamente.— Oh meu Deus — Isabella arfou, cobrindo a boca, embora os olhos brilhassem com uma alegria que ela não podia esconder. — Aurora, o que você está fazendo? Ives estava apenas chateado. Como você pode ser tão infantil? O Don te ama tanto, como você poderia...— Eu não concordo com isso — Ives interrompeu, calando-a. Ele bateu o documento sobre a mesa de centro.— A aliança entre as famílias Moretti e Castellano é maior do que nós. Ela foi construída sobre décadas de interesses compartilhados — disse Ives, a voz virando aço. — As rotas de armas na Costa Leste, os cortes do cassino em Vegas... você acha que um divórcio é só assinar um pedaço de papel?Ele se aproximou, sua sombra caindo sobre mim.— Aurora, romper essa aliança t







