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Capítulo 2

Author: Sempre com Sono
Meus pais responderam quase imediatamente.

"A gente vai mandar alguém buscar você agora mesmo."

"Resolva tudo antes de voltar. Não deixe nenhum problema para trás."

Eu sabia exatamente o que precisava resolver: meu casamento com Caio e o Grupo Nunes. Afinal, fui eu quem transformou a empresa no que ela era.

Mesmo que ninguém tivesse me lembrado, eu já pretendia encerrar ambos os assuntos de uma vez por todas.

Baixei os olhos para o celular e respondi apenas:

"Entendi."

Então peguei o acordo de divórcio que estava guardado entre os documentos e fui procurar Caio para que ele o assinasse.

No entanto, assim que abri a porta do quarto e vi o que estava acontecendo na sala, fiquei paralisada.

Menos de dez minutos antes, Caio havia prometido que não deixaria mais nenhuma amante vir me provocar e que comemoraria meu aniversário como eu merecia.

Mas agora, ele estava sentado no sofá com Luana nos braços. Ela havia voltado não se sabia quando, e ele a consolava com toda a paciência e delicadeza do mundo.

Ao vê-lo daquela forma, não consegui evitar que as lembranças do nosso passado voltassem à minha mente.

Em memórias que já começavam a se apagar, Caio havia me tratado com cem vezes mais carinho e devoção.

Bastava eu dar uma tossida para ele passar a noite inteira em claro, preocupado comigo. Se eu quisesse algum bolo, ele atravessava metade da cidade para comprá-lo.

Quando meus pais tentaram nos separar, chegaram a ameaçar o futuro acadêmico dele e quebraram suas pernas. Ainda assim, Caio nunca me culpou por nada.

Ele fazia todas as minhas vontades.

Comparar aquele homem com o Caio de agora...

Precisei reunir todas as minhas forças para conter a amargura no peito e não exigir explicações.

Mas, ao me aproximar e ouvir o que os dois diziam, acabei perdendo o controle.

— Caio... Eu sei que a Helena não vai gostar nada de ouvir isso, mas acho que você precisa saber. — Luana falou, aconchegada nos braços de Caio.

— Estou grávida! Você vai ser pai!

Caio ficou radiante na mesma hora: — Isso é maravilhoso! Vamos, vou levar você ao hospital agora mesmo para fazer os exames.

Sem perder tempo, ele pegou Luana no colo e saiu com ela.

Nenhum dos dois sequer se importou com a minha presença.

Soltei um longo suspiro e me coloquei na frente de Caio:

— Caio, você acabou de me garantir que não deixaria mais ninguém vir fazer escândalo na minha frente.

— Isso foi um imprevisto. — Caio falou com toda a convicção, sem demonstrar o menor arrependimento. — A Luana está grávida. Você acha mesmo que eu ia deixar ela sozinha numa hora dessas?

— Você faz aniversário todo ano. Se não comemorarmos hoje, podemos compensar no ano que vem. Não é nada demais, então pare de fazer drama, está bom?

Fiquei olhando para ele em silêncio.

Caio ficou parado à minha frente, ainda com Luana nos braços. Nós nos encaramos em silêncio por alguns instantes, até que ele franziu a testa, impaciente, e falou com irritação:

— Está bem. Se você faz tanta questão de comemorar hoje, então será hoje.

— Anda logo e vem dirigir! Depois da consulta da Luana, vou comemorar seu aniversário com você.

Ele agia como se estivesse sendo extremamente generoso ao ceder, e aquilo me pareceu tão ridículo.

Eu também já estivera grávida um dia.

Foi no segundo ano depois que rompi com minha família e me mudei com Caio para uma cidade onde não conhecíamos ninguém.

Quando soube da gravidez, ele ficou tão feliz que passou duas noites sem dormir de tanta euforia.

Naquela época, a empresa ainda estava começando, e Caio vivia atolado de trabalho. Mesmo assim, sempre dava um jeito de arranjar tempo para ficar comigo.

Ele preparava pessoalmente todas as minhas refeições, fazia massagens em mim, cuidava da estimulação do bebê e entregava todo o dinheiro que ganhava nas minhas mãos.

Nós dois aguardávamos ansiosamente a chegada daquele bebê.

Mas fui sequestrada por pessoas enviadas por uma empresa rival, que queria se vingar de Caio.

Ele acabou na UTI. Eu perdi nosso bebê e, por causa disso, nunca mais poderia engravidar.

Naquela época, não tínhamos dinheiro nem poder. Só podíamos nos abraçar para consolar um ao outro e jurar que um dia vingaríamos nosso bebê.

No entanto, quando finalmente conquistamos poder e dinheiro suficientes para isso, Caio apareceu diante de mim abraçado à amante.

Ele defendeu os responsáveis pela morte do nosso bebê e exigiu que eu fosse compreensiva, que parasse de insistir na vingança e de criar problemas.

Pouco mais de três anos haviam se passado desde então. Agora, ele queria que eu acompanhasse sua amante grávida ao pré-natal, pisando justamente na ferida que eu mais temia tocar.

Fiquei olhando para Caio, com uma pergunta presa na garganta.

Por quê?

Como nós dois havíamos chegado àquele ponto?

Mas, antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, a voz manhosa de Luana soou:

— Caio, não estou me sentindo muito bem.

— Podemos ir logo para o hospital?

Ele assentiu depressa, apavorado com a possibilidade de que qualquer demora prejudicasse Luana ou o bebê.

Dei um sorriso desolado e engoli tudo o que queria dizer.

Tudo já estava decidido. Nada mais importava.

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