Divórcio à Vista: o Desespero Tardio

Divórcio à Vista: o Desespero Tardio

By:  Lira BellUpdated just now
Language: Portuguese
goodnovel4goodnovel
Not enough ratings
30Chapters
3views
Read
Add to library

Share:  

Report
Overview
Catalog
SCAN CODE TO READ ON APP

Em dois anos de casamento arranjado, Clarice Valença fez muitas coisas para atrair a atenção de Felipe Amaral. No entanto, a resposta dele era sempre a mesma: — Para de fazer drama. Clarice achava que ele era naturalmente frio e indiferente, até testemunhar com os próprios olhos ele sendo gentil e paciente ao consolar sua "musa intocável". Então ela percebeu que ele também sabia cuidar de alguém. Só que esse alguém não era ela. Naquele momento, Clarice compreendeu que os dois anos de sua dedicação não passaram de uma ilusão que comoveu só a si mesma. A partir de então, ela se transformou em uma esposa perfeita, madura, impecável e atenciosa. Quando a hora certa chegou, ela entregou o acordo de divórcio e foi embora sem hesitar. Quando se reencontraram, Clarice, antes uma " falsa herdeira", já havia se tornado uma verdadeira dama da alta sociedade, cercada por inúmeros homens incríveis. Ao vê-la conversando e sorrindo com outros, aquele homem frio e intocável finalmente desceu do seu pedestal e disse: — Sra. Clarice, eu só permito que você seja dramática comigo. Vestida com um elegante vestido vermelho, Clarice lançou-lhe um olhar indiferente. — Sinto muito, Sr. Felipe. Estou prestes a me casar. O homem, com uma aura fria e imponente, encurralou-a no canto. Mas, ao falar junto ao seu ouvido, sua voz carregava um tom quase suplicante: — Clari, você só pode se casar comigo.

View More

Chapter 1

Capítulo 1

Às cinco da tarde, do lado de fora do jardim da mansão, Clarice observou por dez minutos a interação íntima entre seu marido, Felipe, e outra mulher.

Ela conhecia a mulher à sua frente.

Olívia Ferraz, sua colega de turma na universidade, e também a musa intocável de Felipe.

Dois anos atrás, pouco antes de as famílias Amaral e Valença decidirem unir as duas famílias por meio de um casamento, Olívia foi repentinamente para o exterior.

Ela havia retornado ao país há um mês e, desde então, Felipe passou a ter horários imprevisíveis, saindo cedo e voltando tarde.

Clarice suspeitou de traição e começou a investigá-lo, segui-lo, questioná-lo, mas não encontrou nada.

Até que, naquela tarde, como membro do grupo de secretárias do Grupo Amaral, ela inesperadamente teve acesso à agenda particular de Felipe.

Ela o seguiu e viu aquela cena.

No jardim, a mulher estendeu a mão para colher uma maçã em um galho alto, mas, após várias tentativas, não conseguiu alcançá-la. Ela bateu o pé, e em seu rosto delicado surgiu um leve ar de irritação. Logo em seguida, lançou a Felipe um olhar suplicante, querendo que ele a ajudasse.

Felipe sorriu levemente, com um ar paciente, aproximou-se e pegou a maçã para ela.

A mulher recebeu a fruta e falou com um tom manhoso:

— Quero que você prove esta maçã. É grande e vermelha, deve ser bem doce. — Depois, fazendo beicinho, ela apontou para um ponto ainda mais alto. — Para de rir! Como punição, pegue aquela também para mim.

Felipe tirou o paletó e entregou a ela, depois, arregaçou as mangas da camisa branca.

Onde quer que ela apontasse, ele colheria as maçãs.

Observando aquela cena, Clarice pegou o celular e ligou para Felipe.

— O que foi? — Ele atendeu, com a voz indiferente.

— Felipe, eu estou doente. Não estou me sentindo bem, de verdade. Volta logo para ficar comigo. — Clarice fungou, forçando a voz rouca, fingindo estar doente.

— O Raul disse que você estava perfeitamente bem quando saiu da empresa. Clarice, pare de fazer drama. — Felipe desmascarou-a com indiferença.

— Então volta para jantar comigo. Sem você, eu não consigo comer. — Sem desistir, ela insistiu.

— Tenho coisas para fazer à noite. — Felipe recusou diretamente e desligou.

Olhando para a chamada encerrada, Clarice sentiu-se anestesiada.

Por que a atitude era diferente?

Quando ela fazia drama, ele a desmascarava e repreendia com indiferença. Quando Olívia fazia, ele correspondia com gentileza.

Durante os dois anos de casamento, Clarice também havia tentado métodos semelhantes. Fingia cansaço para que ele a carregasse, simulava ferimentos para que ele a alimentasse, até o obrigava, apesar da mania de limpeza dele, a comer algo que ela já havia mordido.

Mas ele permanecia distante, observando friamente seu monólogo e destruindo suas ilusões, dizendo para ela parar de fazer drama.

Apenas na cama ele abaixava um pouco a guarda e se mostrava um pouco mais afetuoso, dizendo algumas palavras doces. Fora dela, voltava a ser frio e distante.

Ela sempre pensou que fosse apenas o jeito dele, mas agora via que ele também sabia ser gentil. Apenas, não com ela.

Diante dessa comparação, pareciam ridículos e patéticos os dois anos que ela passou tentando desesperadamente chamar a atenção dele.

Clarice viu os dois entrarem juntos na mansão. Com o coração decidido, pegou o celular e fez um pedido online de preservativos de diferentes marcas.

Meia hora depois, viu o entregador dar a sacola a Felipe. Então, ligou novamente para ele.

— O que significa isso? — Ele atendeu, com um tom frio de questionamento.

Ele já tinha percebido que havia sido ela quem enviou.

— São todos os modelos que você gosta. Não fui atenciosa? — Clarice respondeu de propósito, para provocá-lo.

— Clarice, você pode fazer drama, mas tudo tem limite.

Ao ouvir o mesmo tom desdenhoso de sempre, como se ele fosse alguém superior, Clarice finalmente se cansou.

Depois de suspeitas intermináveis e incontáveis discussões unilaterais, ela enfim perguntou:

— Felipe, já se passaram dois anos. Casar comigo é realmente tão sofrido assim?

Caso contrário, por que, após dois anos, ele continuava tão insensível?

Do outro lado da linha, houve silêncio. Felipe não respondeu.

De repente, o celular de Clarice vibrou. Era uma notificação de transferência. Felipe havia lhe enviado dois milhões.

— Clarice, se está entediada, vá arrumar algo para fazer. Compre bolsas, vá viajar, faça o que quiser. Só não passe o tempo sendo paranoica. — A voz fria dele soou.

O som da chamada sendo encerrada ecoou.

Olhando para a tela, os dedos de Clarice tremiam, e até respirar se tornava difícil.

Ele sempre usava o dinheiro para dispensá-la. Não importava o que ela dissesse ou fizesse, era como dar murro em ponta de faca. Nem mesmo enviar os preservativos para ele usar com outra mulher era capaz de provocar sua raiva.

No fim das contas, ele simplesmente não a amava, não se importava.

Desta vez, ela não escolheu discutir ou confrontar. Porque já não tinha mais argumentos diante de Felipe.

Uma semana antes, seu pai lhe havia contado que ela não era a verdadeira filha da família Valença, e que havia sido trocada por sua mãe.

Naquele ano, sua mãe, Elisa Garcia, e Catarina Muniz, o primeiro amor de seu pai, deram à luz no mesmo dia, no mesmo hospital. Sua mãe sofreu uma hemorragia grave e perdeu o bebê.

Já Catarina deu à luz uma menina, a filha bastarda de seu pai.

Aproveitando-se da anestesia da esposa, ele trouxe a filha de Catarina para seu lado, pretendendo criá-la como parte da família Valença.

No entanto, inesperadamente, sua mãe acordou e ouviu a conversa, descobrindo que seu filho havia morrido e que a menina ao seu lado era fruto da traição do marido. E, como vingança, sem dizer nada, ela trocou a verdadeira herdeira por outra criança.

Essa criança trocada era Clarice.

Esse segredo permaneceu oculto até a morte de sua mãe, vítima de uma doença grave.

Recentemente, ao organizar seus pertences, uma empregada encontrou o diário em que tudo isso estava escrito.

Mesmo sendo filha bastarda, a outra ainda era a verdadeira herdeira, vivendo longe da família, enquanto Clarice desfrutava há vinte e quatro anos de uma vida de luxo e conforto.

Sua madrasta, Catarina, que antes a tratava bem, agora a odiava profundamente.

Seu pai não era tão radical, mas era ainda mais pragmático. Ele a advertiu que seu status de herdeira era falso, e até seu casamento com Felipe era um degrau alto demais para ela. Mandou que parasse de causar problemas, permanecesse no papel de esposa de Felipe e trabalhasse como secretária para beneficiar a família.

Ao mesmo tempo, já haviam começado, em segredo, a procurar a filha verdadeira.

Agora, sendo uma órfã de origem desconhecida, que direito ela tinha de continuar agindo como antes diante de Felipe?

Assim que chegou em casa, Clarice recebeu uma ligação da sogra, Cíntia.

Após hesitar por um momento, ela atendeu.

— Sogra, aconteceu alguma coisa?

— Por que não consigo falar com o Felipe? — Cíntia questionou.

Clarice fez uma pausa e sorriu com amargura. Provavelmente ele estava ocupado com o que queria fazer, caso contrário, aqueles preservativos seriam um desperdício.

Tirando os sapatos com um chute e caminhando para dentro, ela respondeu com desânimo:

— Não sei. Ele não está comigo.

— Você, como esposa, não sabe onde seu marido está? Clarice, pode ser mais atenciosa com ele? Ou está tentando entregar o posto de esposa dele para outra mulher?

Ela não era atenciosa?

Sua vida e seu trabalho giravam em torno de Felipe, apenas desejando que ele olhasse mais para ela. Mas o coração dele já pertencia a outra pessoa. Nada do que fizesse adiantava.

Com a mente em caos, ela não quis continuar aquela conversa.

— Entendi. Vou entrar em contato com ele agora.

Após desligar, ela jogou o celular de lado, foi até o bar, serviu-se de uma taça de vinho tinto e a bebeu de uma vez.

Cíntia não teria feito aquela ligação sem motivo. Provavelmente já sabia da existência de Olívia e não queria que ela se tornasse um obstáculo no casamento do herdeiro da família Amaral.

Deitando-se no sofá, Clarice tentou assimilar a situação atual.

Dias atrás, assim que seu pai descobriu que ela não era sua filha biológica, retirou imediatamente suas ações, o dote deixado por sua mãe e até as propriedades em seu nome, deixando-lhe apenas uma BMW de cinco anos de uso.

Esse carro havia sido um presente de aniversário de vinte anos que sua mãe, antes de falecer, havia deixado para ela como uma lembrança.

Já que ela não era filha legítima, era compreensível a recuperação dos bens.

Contudo, isso significava que ela realmente era alguém sem apoio algum, uma órfã indefesa.

Se não se divorciasse e mantivesse o título de esposa de Felipe, ainda poderia viver bem. Mas, uma vez divorciada, não teria mais nada.

Sem dinheiro, sem família, talvez até perdesse o emprego como secretária no Grupo Amaral.

Dizer que não estava dividida seria mentira. Ninguém gostaria de viver na pobreza.

As dificuldades materiais ainda poderiam ser suportadas, afinal, com duas mãos e duas pernas, ela não chegaria a passar fome. Mas a dor no coração... essa era insuportável.

Ela não suportava a ideia de passar décadas lidando com a frieza e a traição do marido.

Com mil pensamentos na mente e o efeito do álcool subindo, Clarice acabou adormecendo no sofá.

Ela acordou com o movimento de alguém a carregando.

Ao abrir os olhos, percebeu que Felipe a levava nos braços, subindo as escadas.
Expand
Next Chapter
Download

Latest chapter

More Chapters

To Readers

Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.

No Comments
30 Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status